DIA DOS PAIS

Homem acolhe bebê no portão de casa e vira pai à primeira vista: ‘Não pensou duas vezes’

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Gilmar Francisco Rinaldi, Sônia Rinaldi e a filha, Jhaime
Gilmar Francisco Rinaldi, Sônia Rinaldi e a filha, Jhaime

O segundo domingo de agosto é sempre marcado por festa entre as famílias. A data comemora o Dia dos Pais e, apesar de festiva, pode trazer um misto de sentimentos. Para alguns, a saudade de quem já se foi, para outros, a alegria por ainda ter a base de um lar.

Na família do francano Gilmar Francisco Rinaldi, de 62 anos, a comemoração é sempre com alegria. No dia 23 de janeiro de 1984, José se tornou pai. Na contramão de outros pais, ele não esperou nove meses para ver o rostinho de seu filho ou filha nem planejou o quarto do bebê antes de sua chegada. Foi em uma segunda-feira chuvosa, às 21 horas, que ele e sua mulher, Sônia de Fátima Rinaldi, de 60 anos, se tornaram pais pela primeira vez.

Uma conhecida da vizinhança bateu na porta do casal e disse que havia uma recém-nascida que não tinha com quem ficar, assim, sem explicações. Sônia achou estranho. Gilmar logo disse: “Traz. A gente vê o que faz”.

Uma menininha de apenas dois dias chegou ao portão do casal. Eles tinham se casado há três anos e não tinham filhos porque Sônia não pôde engravidar. “Fiquei com medo, meio arisca, mas meu marido já quis na hora, ficou apaixonado, disse que ia criar. Eu preocupada porque já eram 21 horas, aquela chuva, não tinha nada em casa para a criança, nem leite, nem fralda. Ele disse que daríamos jeito. O meu próprio marido tirou um lençol para cortar e fazer uma fralda durante a noite. Ele que foi tomando conta de tudo”, falou a mulher.

Sônia, que já conhecia o coração do marido, achou ainda mais bonito ver Gilmar tomando frente de uma coisa que, por natureza, são as mães que fazem. “Eu nunca pensei em ser mãe, tanto é que fiquei em dúvida quando aquela criança apareceu. Ele não, ele não pensou duas vezes”.

No dia seguinte, o casal levou a criança ao médico e já deram início no processo de adoção. Não foi fácil – ao todo, mais de 10 anos até o fim do processo, mas a menina, Jhaime de Paula Rinaldi, foi crescendo ao lado dos pais. Hoje, ela tem 39 anos e segue com o laço gigante que criou com a família.

“Ele mudou muito quando se tornou pai. É mais carinhoso, paciente, muito família e tem uma paixão enorme pela menina, que mesmo com 39 anos, ainda é o ‘bebezão’ dele. É um amor admirável mesmo, um pai que nunca vi igual”, disse Sônia.

Pai solo
Se na casa de Gilmar e da Sônia a festa de domingo será cheia de alegria, na casa de Maria Divina de Souza, de 52 anos, será um pouco mais reflexiva. Maria, que é sapateira, perdeu o pai em 2013, mas mantém viva a sua memória e seus exemplos até hoje, com o reconhecimento de que teve uma figura paterna que nunca abriu mão da criação das filhas.

Em fevereiro de 1970, aos 26 anos de José Aparecido de Oliveira, ele perdeu a sua mãe. No mesmo ano, oito meses depois, perdeu também a mulher da forma mais trágica que já sentiu: a companheira de 19 anos na época foi morta ao ser atingida por uma descarga elétrica.

José Aparecido se viu sem as mulheres de sua vida, mas com as meninas: Maria Angélica, de 2 anos, e Maria Divina, de apenas 3 meses. Mesmo com as dificuldades, José sempre cuidou sozinho das suas meninas, e apesar dos pedidos da família para entregar as filhas, ele jamais pensou em abrir mão.

“Toda a minha família pedia a gente para ele, (mas) ele não quis. Falou que éramos dele e que ele ia cuidar de nós. Passou o sofrimento dele com a gente, porque ele trabalhava na lavoura. Às vezes, quando não tinha ninguém para nos olhar, ele levava a gente pra lavoura, colocava um pano embaixo da sombra e ficávamos lá. Um cachorro ficava com a gente também, olhando”, relembrou Divina.

Depois de cinco anos criando as duas filhas sozinho, José se casou novamente. Escolheu a dedo uma mulher que pudesse criar, respeitar e educar Angélica e Divina. E assim foi.

Já em 2013, José trabalhava como pedreiro em um condomínio de Franca. Ao ir para o trabalho, atravessando uma rodovia próxima à Unifran, o homem foi atingido por uma moto que seguia pela via. Ele morreu na hora e poucos minutos depois a família soube da notícia.

“Qualquer morte é um baque, ainda mais de um pai desse. Mesmo com a idade, ele continuou trabalhando para que não faltasse nada para nós. Nosso mundo se dividiu entre antes e depois da morte dele, mas ele sempre está presente na nossa vida. Deixou ensinamentos valiosos, amor e saudade. Os filhos, netos e bisnetos o têm como o grande exemplo da nossa família”.

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