COLOSSUS

PF e Receita fazem operação em Franca contra lavagem 'bilionária' de dinheiro

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PF
Agentes da Polícia Federal, durante a operação desta quinta-feira
Agentes da Polícia Federal, durante a operação desta quinta-feira

A Polícia Federal e a Receita Federal realizaram na manhã desta quinta-feira, 22, a operação Colossus, contra os crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os mandados de prisão, busca e apreensão foram feitas em 14 cidades, incluindo Franca.

De acordo com a Polícia Federal, os crimes foram praticados entre 2017 e 2021, e descobertos após um relatório de inteligência financeira, que teve acesso a movimentações bancárias suspeitas envolvendo a negociação de criptomoedas. Os suspeitos se dividiam em grupos para praticarem o crime - arbitradores; exchanges e empresas de fachada. 

“O grupo dos arbitradores era responsável pela aquisição de grandes quantidades ativos virtuais no exterior, em países como Estados Unidos da América, Cingapura e Hong Kong, e a sua venda no Brasil. Para tanto, foram realizadas remessas de valores para o exterior na ordem de mais de R$ 18 bilhões”, afirmou a Polícia Federal.

Ao todo foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva; 37 de busca e apreensão para 22 pessoas físicas e 15 de pessoas jurídicas. Entre as pessoas jurídicas, estão seis exchanges - plataforma digital onde se negocia criptomoedas, como bitcoin -, três escritórios de contabilidade e quatro instituições autorizadas pelo Banco Central a operar no mercado de câmbio.

“O grupo das exchanges era responsável pela compra dos ativos virtuais dos arbitradores e a sua revenda para pessoas físicas e jurídicas, com fortes indícios de envolvimento em ilícitos antecedentes”, continuou a Polícia Federal.

Além de Franca, os alvos estavam nas cidades paulistas de São Paulo, Guarulhos, Campinas, Santo André, Mogi das Cruzes, Barueri; e também em Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Caxias do Sul (RS), Recife (PE) e Curitiba (PR).

Na ação da PF, foi determinado o bloqueio de R$ 1 bilhão em bens e valores dos investigados.

“O grupo formado por empresas de fachada que adquiriam os criptoativos das exchanges tinha a finalidade de lavagem de dinheiro. Chama atenção o fato de, dentre os clientes dessas, existirem pessoas mortas, beneficiários de programas assistenciais, idosos com mais de 90 anos de idade, doleiros, contrabandistas e comerciantes de bairros de comércio popular de diversas cidades do país, em especial do Brás e da 25 de Março, em São Paulo”, informou a PF, em nota.

Investigação
Durante as investigações, foi descoberto que um único contador era responsável por mais de 1,3 mil empresas sediadas no comércio popular de São Paulo, a maioria de fachada. “Durante o período investigado, as empresas administradas por esse contador movimentaram, aproximadamente, R$ 1 bilhão com os arbitradores e as exchanges investigadas”.

Outras operações policiais foram feitas durante o período da investigação e, quando eram deflagradas, as empresas de fachadas eram fechadas e novas empresas eram abertas. Ainda segundo a PF, há casos de empresas de fachada que já estão na terceira geração.

A suspeita é que em quatro anos o grupo tenha movimentado mais de R$ 61 bilhões através do sistema bancário formal.

“Devido à regulação atual e à falta de controle mais efetivo, os investigados revenderam ativos virtuais a pessoas físicas e jurídicas interessadas em lavar valores oriundos de crimes. As investigações apontam que, durante os anos de 2017 e 2019, os ativos virtuais preferidos pelos investigados, para fins de ocultação de valores e/ou remessa para o exterior eram o Bitcoin. Porém, devido à sua grande volatilidade, a partir de 2020, a bitcoin foi substituído por outros ativos virtuais pareados a moedas estrangeiras como o dólar americano, denominados de stablecoins, cuja variação de valor é menor”, informou a Polícia Federal.

Os investigados responderão por evasão de divisas, lavagem de dinheiro a associação criminosa, dentre outros crimes, cujas penas máximas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

5 Comentários

  • Wanderson 22/09/2022
    Nomes para variar não aparecem na matéria, os nomes dos integrantes do PCC tbm não foram revelados. Ai fica difícil
  • rui 22/09/2022
    O preso tem uma caminhonete. Nela tem um adesivo. Advinha de quem ?????
  • Darsio 22/09/2022
    Esses são certamente os bolsominions que se enriquecem sonegando, lavando dinheiro e, que se acham no direito de denegrir os candidatos de oposição ao bozo. São homens de família, de Deus e patriotas. Cadeia para esses criminosos e já!!
  • Mascarenhas 22/09/2022
    Vixi, Franca ta virando uma segunda \"Brasilia\". Se gritar pega ladrao, nao fica um, meu irmao!!!!
  • José Roberto 22/09/2022
    O povo que acredita nestes blogueiros, vlogueiros, influencers, tiktokers e acham que dinheiro vem fácil. Sofrem golpes e mais golpes dos golpistas. criptomoeda é dinheiro sem lastro.