Moradores do Jardim São Francisco, em Franca, se encontram insatisfeitos com a atual situação do ponto de ônibus da avenida Primo Meneghetti, próximo à casa de rações e um supermercado. No ponto, que é coberto e com um terreno relativamente grande e vazio atrás, a moradora em situação de rua Telma Cristina, 46 anos, se apossou do local e agora faz um tipo de “bazar” de roupas e outros itens.
Em entrevista com a moradora, seus argumentos são que não havia outro lugar perto o suficiente, já que ela mora ao fundo do terreno, onde montou uma barraca. “Estou sem estrutura para poder trabalhar. Não tenho como comprar”, explicou Telma, para justificar a ocupação do ponto de ônibus.
Os moradores se encontram insatifeitos, de acordo com eles. O bazar "enfeia” o bairro e deixa o ponto de ônibus inutilizável, já que os cachorros da vendedora ficam por perto e ameaçam quem passa por perto, Telma nega. “Xitara e Pitoco, eles são mais que a minha vida. Podem ser chatos às vezes, mas nunca morderam ninguém”, disse.
Seus produtos são os mais variados. Vão de roupas a utensílios variados, como carregador, brinquedos, perfumes, entre outros. O preço não passa de R$ 15. “Tudo aqui eu vendo de 50 centavos a R$ 15. Com um mês que montei isso já consegui juntar R$ 70, e vou guardar eles, porque quero sair daqui dessa vida”, disse a moradora de rua, ao relatar seu sonho de conseguir sua própria casa.
Telma consegue seus itens através de doações e pelo marido, que é catador de recicláveis. Nesta quinta-feira, 1º, uma mulher passou de carro e deixou duas grandes sacolas pretas com várias peças de roupas além de calçados. “Está vendo? Tudo isso aqui vou vender por no máximo uns R$ 10”, falou, apontando para os itens.
Telma Cristina mora junto com o marido na barraca improvisada. Tem três filhos, sendo duas gêmeas de 26 anos e um homem de 23 anos. As gêmeas, ela diz morarem em Franca, nas suas próprias casas e casadas. Já o outro filho vive em outro lugar do Brasil “de forma mais tranquila e responsável”, segundo ela.
“Eu passo muito dificuldade. Fui usuária de crack por muito tempo, agora estou sem usar, faz dois meses. Não fumo mais, não bebo mais. Estou tentando ajeitar a vida”, relata a moradora de rua. Segundo ela, já conversou com pessoas da Prefeitura de Franca para tentar uma situação melhor. “Falei com um pessoal aqui faz uma semana com umas pranchetas e tentei me cadastrar em alguns programas. Estou aqui fazendo o bazar, mas é para tentar mudar de vida”, finalizou.
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