A primeira quinzena do mês nem sequer acabou e já se transformou num dos períodos de agosto com maior número de vítimas no trânsito de Franca dos últimos anos. Com quatro mortes registradas em um espaço de seis dias, os números preocupam as autoridades: dos quatro acidentes fatais, três tiveram entregadores envolvidos.
O primeiro caso terminou com a morte da pedagoga Lucia Helena Ribeiro Couto Rosa. Aos 67 anos, ela atravessava a avenida Santos Dumont, em frente à Amazonas, no início da noite do dia 4 de agosto, quando foi atropelada por uma caminhonete. Lucia chegou a ser socorrida, mas morreu ao dar entrada no hospital.
No dia seguinte, 5 de agosto, a vítima foi o entregador Kleiton Eurípedes Figueiredo, de 38 anos. O motoqueiro seguia na rua Batatais, no Centro da cidade, quando no cruzamento com a rua Couto Magalhães, tentou ultrapassar o caminhão que realizava a conversão e bateu no meio do veículo. O entregador, pai de uma criança de apenas dois meses, sofreu um ferimento grave na perna e morreu horas depois de ser socorrido.
Já na segunda-feira, 8, o entregador Paulo Sérgio Moreira, 56, foi a vítima fatal. Ele estava trabalhando quando, na rodovia Ronan Rocha, próximo à Coca Cola, foi atingido na traseira por um Fiat Pálio. Paulo foi arrastado por vários metros e chegou a atingir duas placas de sinalização da pista. Ele foi socorrido em estado grave e, chegando ao Hospital, morreu. O motorista que provocou o acidente fugiu e ainda não foi identificado.
Na terça-feira, 9, um outro acidente envolvendo entregador terminou em morte. Mais uma vez, em uma rodovia. O caso aconteceu por volta as 21h30 na Cândido Portinari. O entregador voltava para a lanchonete onde realizava entregas quando acabou atingindo um ciclista que estava na contramão. Maicon Aparecido Gualberto, de 31 anos, foi arremessado por vários metros e chegou a ser atropelado por outros veículos que seguiam na pista. Ele morreu na hora.
Acidentes preocupam todos
Júnior Medeiros, de 48 anos, trabalha há 30 anos com sua motocicleta. O que antigamente era uma renda extra se transformou há 15 anos em ganha pão. Sua rotina é exaustiva – sai de casa às 8h, volta às 14h, sai de novo ás 17h e só retorna para descansar por volta de meia-noite.
Para ele, o grande número de acidentes envolvendo motociclistas está ligado ao aumento de novos entregadores, muitos deles sem experiência. “Eu percebo que muita gente descobriu a profissão de motoboy durante a pandemia. Muita gente ficou sem trabalhar e foi fazer entrega. Consequentemente, o número de motos e acidentes também aumentou”, disse Júlio, que hoje administra um grupo de entregas com mais de 150 motoqueiros.
Júlio também elenca outros fatores para o aumento expressivo de mortes. Além da falta de experiência, há a pressão pelo tempo curto para entregas e o uso de celular enquanto dirige.
“Os aplicativos de comida dão um prazo médio de 10 minutos para você chegar no restaurante. Se você não chega a tempo você perde a corrida e não recebe nada. Depois que você está com a comida, você tem 10 minutos para chegar na casa do cliente. Então, esse tempo obrigatório indiretamente faz você querer chegar rápido”, explica.
“Motoristas e motociclistas usam celular enquanto dirigem. Dirigem apenas com a outra mão, porque uma tá ocupada com o celular. Eu acredito que esse fator seja o principal motivo do motoristas não pararem nas sinalizações de ‘pare’, semáforo vermelho, coisas do tipo. Muita falta de atenção”, continuou Junior.
Apesar de confirmar que precisa correr nas avenidas, Junior afirma que os principais causadores dos acidentes ainda são os motoristas dos carros e que tem medo de sair para trabalhar e não voltar.
“Muita gente critica o motoboy pela velocidade, que o motoboy é doido, que não tem amor à vida, que o valor da vida dele é uma entrega, e não é assim. Somos pais de família, a maioria é casado. Temos filhos, esposa e queremos voltar para casa. Ter presa não significa ser doido e as vezes por estar em uma velocidade maior, (ainda que) nem sempre ultrapassando a velocidade da via, a chance de sofrer um acidente é maior”, acredita Junior.
Evandro, de 35 anos, é entregador há quatro anos. Para ele, os órgãos como Polícia Militar, Prefeitura e os motoristas em geral precisam passar por uma ampla atualização.
“Franca precisa de um plano urgente para reeducar os motoristas em geral. Nem sempre a culpa é do motoqueiro. A gente vê muito o pessoal no celular enquanto dirige e isso causa uma desatenção muito grande. Precisa reeducar porque as multas não adiantam”, contou Evandro.
Alerta na prefeitura
Além dos motociclistas, a Prefeitura também está preocupada com o aumento acentuado no número de acidentes com mortes neste segundo semestre, após um início de ano menos trágico. O primeiro semestre se encerrou com o menor número de mortes dos últimos anos, mas somente nos primeiros 45 dias do segundo semestre, 10 pessoas já perderam suas vidas.
“As principais vítimas estão sendo os motociclistas. Vamos fazer uma campanha educativa focada em entregadores e condutores de motocicleta, onde vamos falar sobre a conscientização do respeito às regras de trânsito. E, principalmente, da conscientização da vida desse profissional , que ela é mais importante do que uma entrega mais rápida”, afirmou o coronel Araújo, secretário de Segurança e Trânsito.
Araújo também falou que a Prefeitura está investindo em novos cronômetros de semáforos, lombo-faixas e que em locais de alto índice de acidentes estão "estudando melhorias". Radares, aparentemente, continuam longe de ser uma prioridade para a prefeitura de Franca.
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Comentários
2 Comentários
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Darsio 14/08/2022O candidato a vice do GENOCIDA, o tal do braga neto (em minúsculo pela sua insignificãncia) recebeu de salário somente no ultimo mês, quase um milhão de reais. O mesmo se aplica a outros generais. Tudo isso explica a razão pela qual generais se humilham diante de um capitão expulso do exército. E, se for preciso tomar o poder novamente para manter seus privilégios e salários dignos de marajás, assim farão os generais, mesmo que tenham que lamber os pés do capitão, GENOCIDA e expulso do exército. E, O POVÃO? O POVÃO DE SE FERRE COM DESEMPREGO E SALÁRIO MÍNIMO, CUJA CORREÇÃO SE QUER CONSIDERA A INFLAÇÃO DO ANO. MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU -
jaques campos 14/08/2022O pior cego é aquele que não quer ver. É o caso do bolsonaro, sabe das arbitrariedades e torturas do regime militar e se faz de cego, surdo e mudo. É um fascista na mais inteira concepção prega a violência, com o extermínio dos adversários e o desmonte das instituições para estabelecer a ditadura.