Sem dinheiro, 25 mil francanos migram para o SUS e levam PSs à beira do colapso.
40 pacientes estão em PSs à espera de transferências para hospital, mas não há vagas.
Se você acompanha o portal GCN, possivelmente leu estes títulos. As reportagens, que foram publicadas nos meses de junho e agosto deste ano, são apenas exemplos de várias que mostram as dificuldades vividas pela população. Franca completa 198 anos nesta segunda-feira, 28 de novembro, e a rede pública de saúde continua sendo o seu grande "tendão de Aquiles".
Quem nunca escutou reclamações sobre a demora no atendimento em prontos-socorros e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) ou sobre a falta de leitos em hospitais públicos da região? Estes e outros problemas já existiam nas administrações passadas, mas, com os impactos causados pela pandemia do coronavírus, a situação se agravou ainda mais.
Não é para menos. De março de 2021 até junho de 2022, mais de 25 mil pessoas deixaram os convênios particulares e migraram para o Sistema Único de Saúde (SUS) em Franca. Segundo a secretária municipal de Saúde, Waléria Mascarenhas, são pacientes que nunca passaram por uma UBS (Unidade Básica de Saúde), UPA ou PS e agora são atendidos na rede pública.
O resultado desta conta, a população enxerga diariamente. No mês de setembro, 28.809 pacientes foram atendidos no Pronto-socorro Adulto "Dr. Álvaro Azzuz", 11.382 crianças no PS "Dr. Magid Bachur Filho", 15.377 na UPA do Jardim Aeroporto e 11.213 pessoas na UPA do Jardim Anita. Quando somados, as quatro unidades totalizam 66.781 atendimentos – uma média de 2.226 chamados por dia.
Apesar de o mês de outubro não ter acabado, o número de atendimentos já se aproxima ao contabilizado em setembro. Ao todo, 63.533 chamados foram registrados entre o dia 1° e a última quinta-feira, 24.
Na última sexta-feira, 25, 21 pessoas estavam registradas na Croos (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) aguardando a liberação de vagas em hospitais públicos.
Além dos impactos causados pela pandemia, Franca enfrentou ondas de casos de gripe e de dengue. Neste ano, até a última quinta-feira, 24, foram 7.034 infecções causadas pelo mosquito Aedes aegypti.
E o Hospital Estadual?
A solução para o caos vivido na rede pública de saúde, pelo menos para os políticos, tem nome e sobrenome: Hospital Estadual de Franca. A obra foi anunciada pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB) durante visita realizada no dia 4 de abril deste ano.
Antes mesmo de o primeiro tijolo ser assentado, a construção já ganhou capítulos dramáticos e pautou discussões durante as eleições deste ano, principalmente após a derrota nas urnas de Garcia já no primeiro turno. Com Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo estadual no segundo turno, os paulistas optaram pelo candidato bolsonarista, que prometeu durante a campanha dar continuidade na obra tucana.
Os francanos precisaram se "contentar" com a promessa feita por Tarcisio e agora aguardam o início da construção. O lançamento da obra do Hospital Estadual está marcado para as 9 horas desta quarta-feira, 30, com a presença confirmada do governador Garcia.
O projeto prevê mais de 31 mil metros quadrados em um terreno na avenida São Vicente, na zona Sul da cidade. Serão poucos mais de 200 leitos, e o prazo para conclusão é de três anos. O investimento é de R$ 149,8 milhões.
Em entrevista exclusiva concedida ao programa A Hora É Essa!, da rádio Difusora, na última quinta-feira, 24, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) disse que o hospital proporciona um "alento" na saúde. "Uma possibilidade de termos aí por 15 a 20 anos as nossas necessidades supridas sem dúvida alguma de Franca e região".
Novo NGA
Não é só de Hospital Estadual que vive o planejamento para a saúde pública da cidade. A Prefeitura pretende investir em torno de R$ 35 milhões na construção de um novo NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) na avenida Jaime Telline, na zona Leste. Deste total, R$ 15 milhões vieram de emendas impositivas dos vereadores da Câmara Municipal de Franca.
O projeto está sendo finalizado para o orçamento entrar em votação na Câmara Municipal. Após ser aprovado, será aberta a licitação de contratação de uma empresa para realização da obra.
Novo pronto-socorro descartado?
Alexandre Ferreira foi incisivo ao dizer que Franca tem outras "prioridades" antes da construção de um novo pronto-socorro. Neste momento, o foco é no Hospital Estadual, NGA e outras três UBSs, localizadas no Jardim Parati, bairro City Petrópolis e no Residencial São Domingos. As três unidades totalizam R$ 7,1 milhões em investimentos.
"A gente dá uma desafogada no corpo, porque a maioria dos problemas vão ser resolvidos nas unidades básicas", disse o prefeito.
Apesar de não estar no planejamento neste primeiro momento, a administração já "escolheu" uma região para abrigar um novo PS. "Se você pensar que a UPA do Aeroporto atende a região Sul da cidade, o 'Álvaro Azzuz' (recebe as zonas) Norte e Centro, e a UPA do Anitta a região Oeste, temos na Leste um descoberto, (...) provavelmente um novo pronto-socorro, quando vier, deve ser construído perto da região Leste".
Faltam médicos?
Ainda segundo Alexandre, Franca não carece de profissionais na área. "Tem muito médico, muito enfermeiro, muito técnico e de qualidade (...) a gente contratou nesses últimos 10 meses quase 300 novos profissionais para a saúde".
Franca completa 198 anos, e a população aguarda dias melhores na saúde pública como presente.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
2 Comentários
-
Darsio 29/11/2022Não deixa de ser hilária essa contradição de volumosos investimentos na saúde concomitante com uma realidade em que nem vagas de internação o município´pio consegue atender. Outro aspecto que nos chama a atenção é o fato de que a maioria dos francanos é realmente ignorante, leiga e politicamente analfabeta. Afinal, se muitos deixaram de ter planos particulares, foi por maior precariedade nas finanças de suas casas e nos absurdos aumentos concedidos pelo governo para beneficiar as empresas. Mas, mesmo assim votaram no maior responsável por essa tragédia, aquele que minguou ainda mais os recursos dos SUS. E, não adianta vir com a desculpa de que não tinham opções, num cenário em que tínhamos Simone Tebet, Ciro Gomes e tantos outros nomes. Votaram sim por burrice e, agora sugiro que façam arminha. Façam que dói menos. Aliás, vou me esconder, pois uma tropa do exército venezuelano acaba de passar pela rua da minha casa. A cidade está cercada pelos venezuelanos. Meu Deus do céu! Ajude-nos!!! -
Daniel 28/11/2022que comparaçao LAMENTAVEL