“O Natal este ano vai ser maravilhoso”, garante Maria de Fátima Borges, de 69 anos. A francana, mesmo na luta contra o seu segundo câncer, não se deixa desanimar, e a possibilidade de comemorar com a família já é motivo suficiente para a alegria. Há sete anos, dona Maria enfrenta a doença – todos eles com sorriso no rosto.
Aos 62 anos foi surpreendida com um diagnóstico de câncer no seio e, depois de dois anos de tratamento, sessões de quimioterapia fortíssimas, dores e rotina intensa de hospital, Maria de Fátima recebeu alta. No entanto, antes mesmo que pudesse comemorar a vitória sobre o câncer, veio mais um diagnóstico dias depois: câncer no fígado.
“Não me assustei. Falei: ‘É câncer, doutor?’. Ele disse que sim e eu respondi: ‘Ah, tá bom, vamos para o tratamento então”, contou Maria. “Eu tenho muita fé, se Deus colocou isso na minha vida é por um propósito. Essa é uma doença para os fortes, não é para fraco não”.
E foi acreditando que era forte que a idosa, mãe de três filhos e avó de um neto, superou cada um dos dias ao longo dos últimos sete anos de tratamento. Do seu grupo de colegas no Hospital do Câncer - aproximadamente 20 mulheres -, só Mária de Fátima ainda está viva. “Por isso eu acho que Deus tem uma proposta muito boa na minha vida. Inclusive, tudo o que sei até hoje eu aprendi nestes últimos sete anos. Tudo com o câncer”.
O principal, segundo Maria, foi entender que existe um dia de cada vez. Por isso, ela acorda com uma injeção de ânimo todas as manhãs e vai dormir com o coração agradecido. O Natal, uma das datas mais especiais do ano, era visto apenas como uma data religiosa para a idosa, que participava na igreja, mas não sentia que era diferente de outras datas no convívio social. “Passava como um dia comum. Só passei a dar valor ao Natal nos últimos sete anos. Estar com a minha família e a vontade de viver são o suficiente para ser incrível”.
Durante a rotina de tratamento, grande parte dos dias a idosa frequenta a casa de apoio do Iansa (Instituição de Apoio Nossa Senhora Aparecida), que recebe acompanhantes e pacientes de câncer em Franca. O ambiente se tornou uma casa onde, além de toda assistência, ainda criou grandes amigos.
Iansa
A história de Maria de Fátima tem muito em comum com a de Eliane Aparecida Bonine, a fundadora da casa de apoio. Aos 43 anos, Eliane descobriu um câncer de mama e, antes mesmo de pensar no tratamento, a vontade de criar um projeto veio à cabeça.
“No começo, é um balde de água fria. Quando você recebe um diagnóstico de câncer, você assusta, você acha que que vai morrer. Pensei nas minhas filhas, que tinham 10 e 13 anos na época, ainda muito dependentes, e o baque é muito grande. Mas depois eu acalmei eu falei: ‘Deus tem um propósito e eu vou descobrir qual é’”, falou Eliane.
Mais de dez anos depois, já curada da doença, o propósito se solidificou em uma instituição que atende centenas de pessoas. O Iansa oferece refeições gratuitas diariamente, acolhimento às pessoas em tratamento, hospedagem gratuita, atendimento multidisciplinar, empréstimo de equipamentos hospitalares e outros serviços.
O tratamento de Eliane durou um ano e, ao seu término, já existia a casa de apoio, toda equipada e regularizada. “Acho que o que me fez vencer o câncer foi essa iniciativa, porque eu esqueci da doença e comecei a focar em outras coisas. Não foi fácil. Eu sofri. Fiz oito sessões de quimioterapia, 33 radioterapias, fiquei careca, passei dores insuportáveis que as pessoas nem imaginam, mas foi tão assim esperançoso. Acho mesmo que a casa foi me motivando”.
Mesmo com um ano de baixas doações - o primeiro em que a própria instituição teve que comprar alimentos -, houve a distribuição de centenas de cestas de Natal aos assistidos pela casa de apoio, além do almoço especial em comemoração à data com a presença dos pacientes, seus familiares e funcionários do Hospital do Câncer.
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Comentários
2 Comentários
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Tercilia Vieira Queiroz Beloti 25/12/2022Maria de Fátima, mulher forte, amiga de todas as horas, maravilhosa... de fé inabalável. Merece vida e com alegria. Meu carinho é respeito, sempre. -
Marisa Helena Bovo Inacio 24/12/2022Conheço e tenho o privilégio de conviver com a Fátima...exemplos de vida...de fé..de luta...de muito amor...