Proprietários de caminhões, vans e até algumas caminhonetes viram o consumo de diesel se transformar em pesadelo. Antes, era um combustível com um excelente custo-benefício. Atualmente, é o mais caro. De janeiro até julho deste ano, os consumidores viram o óleo diesel subir 38,69%, indo de R$ 5,22 para R$ 7,24, conforme a mais recente pesquisa do Procon.
Neste mesmo período, o etanol caiu 22,6%, saindo de R$ 5,02, em janeiro, para R$ 3,98, em julho. A gasolina, por sua vez, registrou queda de 10,10%, sendo que, no começo do ano, custava R$ 6,43, e, agora, custa R$ 5,78, em média.
De acordo com o presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) de Franca, Marco Antônio Nascimento, a explicação é a baixa produção de diesel por parte da Petrobras, que precisa importar de outros países. “A estatal, hoje, quase não produz. E, para comprar lá fora, ela está comprando caro, em razão do dólar e da alta do petróleo no mercado internacional”.
Além da importação do diesel, a gasolina e o etanol contaram com as recentes reduções do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), além de reduções anunciadas pela Petrobras. Diferentemente do diesel, que se mantém estável e sem anúncios significativos.
Em junho, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), atendendo a uma determinação federal, reduziu a taxa sobre a gasolina, de 25% para 18%. Em Franca, essa redução proporcionou uma queda de R$ 1,30 no valor do derivado de petróleo. Posteriormente, no dia 18 de julho, Rodrigo reduziu a taxa sobre o etanol, de 13,3% para 9,57%. O imposto sobre o diesel, no entanto, não teve alteração e se manteve em 13,3%.
“A gasolina caiu mais de R$ 1, nestes últimos trinta dias, e a Petrobras anunciou mais uma queda no preço. Todos os últimos anúncios foram apenas na gasolina. O diesel, por enquanto, se mantém quieto”, relembrou Marco.
Apesar do alto valor, Marco afirma que o volume de vendas do combustível não foi prejudicado, com caminhões e vans abastecendo frequentemente nos postos francanos. “O volume do diesel não muda muito. É o mesmo. A mola propulsora são os caminhões, e eles estão rodando. Houve uma queda de consumo, mas nada muito brusco, como foi na pandemia”.
Em contrapartida, a necessidade de abastecer com o diesel fez com que alguns serviços contassem com aumento. As vans escolares, que circulam por toda a cidade com os jovens estudantes, já tiveram que aumentar suas mensalidades. “Eu ainda não repassei, mas muitos motoristas já aumentaram. E, por essa alta, o ideal é subir as mensalidades em mais de 10%”, disse Ronaldo Essado, vice-presidente da Atef (Associação do Transporte Escolar de Franca).
Ronald conta que, antigamente, gastava uma média de R$ 3 mil, por mês, com abastecimento da sua van. Agora, o valor subiu para R$ 4,5 mil. O aumento se transformou em um verdadeiro desafio para os motoristas de van, que sobreviveram à pausa da pandemia. “Eu tive um aumento de quase 40% nos meus gastos. Além disso, tem manutenção, peças. Para nós, está muito difícil”.
Outro serviço bastante comum, o de frete e mudança, também sofreu um aumento significativo. Antes, para se realizar uma mudança, era possível encontrar um caminhão por menos de R$ 120. Hoje, são poucos que não se aproximam de R$ 200. “Antes da pandemia, me mudei e consegui encontrar por R$ 110. Mais recentemente, precisei me mudar novamente e custei achar por R$ 170. Alguns queriam me cobrar mais de R$ 200”, contou o pespontador Alessandro Pimenta.
Além dessas questões, a alta do diesel atrapalha uma queda maior da gasolina, etanol e produtos do cotidiano, já que o transporte destes itens ocorre através de caminhões. “O frete fica muito mais caro, então, esta alta no diesel, tem dificuldade bastante em todos os sentidos”, disse Marco Antônio.
A expectativa dos revendedores e consumidores é de que o combustível sofra uma queda neste segundo semestre, mas, na visão de Marco Antônio, do Sincopetro, a redução está distante. “Enquanto o mercado estiver buscando o diesel lá fora, eu não vejo solução para a queda. O diesel é o produto que mais se consome no país. Então, pelos preços do barril do petróleo e do dólar, o diesel deve se manter elevado”, finalizou Marco.
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