PROTESTO

Enlutadas, famílias do casal morto por motorista bêbado pedem justiça

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
N. Fradique/GCN
Familiares e amigos durante manifestação neste sábado pedindo justiça pela morte de Taís, Guilherme e também por Lucas: impunidade
Familiares e amigos durante manifestação neste sábado pedindo justiça pela morte de Taís, Guilherme e também por Lucas: impunidade

Familiares, parentes e amigos de Taís Madalena Borges, 40 anos, e Guilherme Carlos de Almeida, 28 anos, mortos em um trágico acidente em Franca, realizaram uma manifestação pedindo justiça, na Praça Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade, neste sábado, 11.

O casal morreu após um Gol bater na traseira da moto que estava na noite de 2 de dezembro de 2022, na rodovia Candido Portinari, perímetro urbano. Taís morreu no local, enquanto Guilherme foi a óbito momentos depois de ser socorrido a um hospital. O motorista do carro, Dênis Costa Rios Vergara Pereira, 36 anos, estava embriagado. O teste do bafômetro indicou 1,1 mg/l de álcool no sangue.

Durante a manifestação, as pessoas seguravam faixas escritas: “Justiça. Não foi apenas um acidente – ele assumiu o risco de matar”, “MP faça justiça”, “Você tirou o sonho de dois jovens”, “Foi homicídio doloso”, “Chega de impunidade, até quando”, “Bebeu, dirigiu e matou, é crime – Justiça”.

Os participantes também usavam camisetas com fotos de Taís e Guilherme. Eles fizeram orações em frente à Concha Acústica e uma passeata em torno da grande praça do centro da cidade, sempre pedindo justiça.

A tristeza era clara nos rostos de todos, principalmente nos das mães enlutadas. “Estamos pedindo justiça pela Taís e pelo Guilherme, eram duas pessoas trabalhadoras que estavam lutando na vida, pagavam seus impostos em dia e foram mortos por um irresponsável no trânsito, que estava tonto, embriagado e dirigia em alta velocidade. Ele está solto como se nada tivesse acontecido. Isso é uma injustiça”, disse, chorando, Consuelo Borges, mãe de Taís.

Dênis ficou preso apenas 40 dias. No mês de janeiro, a Justiça de Franca concedeu dois benefícios ao acusado, que é filho do ex-vereador Carlos Vergara. Dia 12 ele teve a prisão temporária revertida para prisão domiciliar, e no dia 31, obteve liberdade provisória.

No campo jurídico, a família do casal vai recorrer da decisão judicial, segundo disse o advogado contratado pelas famílias das vítimas Wanderley Gonçalves Tonin. “A denúncia foi feita por homicídio culposo, mas no meu entendimento ele (Dênis) deveria ser denunciado por dolo eventual. No homicídio culposo, ele pode ser condenado de 5 a 8 anos de prisão e acabar respondendo em liberdade. Agora, no dolo eventual, ele vai responder de 6 a 20 anos de prisão. A intenção é colocá-lo na cadeia. A gente respeita o trabalho do Ministério Público, do promotor, mas vamos juntar provas e provar em audiência que foi dolo eventual”, acredita o advogado, que esteve presente na manifestação.

A manifestação contou também com a presença de parentes e amigos de Lucas Eduardo Honório Miquellaci, de 24 anos, vítima em acidente semelhante em Franca. Lucas dirigia sua moto na rua Hipólito José da Costa, no Jardim Guanabara, na noite do dia 29 de janeiro deste ano, quando foi colhido por um carro Honda Civic, morrendo no local. O responsável, um empresário, pagou fiança e nem chegou a ser preso.

O acusado pela morte de Lucas não realizou teste do bafômetro pagou multa no valor aproximadamente de R$ 3 mil e está livre. Indignada, a família também pede justiça. “Eu não sei nem colocar em palavras o tamanho da dor que estamos sentindo. O Lucas era uma das pessoas que mais gostava de viver. Ele estava no auge da vida, suas coisas estavam começando a dar certo. Ele era músico. Por conta de um irresponsável os sonhos dele se foram e junto com isso, a instabilidade de minha família inteira. Vim aqui, admiro a família de Taís e do Guilherme por estarem fazendo essa manifestação. Eu sei o quanto dói”, disse emocionada Larianea Honório Miquellaci, 19 anos, irmã de Lucas. “Também vamos preparar uma manifestação pedindo justiça. Nada vai reparar a vida que eles tiraram, mas no mínimo eles têm que estar presos”, acrescentou Larianea.

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Comentários

2 Comentários

  • S. Souza 12/02/2023
    Homicídio doloso é quando o autor tem intenção de matar. Quem bebe e dirige quer matar ou somente quer ir a algum lugar? Apesar de incapaz de dirigir adequadamene, quem bebe não quer matar. Há estudos que indicam que usar celular ao volante torna o motorista mais perigoso do que se embriagado. Nesta lógica, quem atropela e fazia uso de celular deveria ser mais severamente apenado do que quem bebe. Como resolver? Lei em que conste que se o condutor estiver embriagado, o homicídio culposo terá pena assemelhada ao do homicídio doloso.
  • Mateus 11/02/2023
    Sinceramente é vergonhoso viver num país com leis que amparam os criminosos, é inaceitável, diariamente motoristas embriagados matam e nada muda. Precisamos de novas leis, e leis severas, o cidadão que bebe e dirige precisa ser penalizado. Carnaval tá aí pra ceifar mais vidas, por que o bêbado que pega o volante depois dos festejos sabe que não vai acontecer nada. PESSOAL DO LEGISLATIVO PRECISA AJUDAR ESSAS FAMÍLIAS, TIVEMOS RECENTEMENTE DEPUTADOS ESTADUAIS E FEDERAIS DA REGIÃO. VAMOS POR A MÃO NA MASSA AI E FAZER ALGUMA COISA. Filho de político também pode morrer no trânsito, ninguém está blindado, pode acontecer com qualquer um. CHEGA DE LEIS BRANDAS! É UMA VERGONHA.