“Tive que parar aos 14 anos para trabalhar”. “Não teria como continuar como profissional”. “Chegar em alto nível era bastante difícil”. “Meus pais não me deixaram seguir em frente por motivos e crenças pessoais deles”. “Tive meu primeiro filho e assim fui me afastando do vôlei”. “Acabei mudando de bairro e não joguei mais”.
Todas essas frases foram ditas por mulheres que moram em Franca. Por diferentes motivos no passado, para elas, luzes se apagaram no esporte. Para atender essas “meninas” que muito fizeram para os outros nasceu o time Valquírias Vôlei Clube.
O projeto surgiu a partir de amigas de escola que se reuniram para participar de um torneio de vôlei que foi realizado no Colégio Champagnat no ano passado. “Após ter passado esse campeonato, as meninas ficaram muito empolgadas em continuar jogando no time”, relembra o técnico Júnior Santana, de 36 anos.
Aos poucos, a equipe começou a ganhar visibilidade na cidade. Com ajuda de patrocinadores que apoiaram a causa, outras mulheres despertaram o interesse. O projeto, que começou com quatro participantes, hoje já conta com 24 integrantes.
"O vôlei se tornou um refúgio para uma vida melhor e mais saudável. O prazo de viver aumentou. Fazer o esporte que ama, com pessoas incríveis, não tem preço".
Os encontros acontecem na EMEB Profª "Rita de Cássia Calixto Xavier", no Jardim Pulicano, das 19h30 às 21h30. Quem deseja participar do projeto basta entrar em contato através da página de Instagram @valquiriasvoleiclube. "Sempre tem espaço para quem quer praticar o voleibol".
Conheça um pouco da história de algumas das participantes:
Ana Paula Naques, de 34 anos
"Moro em Franca, no bairro Residencial São Domingos. (Trabalho como) autônoma.
Comecei a jogar aos 9 anos, no ginásio do (Parque) Leporace e, logo depois, fui convidada para jogar no ginásio do Champagnat. Os treinos eram bastante específicos e a minha intenção era me tornar profissional, porém, para se chegar a alto nível era bastante difícil.
Enfim, após isso fiquei 15 anos sem jogar, mas o vôlei, além de ser um esporte, é a minha maior paixão (...) a cada momento é um desafio e a cada treinamento vemos a nossa evolução. É maravilhoso isso.
Com certeza o prazer e à alegria de viver aumentou. E claro, a atividade física faz isso com as pessoas, manter sempre à disposição."
Carolina Antoniete, de 22 anos
Moro em Franca, no prolongamento do Jardim Ângela Rosa. (Trabalho como) auxiliar administrativo.
Sempre gostei de praticar esportes desde criança. Na escola, meu professor de educação física, que se chamava Sebastião, sempre incentivou o vôlei. Ele encaminhou algumas alunas para prática do esporte pela Prefeitura e fiquei até os meus 17 anos, quando não teria como continuar como profissional.
Após a minha gestação, tive dificuldades na minha individualidade. Como o vôlei foi algo que sempre gostei me ajudou muito há ter um tempo só para mim e reconectar comigo mesma.
No vôlei podemos também criar relações com as demais jogadoras, o que auxilia e agrega de forma muito positiva na vida de cada uma, inclusive na relação de trabalho em equipe e sintonia. Em especial, temos uma amizade e apoio uma das outras que é bastante significativo e importante.
Elaine Moscardine Vilela, de 44 anos
Nasci em Goiânia (GO), porém fui criada na cidade de Franca, desde quando tinha 1 ano e 8 meses de idade. Atualmente moro no bairro Redentor, próximo à Vila Santa Terezinha. Casada com Mario, mãe do Tiago, de 14 anos, e do Lucas, de 24 anos. Trabalhamos com fabricação e vendas de cintos e botas em couro.
Comecei a jogar vôlei na minha infância na escola (Escola Estadual) Otávio Martins de Souza. Disputávamos amistosos e jogos regionais. Nessa época me indicaram para treinar no SESI e no sub-14 de Franca, no ginásio Champagnat, mas tive que parar aos 14 anos para trabalhar.
Mais tarde, com 35 anos de idade, voltei a jogar nos times amadores e com as colegas, seja em quadras particulares, Poliesportivo ou quadra de praça pública. Assim, fui me envolvendo novamente com vôlei até estar no time das Valquírias.
Eu tenho pressão alta e depressão. O vôlei me ajuda muito até por ser uma atividade física. Quando estou em quadra, não consigo pensar em mais nada a não ser em relação às jogadas. O vôlei é minha terapia, amo de paixão! É meu hobby e não me vejo sem."
Michelle Geice Gonçalves Meletti, de 34 anos
Sou de Goiânia (GO). Atualmente moro no Jardim Boa Esperança. (Trabalho como) analista de sistema e negócios.
Fui convidada para ser da base do time de Franca feminino, porém, as aulas eram no ginásio Champagnat. Meus pais não me deixaram seguir em frente por motivos e crenças pessoais deles. Fui impedida naquela oportunidade de continuar a crescer no esporte, porém, continuei jogando no Leporace, próximo a minha casa, que eu poderia ir a pé mesmo. E, ao longo dos anos, continuei indo jogar por diversão no Pedrocão com a galera do vôlei de Franca, porém, havia perdido minha oportunidade de ser profissional.
Casei-me nova com 19 anos. Logo tive meu primeiro filho e, assim, fui me afastando do vôlei. Com o tempo fui retornando para me divertir. Depois, tive meu segundo filho e tive que me afastar novamente do esporte. Assim que ele cresceu, retornei as quadras e não pretendo sair nunca mais.
Tenho crises fortes de TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual). Mesmo tendo isso, o vôlei me tira dos momentos de crise, trazendo paz e alegria novamente. Reencontrei-me no meu propósito, iniciei fisioterapia, personal trainner, dieta e suplementação. A minha qualidade de vida está melhor do que antes de entrar no time."
Patrícia Cristina Garcia, de 27 anos
"Sempre morei em Franca e, atualmente, moro nas imediações da Estação.
Comecei a praticar o vôlei desde os meus 13 anos. Jogava na quadra Amazonas, que fica próximo à Avenida Brasil. Meus pais e minha família sempre me incentivaram a praticar esporte. Joguei um ano e participei de campeonatos no SESI e Champagnat. Logo depois, acabei mudando de bairro e não joguei mais.
Fiquei um bom tempo sem jogar vôlei e, logo depois, alguns amigos decidiram reunir para jogar todos os domingos no Poliesportivo e, um belo dia, uma amiga me convidou para jogar no time das Valquírias, pois, o time iria participar do campeonato no Champagnat e então resolvi participar.
Ano passado tinha sido diagnosticada com TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). O médico logo quis me receitar medicamentos para amenizar os sintomas, mas, assim que comecei a jogar e treinar constantemente, não tive nenhuma crise mais. Se eu passo uma semana sem jogar vôlei, já não fico legal. O vôlei me ajuda em muitas coisas, mas, em especial, a entender que o esforço e o trabalho duro supera qualquer obstáculo."
Junior Santana, de 36 anos (técnico)
"Sou natural de Nova Mutum (MT). Moro no bairro Mundo Novo. Atualmente, sou controlador de pragas.
Vim para o estado de São Paulo há pouco mais de 15 anos, onde morei em Mirassol e, depois de longos 7 anos, me mudei para Franca, onde estou há 8 anos.
O voleibol é um esporte que aprendi a amar com 16 anos de idade e, antes dele, participava do atletismo profissional na cidade de Nova Mutum, por 5 anos, onde competia no salto em distância de 100 metros rasos e revezamento 4x100. Acabei desistindo do atletismo e dei sequência no voleibol.
Para muitas, o vôlei se tornou um refúgio para uma vida melhor e mais saudável. Fazer o esporte que se ama, com pessoas incríveis, isso não tem preço. Mudou para melhor porque nesse time tornamos não apenas amigos, mas sim uma família."
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Comentários
1 Comentários
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Valquiria Parra 03/04/2023Muito legal essa iniciativa! Adoro volei comecei jogar aos 13 anos e tive q parar aos 15 pois perdi minha mãe, me reencontrei c o vôlei após os 30 anos e n patei mais ,hoje estou c ,65 anos e jogo na equipe Alphamix aqui em Barueri . Em breve farei cirurgia de proteses no quadril e não irei mais jogar! Sou muito feliz fazendo esse esporte q amo!!