SEM RESPOSTA

Miguel Berdú está desaparecido há exatos 1.500 dias: 'a esperança nunca vai acabar'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Arquivo familiar
Miguel Berdú Egéa sumiu no dia 4 de fevereiro de 2019
Miguel Berdú Egéa sumiu no dia 4 de fevereiro de 2019

Mil e quinhentos dias, 36 mil horas ou 2,1 milhões de minutos. Este é o tempo que Miguel Berdú Egéa permanece desaparecido. Portador de Mal de Alzheimer, o aposentado foi visto pela última vez na região do Jardim Guanabara, em Franca, no dia 4 de fevereiro de 2019.

Na época com 78 anos, o idoso estava sentado no banco de uma praça esperando sua mulher sair da padaria, quando sumiu, por volta das 18 horas. Desde então, uma pergunta assolou Franca e região: onde está Miguel Berdú?

Nesta quarta-feira, 15, completam-se 1,5 mil dias de seu desaparecimento, e essa pergunta ainda não foi respondida. A filha Márcia Maria Berdú, de 54 anos, relembra o sentimento de desespero quando descobriu que seu pai havia sumido.

“Fiquei desesperada, porque estava trabalhando e ele já tinha fugido de casa algumas vezes (em decorrência da doença), mas sempre encontrávamos. Desta vez, como era tarde, a hora que cheguei em casa e vi que ele tinha desaparecido, saímos para procurar. Logo escureceu e ficou mais difícil”.

A empresa que Márcia trabalhava antecipou suas férias e uma corrente de solidariedade se formou na cidade para ajudar nas buscas. “(A polícia) deu um respaldo, mas assim... A população em se foi o que mais ajudou. Todo mundo muito atencioso, dando muita força para nós. Ajudou mesmo nas buscas”.

Os dias se passavam e a falta de informações verídicas que levassem ao idoso agoniava os familiares. “Buscas intensas foram feitas todos os dias em fevereiro e março. Em abril foram diminuindo, mas continuamos conforme informações que nos passavam. Nunca paramos totalmente de procurar pelo meu pai”.

Informações que, na maioria das vezes, eram falsas. Berdú trajava camisa escura, calça bege e sapatos marrons durante o sumiço. “Às vezes as pessoas ligavam ao verem um senhorzinho na rua e falava que achava que era ele. A gente ia atrás, mas não era. Todas às vezes que recebíamos uma informação não era o meu pai”.

Sem informações sobre o seu paradeiro, os familiares conseguiram na Justiça o pedido de morte presumida. O termo é utilizado para declarar que é extremamente provável que a vítima esteja morta em decorrência das circunstâncias. O delegado Márcio Murari, responsável pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, disse que “até hoje não foi localizado apesar das diligências realizadas”.

Pai de sete filhos, Miguel Berdú trabalhou durante anos entregando leite pela empresa Jussara. Natural de Franca, morava na Vila Santa Luzia, na região da Estação. Sua mulher Maria de Lourdes Mendes Berdú, que a acompanhava no dia do desaparecimento, morreu no mês de março de 2020, sem saber o final da história de seu marido.

“Nada é impossível para Deus. Temos essa esperança sim (de encontrá-lo). Quem sabe alguém está cuidando dele em algum lugar, em algum sítio, porque ele amava sítio e fazenda. Essa esperança nunca vai morrer a não ser que o encontre vivo ou morto para podermos encerrar esse ciclo. Enquanto não temos essa certeza, a esperança nunca vai acabar”, afirma a filha.

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