INCLUSÃO

'Emprego Inclusivo' promove inclusão pelo trabalho a atendidos da Apae

Por Gabriel Garcia | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/Apae Franca
Eduardo, Iane e Caique são atendidos pela Apae Franca e participam do Emprego Inclusivo
Eduardo, Iane e Caique são atendidos pela Apae Franca e participam do Emprego Inclusivo

Medo, receio, preocupação e muitos outros sentimentos são levados em consideração quando a pessoa portadora de deficiência intelectual busca por emprego. Muitas vezes, as “amarras do preconceito” as prendem, mas a Apae de Franca, através do projeto “Emprego Inclusivo”, busca mudar esse cenário.

Eduardo Francisco, um jovem alto, sorridente e que faz questão de mostrar sua gratidão, conquistou seu primeiro emprego agora, aos 23 anos, como Jovem Aprendiz, através do projeto de emprego inclusivo da Apae. “No começo, tive medo, achei que não entenderiam, senti um pouco de vergonha e medo. Vergonha da minha dificuldade em falar e medo de não terem paciência comigo”, explica Eduardo.

Para o rapaz, sua deficiência intelectual dificultaria sua vivência no ambiente de trabalho, mas com a ajuda de tantos projetos e preparações, sua coragem resultou em grande êxito. Ele trabalha no setor de almoxarifado, onde separa produtos, contabiliza itens nas prateleiras e ajuda na organização de alimentos para cozinheiros do local de trabalho. “Todos me tratam muito bem. Queria ficar aqui, eu me sinto muito bem”, enfatiza o jovem.

Além da vontade de realizar sua rotina, Eduardo se mostra inclinado a investir ainda mais em seu futuro. “Eu tenho um sonho de comprar um carro, quero muito. Além disso, abrir minha empresa de marketing”, finalizou.

O jovem aprendiz Caique é recepcionista do setor de marketing da Apae de Franca. Ele tem 28 anos e mora com a namorada, de 27 anos, que também é PCD. Caique é pai de dois filhos, Luís Miguel, de 5 anos, e Gustavo Henrique, de 2, frutos de outro relacionamento.

“Trabalho aqui na Apae. Antes fazia bicos, como segurança e no trenzinho alegórico do Centro”, disse Caique, ao explicar como fazia antes para pagar a pensão de seus filhos. “Quando pego eles, tento ficar mais dentro de casa. Como eu tenho um videogame, a gente fica jogando bastante”, explicou. Caique fica com os filhos em semanas alternadas, de sexta a domingo.

Sendo um claro exemplo de luta, Caique já realizou diversos serviços em várias áreas para manter sua conduta de vida. “É muito difícil às vezes, mas eu sempre quero trabalhar”, enfatiza o recepcionista.

Agora em local controlado e supervisionado, ele não mais precisa se sujeitar a ambientes opressores e preconceituosos com pessoas deficientes. Para ele, o preconceito com deficientes intelectuais sempre existiu, ainda mais em seu local de trabalho, mas isso não o fazia menos capaz. Pelo contrário, ele se mostrava totalmente capacitado para suas posições de serviço.

“No começo (início de outros trabalhos) sim, me chamavam de doido da Apae. Mas nunca fui de dar ouvidos. Com o tempo, passei a ser chamado pelo nome, me tratavam com respeito”, relatou sobre experiências passadas.

Para ele, manter sua casa, ver seus filhos, trabalhar mais e criar um futuro são o seu objetivo. Com os programas da Apae, passou a conquistar muitas coisas em sua vida. “Sei que algumas vezes, eu fugi daqui. Mas espero dar certo aqui, eu quero”, brincou Caique.

Além de recepcionista e pai, Caique agora faz parte da equipe de atletas da Apae Franca, tendo como foco o time de basquete, que saiu vitorioso no último campeonato. “Tive um pouco de medo de entrar, foi a minha primeira vez. Fiquei ansioso”, finalizou

A também jovem aprendiz Iane tem aspectos parecidos com Caique. Aos seus 38 anos, já divide as responsabilidades de gerir uma casa com seu namorado, Thiago. Trabalha com notas fiscais dentro da Apae Franca. “Já faz um ano que estou trabalhando. Na Apae, estou desde pequenininha”, explica Iane.

Sendo seu primeiro trabalho, ela confessa ter sentido receios. “Fiquei com medo. Meu primeiro emprego, meu primeiro trabalho... Tenho vontade de acabar o Jovem Aprendiz e trabalhar no mercado”, explicou ela.

O sonho de Iane é ser registrada, trabalhar nas reposições e no caixa para guardar as compras nas sacolas, nos mercados. “Eu cuido de mim mesma, eu compro minhas coisas, roupa, sapato, fico feliz de receber, sim. Ter um dinheirinho é bom pra mim”, finaliza.

Emprego Inclusivo
O projeto Emprego Inclusivo surgiu através de uma iniciativa da Apae de Franca, no intuito de inserir no mercado de trabalho e trazer dignidade às pessoas que possuem deficiência intelectual. Atualmente são 68 pessoas beneficiadas pelo projeto.

Vanessa Tristão, assistente social da Apae, trabalha diretamente com essas pessoas. O objetivo é educar esse público, para que não sejam abusados no ambiente de trabalho.

Na Apae, as pessoas com deficiência recebem atendimento nas áreas de educação, saúde e serviço social. E, quando a educação verifica que o atendido já chegou à idade e tem condições para o trabalho, ele já é encaminhado para a assistência social. Depois cabe à assistência social a formação profissional e encaminhamento para alguma empresa.

“Sobre o mercado de trabalho, quando começa a idade de poder trabalhar, como jovem aprendiz, a partir de 14 anos e com 16 anos em algumas funções, começamos a olhar para os meninos para essa inclusão”, diz Vanessa.

“Nós os preparamos, através do atendimento. Alguns vêm de segunda a sexta-feira, e eles fazem um percurso aqui, bem direcionado ao mercado de trabalho. Outros grupos vêm apenas uma vez por semana, aqueles que já têm alguma autonomia, já trabalharam mas estão fora do mercado de trabalho. Como eles vêm apenas uma vez, e a gente sempre trabalha habilidades e competências para o mercado de trabalho”.

“O que a gente vai trabalhar é a questão da deficiência mesmo, porque muitas vezes eles não conseguem entender que tem a responsabilidade de horário, como funciona as questões trabalhistas, quando se vai ao médico, questões de registro”, explica a assistente social.

A Apae faz o acompanhamento na preparação, trabalha com encaminhamento e ajuda no currículo, e também faz todo o acompanhamento pós-contratação. Tudo isso para que eles conheçam e descubram seus potenciais em cada aspecto. “E se eles tiverem alguma dificuldade, então entramos em ação”, finalizou Vanessa.

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