DISCRIMINAÇÃO

Estudante denuncia racismo em campeonato na Unifran: 'Vai errar, sua macaca'

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/GCN
Campus da Unifran, no bairro Parque Universitário, região Sul de Franca
Campus da Unifran, no bairro Parque Universitário, região Sul de Franca

Uma jovem de 20 anos ainda está abalada com uma situação de racismo que diz ter sofrido na noite dessa quinta-feira, 13, durante uma partida de handebol no campus da Unifran (Universidade de Franca). O jogo faz parte do InterUnifran, um campeonato entre cursos da universidade.

A partida era disputada entre as equipes de Educação Física e Medicina, quando por volta das 21h, a jovem que está cursando o último ano de Educação Física e faz parte da equipe, teria ouvido da torcida da medicina o insulto preconceituoso.

"Vai errar, sua macaca". Essa é a frase que a universitária diz ter ouvido. “Eu olhei pro lado da torcida, e não consegui ver quem falou, porque estava muito lotado. Continue jogando, depois chamaram novamente”, disse a jovem. Segundo ela, quando o primeiro tempo acabou, ela comunicou a direção do campeonato, que ficou de verificar e tomar as medidas cabíveis.

A suspeita é que tenha sido um homem que estava entre a torcida da medicina.

"Fiquei chateada e com medo, porque as meninas da Medicina vieram me questionar se realmente eu ouvi isso, a palavra 'macaca'", acrescentou a estudante, que teria retrucado afirmando que não tem como confundir a palavra "macaca" com outra parecida.

Com a revolta, as meninas da Educação Física, time da jovem que teria sofrido o racismo, se recusaram a voltar para jogar o segundo tempo, e a partida foi encerrada. Ainda não há previsão de remarcação do jogo.

A estudante disse que a equipe organizadora do InterUnifran ficou de dar uma posição sobre o caso e que poderia multar a atlética da Medicina em um salário mínimo, porém, ela alega que nada foi feito até o momento. Uma equipe de seguranças da Unifran também foi comunicada sobre o caso.

A jovem, que não se considera negra, mas tem o cabelo cacheado, disse que mesmo que fosse não é motivo para ser vítima de racismo. "Não existe isso", finalizou. Ela ainda está assimilando o que aconteceu e estuda, junto com a mãe, um possível registro do Boletim de Ocorrência.

No Instagram, a Atlética da Medicina da Unifran fez um post afirmando ser contra qualquer ato de cunho racista e que não tolera qualquer atitude que fere a integridade física e moral de qualquer pessoa.

Em nota, a Unifran informou que "repudia quaisquer atos discriminatórios ou de constrangimento e que, constatada qualquer conduta inadequada, medidas disciplinares de acordo com Regimento Interno serão tomadas".

Sobre o caso, a universidade disse que está instaurando sindicância para apuração dos fatos e está à disposição para acolher a aluna.

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Comentários

5 Comentários

  • Artur 15/10/2022
    Isso em Franca??? Não é possível
  • Maria 14/10/2022
    Não é a primeira e muito menos será a última vez em que alunos da medicina se comportaram desta forma, e não me refiro somente a Unifran, mais sim ao curso em si, que em sua maioria é composta principalmente em universidades particulares por uma elite, majoritariamente branca que ao longo de sua linhagem e história se enriqueceu devido a escravidão, é realmente uma vergonha saber que esses serão profissionais que irão cuidar de pessoas, é aterrorizante pensar que meus filhos, ou pessoas próximas a mim podem no futuro ser atendidas por profissionais racistas e preconceituosos, que na verdade não dão a mínima para a população, não exercem o seu real papel de cuidar, espero que medidas sejam tomadas, e para essas pessoas que estão mentindo e dizendo que a menina se confundiu ou ninguém ouviu o que pronunciado, aprendam que quem bate esquece, mas quem apanha não, é por posicionamentos irresponsáveis como estes, de uma autoridade desigual que muitas pessoas hesitam em denunciar, porque o outro sempre irá ter desculpas para não assumir sua culpa, saiam de suas caixinhas de privilégios e respeitem o próximo ou lidem com as consequência com a mesma coragem que possuem para ter atitudes horrendas e deploráveis como esta
  • Maria 14/10/2022
    Não é a primeira e muito menos será a última vez em que alunos da medicina se comportaram desta forma, e não me refiro somente a Unifran, mais sim ao curso em si, que em sua maioria é composta principalmente em universidades particulares por uma elite, majoritariamente branca que ao longo de sua linhagem e história se enriqueceu devido a escravidão, é realmente uma vergonha saber que esses serão profissionais que irão cuidar de pessoas, é aterrorizante pensar que meus filhos, ou pessoas próximas a mim podem no futuro ser atendidas por profissionais racistas e preconceituosos, que na verdade não dão a mínima para a população, não exercem o seu real papel de cuidar, espero que medidas sejam tomadas, e para essas pessoas que estão mentindo e dizendo que a menina se confundiu ou ninguém ouviu o que pronunciado, aprendam que quem bate esquece, mas quem apanha não, é por posicionamentos irresponsáveis como estes, de uma autoridade desigual que muitas pessoas hesitam em denunciar, porque o outro sempre irá ter desculpas para não assumir sua culpa, saiam de suas caixinhas de privilégios e respeitem o próximo ou lidem com as consequência com a mesma coragem que possuem para ter atitudes horrendas e deploráveis como esta
  • Matheus 14/10/2022
    Esperar o que do grupinho da Medicina? Mesmo se fosse identificado, o papai chegava pra resolver!
  • Anonimo 14/10/2022
    Para denuncia séria igual essa, precisaria ter feito BO e ter mais certeza do que ouviu, sendo que ninguem da arquibancada escutou nada do tipo e nem mesmo as atletas do mesmo time em quadra. Acho muito mais provável ter ouvido algo parecido e deduziu isso!
    • Osmar Motta 14/10/2022
      E o passador de pano para racista nojento ataca outra vez !!
    • Caique Rodrigues 14/10/2022
      Falar asneira no anonimo é muito fácil, precisava mesmo é da própria torcida ter repreendido o ato e até mesmo pedir pra quem falou se retirar. Mas ninguém tem peito suficiente pra dar a cara e expor, alguns se retiraram após o ocorrido e nada foi feito. Só mostra que quem ficou é igual, porque \"passa pano\" pra racista e ainda querem descredibilizar a vitima. É ser muito \"baixo\" para não usar outro tipo de palavra