ELEIÇÕES 2022

Mulheres são apenas 20% dos candidatos em Franca

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Delegada Graciela, Dra. Cristiany e Professora Maria Célia
Delegada Graciela, Dra. Cristiany e Professora Maria Célia

Se a cidade de Franca fosse um partido político, não atingiria 30% de mulheres como candidatas nas Eleições 2022. Apenas sete mulheres disputam a preferência do eleitor.

O número representa 20% dos 34 candidatos por Franca no pleito deste ano. Delegada Graciela (PL), Dra. Cristiany (PL), Rosana Branquinho (MDB), Myrian Ravanelli (União), Tia Zilda (PSC), Flávia Lancha (PSD) e a Professora Maria Célia (Podemos) são as mulheres na disputa.

O percentual fica ainda mais desproporcional pela composição do eleitorado francano. O município tem 247.161 eleitores, sendo 131.964 mulheres (53%) e 115.034 homens (47%).

Apesar de serem maioria no eleitorado, as mulheres sofrem com a falta de representatividade. "Nossa cultura não permite que as mulheres, muitas vezes com tripla jornada, se coloquem numa posição de poder, com disponibilidade de tempo para participarem da vida política", diz a professora Maria Célia.

Ao lado de Flávia Lancha, Maria Célia disputa uma cadeira na Câmara de Deputados, em Brasília. Para ela, falta incentivo de inserção do público feminino na política.

"Precisamos desenvolver projetos que dêem àquela mulher que se interessa por política condições de buscar seu ideal (...) e, também, fazer com que pautas representativas cresçam entre as mulheres, como por exemplo, mulher apoia mulher".

A única candidata por Franca, seja homem ou mulher, que busca reeleição nestas eleições é a Delegada Graciela. Eleita em 2018 com 63.089 votos, Graciela busca renovar por mais quatro anos seu mandato como deputada estadual.

"As mulheres representam a maior parte do eleitorado do País. Precisamos que esta maioria também ocorra nas Câmaras Municipais, Prefeituras, na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal", afirma a deputada.

Roberto Engler (PSDB) também foi eleito deputado estadual em 2018, ao receber 69.969 votos. O tucano optou por não sair como candidato em 2022.

Mais mulheres. Fórmula adotada pelo Partido Liberal em Franca. Além de Graciela, a Dra. Cristiany também concorre para deputada estadual. "O Brasil está atrás de todos os países da América Latina no que diz respeito à representatividade feminina, exceto no Paraguai a Haiti. O que comprova para gente que várias estratégias precisam ser adotadas".

Duas candidatas por Franca no mesmo partido pode atrapalhar? Cristiany enfaticamente responde que não. "Ter outra candidata no mesmo partido não gera prejuízo (...) nesse caso em específico, atuamos em segmentos completamente diferentes, então não gera nenhum prejuízo".

Além de Graciela e Cristiany, Rosana Branquinho, Myrian Ravanelli e Tia Zilda completam a lista de mulheres que buscam uma cadeira na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

Dos 34 candidatos, 17 saem para deputado estadual, 16 para federal e o professor universitário, Tito Flávio (PCB) concorre ao Senado Federal.

'Falta mobilização'
O advogado Toninho Menezes explica que a Legislação Eleitoral obriga que os partidos tenham no mínimo 30% de mulheres como candidatas. Exigência que encontra desafios. "Estudos demonstram que falta mobilização social e política da maioria das mulheres".

Outro problema encontrado é a candidatura de laranjas. "Expressão utilizada para designar uma candidata que participa das eleições sem a verdadeira intenção de pleitear um cargo, para burlar a lei de cotas e cumprir o coeficiente determinado para candidatura de mulheres no processo eleitoral".

Segundo o advogado, as mulheres representam 53% dos eleitores, mas ocupam pouco mais de 14% dos cargos eletivos.

Toninho conclui que o passo principal é incentivar o acesso e participação do público feminino nos espaços de poder, mas faz ressalvas. "Estarem inseridas nos poderes decisórios, livre de determinações pré-concebidas pela direção partidária, que em sua maioria é exercida por homens", finaliza.

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