Só no último fim de semana, 40 pacientes estavam no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” à espera de uma vaga de internação em ambiente hospitalar. A Santa Casa de Franca, único hospital de referência da cidade, opera com todos os leitos ocupados há pelo menos três meses, e a cada lotação nas unidades de emergência a situação se torna ainda mais preocupante.
Foi de olho neste colapso já instaurado na Saúde de Franca que a Câmara Municipal realizou na manhã desta segunda-feira, 22, uma audiência pública para discutir entre vereadores e representantes do setor uma alternativa aos pacientes.
Participaram da audiência o diretor do DRS (Departamento Regional de Saúde) Lucas Garcia Mingoni, o administrador da Santa Casa de Franca, Thiago Silva, a secretária municipal de Saúde, Waléria Mascarenhas, e, à frente da reunião, os vereadores Marcelo Tidy (União) e Gilson Pelizaro (PT).
Waléria Mascarenhas relatou a tensão de estar à frente dos serviços de urgência e emergência, que são os que acolhem os pacientes que precisam de vaga. Apesar de não ser o ambiente ideal, a secretária afirmou que no pronto-socorro é oferecido o atendimento necessário à população.
“Todos os protocolos que são seguidos na Santa Casa, esses mesmos protocolos e com as mesmas medicações se dá início nos pronto-socorros, mas é tenso. Meus fins de semana são tensos, principalmente quando existem 30, 40 pessoas reguladas”, disse.
O administrador da Santa Casa apresentou estudos atualizados sobre a situação da instituição, que atualmente conta com 280 leitos. Segundo Thiago Silva, a Santa Casa precisaria aumentar o aporte para R$ 12 milhões por ano e abrir mais 50 leitos para atender à demanda reprimida.
"Enquanto não sai o Hospital Estadual, será que não está na hora da gente fazer investimentos na atual estrutura ou buscar estruturas da região para que a gente consiga aumentar o número de leitos? Quantos leitos? 50, que é o que vemos na média de pessoas esperando regulação", questionou Thiago.
Os vereadores Tidy e Pelizaro demonstraram insatisfação desde o início da reunião sobre a insuficiência de vagas na cidade. “O que a gente precisa é responder ao munícipe que nos procura de forma clara, não posso simplesmente falar ‘estou vendo, estou vendo’. A angústia desses familiares é muito grande”, falou Tidy.
Pelizaro criticou a situação atual e afirmou que é preciso vontade política por parte dos gestores. “A saúde deveria ser gratuita e universal, mas só estamos vendo a universalidade de um lado, só na porta de entrada, porque é assim: a Santa Casa não faz porque não tem dinheiro. A DRS não faz porque o patrono da DRS que é o Estado também não manda dinheiro, mas o município, com dinheiro ou sem dinheiro, não pode fechar a porta do pronto-socorro. Entre a entrada da Santa Casa e o atendimento do PS, falta alguma coisa, e que nós temos condições de solucionar". "É inadmissível”, completou o vereador.
A solução seria a abertura dos 50 leitos, citados por Thiago Silva, no Hospital da Caridade, já que existe espaço físico para isso. Vereadores como Pelizaro, Tidy, Lurdinha Granzotte (União), Zezinho Cabeleireiro (PP), Della Motta (PODE) e Carlinho Petrópolis (PL) defenderam a desburocratização das demandas judiciais do Hospital da Caridade para a abertura dos leitos no local.
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