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Cafeicultor da região mostra dia a dia na lavoura e conquista público fiel na internet

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Reprodução
O cafeicultor Rafael Stefani é o responsável pela página Café no Brasil, com mais de 100 mil seguidores
O cafeicultor Rafael Stefani é o responsável pela página Café no Brasil, com mais de 100 mil seguidores

Nem sempre um influencer digital está ligado à moda, maquiagem, eventos ou coreografias do momento. Através da telinha do celular, muitas pessoas levam informação de qualidade e de forma descontraída. Uma delas é o de Rafael Stefani, de 35 anos, cafeicultor nascido e criado em Ribeirão Corrente, cidade vizinha de Franca.

Desde muito novo, Rafael foi se familiarizando com a zona rural, mas nem sempre foi por vontade própria. O pai e o tio, depois de trabalhar como empregados em outras propriedades, inclusive no corte de cana, arrendaram o primeiro pedaço de terra. Foi este o contato inicial de Rafael com a “roça”.

“Desde pequeno ele levava a gente para poder ajudar, porque não tinham condição nenhuma mesmo e a gente ia para ajudar. Isso acabou me privando de brincar com os meus amigos, não podia ir porque tinha que ir para roça. Acabei crescendo com a mentalidade de que não gostava daquilo. Pensei: ‘eu quero estudar, trabalhar de segunda a sexta, e no ar-condicionado’”, falou Rafael.

Foi com esse pensamento que se formou em Administração de Empresas, mas ainda dentro da faculdade já percebeu que não era aquilo que gostava, de fato. Depois de formado, Rafael trabalhou por seis meses em um banco e voltou para trabalhar nas terras da família, que já tinham se expandido.

“Voltei a trabalhar com o meu pai e voltei amando. Passei a enxergar aquilo de outra maneira. Ter tido essa experiência me mostrou o quanto eu era feliz e não sabia.”

Em 2014, o perfil do Café no Brasil entrou na vida de Rafael. A página no Instagram já existia e tinha o objetivo somente de repostar foto de cafés e lavouras de cafeicultores no país. Rafael era um de seus quase cinco mil seguidores e começou a notar, de repente, as publicações pararam.

“O dono era um rapaz de Minas Gerais. Eu seguia e acompanhava a página, mas percebi que ele tinha parado de publicar. Foi aí que mandei uma mensagem perguntando o porquê do sumiço e ele me disse que ia parar, já que não estava conseguindo conciliar com os estudos mais”, contou Rafael. “Falei o seguinte: ‘cara, se você me passar a página eu continuo fazendo esse trabalho’”. E foi aí que um novo negócio começou.

Inicialmente Rafael seguia o mesmo formato que o criador da página: apenas publicava fotos de cafeicultores do Brasil. No entanto, com o crescimento do perfil, os seguidores começaram a se interessar e ter curiosidade sobre quem era que administrava a página. Depois de contar que também era um cafeicultor, as cobranças – no bom sentido – pipocaram.

“Pediam para mostrar minha lavoura e o dia a dia no campo. Eu não fazia, porque não era a intenção mesmo. Mas foi só crescendo essa curiosidade, pessoal pedindo para aparecer nos stories, e aí decidi mostrar algumas coisas, mas sem aparecer. Eu falava, mas não aparecia. Ainda assim queriam ver o rosto de quem estava por ali. Quando apareci a primeira vez, não parei mais. Passei a mostrar o meu dia-dia e acabou virando esse lado influenciar, que eu nem tinha o objetivo.”

Com um “boom” de seguidores na pandemia, o sucesso do Café no Brasil não parou e hoje são mais de 100 mil seguidores acompanhando diariamente a rotina com a terra e o café. Rafael, mesmo com muita experiência, se recusa a dar informações técnicas, já que não é agrônomo. Apesar disso, acompanha o mercado do setor diariamente para dar informações ao seu público fiel e conta com a ajuda de grandes entendedores do setor para criar conteúdo.

“As maiores empresas do Brasil, que estão na área da cafeicultura fazem publicidade comigo, e acabou que virou um negócio. Hoje se eu quisesse viver disso, eu viveria tranquilamente”, falou o cafeicultor.

Um grande diferencial para atrair os seguidores é a região onde Rafael está: a Alta Mogiana. Segundo ele, a região conta com muita tecnologia e informações que não são a realidade de outros cafeicultores. Uma única ferramenta usada no manejo do plantio pode despertar a curiosidade do seguidor.

“O que eles mais buscam é entender a forma que eu trabalho aqui. O meu operacional, para eles, é o que mais interessa. Às vezes estou fazendo uma coisa que é super natural, mas que eles nunca viram, então eles buscam informação nesse sentido: saber o produto que eu uso, ferramentas, marca... Fico indignado. Passa um tempo, eles vêm e falam que comprou aquilo que eu estava usando. É uma confiança muito grande.”

E foi com essa confiança que Rafael passou a compartilhar não só a rotina na fazenda, mas momentos com a família, amigos e até mesmo os passeios fora do campo. A internet virou uma grande paixão e a meta e continuar investindo na rede, sobretudo com humildade: “respondo todos, mesmo que leve duas horas. Sou muito feliz com isso”.

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Comentários

2 Comentários

  • Renato Martins Botinas Cidade & Sertão 17/12/2022
    Parabéns pelo seu trabalho! põe o coração em oque está fazendo sem contar ser muito atencioso
  • Anonimous 17/12/2022
    Boa matéria, sucesso ao cafeicultor !!