"Estou correndo atrás de casa de aluguel". As palavras de Márcia Joventino da Silva, de 43 anos, retratam o drama vivido por, pelo menos, quatro famílias do Jardim Brasilândia, na zona Leste de Franca.
Após o deslizamento de terra na região no dia 8 de janeiro, a família de Márcia foi levada para um hotel, onde permanece até encontrarem uma nova casa.
"Tem hora que está um pouco difícil. Inclusive, cheguei agora de uma casa que fui olhar. Se Deus quiser, vai dar certo da gente tirar as coisas para mudarmos", disse Márcia.
Márcia ficou surpresa com o resultado das chuvas que atingem a cidade desde o final do ano passado. "Faz sete anos que moro aqui (...) foi a primeira vez que aconteceu".
Segundo a moradora do Brasilândia, a Prefeitura de Franca está arcando com as diárias do hotel e um vale alimentação. Quando a família encontrar uma residência, serão depositados R$ 650 por mês para arcar com o aluguel.
Apesar do amparo recebido, a família - composta por ela, o marido e os filhos - se questiona quando esse pesadelo vai terminar. "A gente fica em cima do muro. Às vezes pode ser coisa rápida, às vezes não. Como vamos prever se vai parar de chover?".
Como está a situação
Equipes da Prefeitura de Franca interditaram temporariamente 14 casas no dia 10 de janeiro. Após laudo da Defesa Civil do Estado de São Paulo, dez imóveis foram liberados e quatro seguem fechados, sendo um da família de Márcia.
A Comunicação da Prefeitura informou que serão realizados serviços emergenciais de drenagem das águas pluviais na região para conter os estragos.
A equipe técnica da Secretaria Municipal de Infraestrutura estuda medidas que deverão ser adotadas a médio e longo prazo. Desta forma, não ficou decidido se o espaço será desinterditado ou desapropriado.
Questionada pela reportagem, a Prefeitura não respondeu quantas pessoas foram impactadas pelo desastre ambiental e se a cidade tem outras áreas com risco de deslizamento de terra.
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Comentários
2 Comentários
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Darsio 29/01/2023Estamos pagando o preço da histórica entrega da política de uso e ocupação do solo aos grupos imobiliários. Não são poucas as áreas que, por condições gemorfológicas, deveriam ser evitadas por conta do tipo de solo e do relevo. Todavia, nada disso importou diante dos interesses pelos lucros, até mesmo porque os custos finais acabam recaindo sobre os moradores e os cofres públicos. Agora, parece que a prefeitura está novamente se inclinando para as imobiliárias que, não escondem o interesse de criarem novos loteamentos na região da bacia do Canoas. Para o capital, a natureza somente possui valor se proporcionar grandes lucros aos seus detentores. Não é por acaso que vivemos uma crise ambiental que ameaça de extermínio grandes parcelas da humanidade. -
Rogerio 28/01/2023Achei que a predeitura nao estava parando essa familia. O titulo davreportagem sugere isso.