PIRATAS DO AGRO

Franca é um dos maiores polos de falsificação de agrotóxicos do país, dizem PRF e Gaeco

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Kaique Castro/GCN
Agentes da Polícia Rodoviária Federal em operação no ônibus inteligente Arcanjo
Agentes da Polícia Rodoviária Federal em operação no ônibus inteligente Arcanjo

Nesta quarta-feira, 17, aconteceu a operação Piratas do Agro contra a falsificação de agrotóxicos em Franca. A ação da Polícia Rodoviária Federal e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público contou com o apoio do Ibama e terminou com ao menos quatro pessoas presas. Para as autoridades, a operação reforçou que a cidade é um dos principais polos de falsificação do produto no país.

A megaoperação contou com helicóptero e o mais novo ônibus inteligente da PRF. Segundo o Gaeco, os presos são os principais líderes da quadrilha, e além deles, carros, agrotóxicos que estavam sendo preparados, armas e outros itens foram apreendidos.

Segundo o promotor de Justiça Adriano Mélega, a quadrilha presa era muito bem organizada. Os envios dos agrotóxicos eram feitos até pelos correios.

“Conseguimos apurar que desde 2016 os envolvidos já praticavam o crime. Não é possível mensurar a dimensão de danos causados nas lavouras, à saúde publica e ao meio ambiente. A gente sabe onde começa a falsificação aqui, só que a gente não sabe onde terminam os efeitos deletérios, porque eles são destinados para todos os estados”, disse o promotor.

Para Mélega, essa operação só confirmou que Franca se tornou um polo na falsificação de agrotóxicos no país. “As apreensões da PRF em várias rodovias do Brasil mostram que muitos falsificadores são daqui (Franca). Mas isso decorre de estar arraigado na cidade este tipo de organização. E que, além da falsificação em si, envolve outros tipos de crime como falsificação de documentos públicos, lavagem de bens e valores. Então, hoje, sim, Franca e região são um forte polo de adulteração de agrotóxicos”, continuou o promotor.

Apreensões em rodovias ligavam Franca aos crimes de falsificação
O início da operação foi em 2020, e desde então várias prisões já foram feitas em rodovias federais.

"As apreensões, muito embora em outros estados, estavam remetendo para a região de Franca, o que foi criando uma ‘mancha de calor’. Prendia no Mato Grosso do Sul, era alguma coisa relacionada com Franca. Prendia no Mato Grosso, era relacionado com Franca. Alguma coisa no Rio Grande do Sul, vindo pra São Paulo, relacionado com Franca. Então, canalizando todas aquelas informações que nós tínhamos que levavam à cidade de Franca e às pessoas aqui de Franca identificadas, trouxemos ao Ministério Público para providências", contou o inspetor da PRF Fernando Miranda.

Laboratórios fechados
No momento da ação que começou por volta das 4h, os policiais encontraram laboratórios químicos onde era feita a falsificação. Segundo a PRF, muitos destes lugares tinham condições precárias. Todos os locais foram fechados e os produtos apreendidos.

Durante o cumprimento dos mandados, um casal foi preso. Segundo o Gaeco, eles são suspeitos de chefiar a quadrilha.

Um dos suspeitos tentou fugir pela rodovia João Traficante, que liga Franca a Ibiraci, mas foi preso em uma fuga cinematográfica. A ação foi feita por policiais em via terrestre e aérea, com o apoio do ônibus inteligente Arcanjo, da PRF.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários