Os irmãos francanos Jhoniker Bráulio da Costa, 30, e Banneker Bráulio da Costa, 26, estão em fase de produção do jogo on-line chamado “Rio”, que narra a história de sobreviventes no Rio de Janeiro em busca de uma cura em um mundo apocalíptico. O trabalho da dupla com a criação da partida já atraiu diversos investidores, passando a ser um investimento milionário.
Tímidos e ainda entendendo a dimensão dessa conquista, a dupla de irmãos conta a sua história para o GCN. Eles explicam a importância desse momento em suas vidas.
Formados apenas até o ensino médio, ambos são estudiosos e sempre sonharam com uma vida melhor, já que são de origem humilde. Hoje, já casados e cada um com uma filha, sentem que estão caminhando para isso.
Os irmãos são de família humilde e tiveram uma infância simples e unida. “Houve momentos em que fomos despejados, mas meus pais sempre se esforçaram para que o peso dessa situação não recaísse sobre nós, que éramos ainda pequenos e não entendíamos a gravidade da situação. Na verdade, achávamos que era algo normal e que fazia parte da vida. Apesar dessas dificuldades, tenho muitas boas lembranças da nossa infância”, disse Jhoniker.
Com a origem humilde, os irmãos, apesar do interesse em vídeogames, sempre estavam atrasados em relação as novidades. “Nossos pais faziam o possível para nos dar o que podiam, e lembro que ganhamos nosso primeiro videogame, um Atari, quando já era a era do Nintendo. Mesmo assim, nos divertimos muito com ele. Depois veio o Mega Drive, quando os jogos começaram a fazer mais sentido, com histórias e possibilidade de zerar o jogo. Jogamos Sonic 2, Street of Rager e X-men Clone Wars. Foi demais! Mas, sem dúvida, o videogame que mais marcou nossa infância foi o DreamCast, com o jogo Tokyo Xtreme Racer 3. A partir daí, os jogos sempre estiveram presentes em nossas vidas e foram fontes de muita diversão e entretenimento”, explicou.
Mas foi depois de alguns anos que os irmãos começaram a dar passos na criação de games. “O primeiro contato de Bannaker com jogos foi em 2014, quando ele frequentava a lan house perto da casa da minha avó. Nessa época, eu apenas jogava Counter Strike 1.5. Foi somente em 2018, após o Bannaker ter falhado no primeiro jogo que estava criando, que eu vi uma grande oportunidade de tornar o projeto real e me ofereci para entrar nele. Assim, reformulamos o projeto e conseguimos o primeiro investidor para a empresa após tantas falhas de conexões”, contou.
O processo de criação
Para Jhoniker, toda a experiência foi muito desafiadora, pois, no início, foi necessário detalhes do processo que nunca tinha vivenciado. “Primeiro descrevemos todas as etapas em um arquivo de texto. Porém, quando começamos a executá-las, percebemos que não era tão simples assim. Era necessário buscar muito mais conhecimento do que imaginávamos. Passamos noites e noites consumindo vídeos do YouTube e buscando informações. No entanto, ainda assim, o caminho foi árduo, especialmente para nós, que fizemos algo tão complexo e inovador para o mercado. No Brasil, ainda não há nenhum jogo considerado Triple A, e estamos em busca desse reconhecimento”, disse ele, que explicou que jogos de Triple A são aqueles que necessitam de mais investimento.
A inspiração do jogo
A base utilizada no jogo Rio X, foi inspirada em um jogo chamado Infestation. “Nós gostávamos tanto que vivíamos pensando em como melhor o jogo. Foi aí que tivemos a inspiração. Inicialmente, usamos até a mesma base, mantivemos que reformular a ideia de forma atualizada, identificando e solucionando os pontos fracos que vimos e acrescentando nossas próprias ideias. Nosso objetivo era criar um jogo "de nós para nós". Assim, começamos a montar o quebra-cabeça, criando um modo de sobrevivência porque percebemos que é o único modo que realmente extrai emoções dos jogadores. Como queríamos que nosso jogo fosse reconhecido globalmente, pesquisamos mundialmente e decidimos situá-lo no Rio de Janeiro, uma cidade icônica conhecida como "a cidade maravilhosa". Para aumentar a competitividade e a emoção do jogo, adicionamos uma pegada mais frenética, já que os jogadores gostam de competir e serem os melhores”, descreveu.
O jogo
O "RIO", representa "Rio de Janeiro" e "Raised in Oblivion" (Criado no esquecimento). A história do jogo gira em torno de pessoas que ficaram esquecidas atrás de muros de contenção em bairros do Rio de Janeiro, e cuja sobrevivência é essencial até que a cura seja encontrada. “Atualmente, com a ajuda de investidores e sócios da nossa empresa, bem como investidores do mercado de blockchain, estamos em processo de execução do projeto RIO-X. Temos uma equipe de desenvolvedores especializados em diversas áreas, trabalhando arduamente para finalizar o jogo”, falou.
Investidores
Os investidores do mercado tradicional foram atraídos para a empresa através de anúncios que foram divulgados nas redes sociais em busca de investimento. Atualmente, eles são sócios. “Na época em que estávamos fechando o acordo com o primeiro sócio, ele estabeleceu uma condição: só entraria com o investimento se ficássemos entre os 10 primeiros jogos da Brasil Game Show 2019, um evento promovido pelo Banco do Brasil. Embora eu tenha aceitado, meu irmão me chamou de louco porque faltavam apenas 30 dias para o evento e ainda não tínhamos nada desenvolvido. Além disso, íamos competir com jogos que já estavam em desenvolvimento há anos. No entanto, trabalhamos duro, noites e dias, e conseguimos finalizar a gameplay no próprio evento. Tudo deu certo, fizemos um grande sucesso e ganhamos o 1º lugar como melhor jogo em desenvolvimento no grande evento”, descreveu.
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Comentários
3 Comentários
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Sérgio 13/06/2023Isso aí, Jhoni e Banne, admiro estórias de pessoas humildes que vencem com trabalho e honestidade. Desejo todo o sucesso. Jamais esqueçam de suas origens. -
Gamer 13/06/2023Parabens aos brothers!! Exemplo neste pais e no mundo!!! -
joao 12/06/2023Boa garotos, parabens pelo trabalho! Estou ansioso para ver o resultado, ainda mais quando é jogo brasileiro.... hehehe