Com o aumento de preço de quase todos os itens do carrinho de compras, os consumidores tiveram de substituir ou eliminar alguns alimentos para não pesar tanto o bolso. O chocolate, por exemplo, aumentou mais de 22% em um ano e é um dos produtos que foi deixado de lado – mas nem todo alimento é fácil de ser descartado assim. Pensando nisso, os mercados também começaram a mudar as opções das prateleiras.
É só prestar atenção nos corredores e é possível perceber que, de repente, alguns alimentos ganharam mais destaque. É o caso dos pés, orelhas e rabos suínos, muito mais aparentes no açougue do que antigamente. Toucinho, suan, mocotó e bucho bovino também têm roubado o lugar de carnes de primeira, como picanha ou alcatra.
“Restos” de queijo ao invés do queijo inteiro, leite condensado com soro de leite e amido nos ingredientes também são mudanças recentes nas prateleiras. Além disso, há muito mais opções de embalagens “mini”, para que o consumidor não fique sem o produto.
Segundo o economista Adnan Jebailey, há de fato uma tendência entre os mercados de reduzir o estoque de alguns produtos e substituir outros. “Como eles perdem demanda, com menos pessoas indo aos mercados comprar, eles tentam buscar alternativas para oferecer produtos mais baratos. Muitas das vezes, a alternativa que tem é a redução do tamanho do produto, peso ou embalagem para que o consumidor ainda tenha acesso”, disse.
O economista explica que os mercados também sofrem de alguma forma com os alimentos mais caros, mas apenas com a perda de demanda, ou seja, com menos pessoas indo às compras, menos lucro aos estabelecimentos. Isso porque todo o impacto da inflação é repassado ao consumidor, inclusive até além do que é necessário.
“O que acontece é que os comerciantes acabam aumentando os preços muitas vezes sem motivos, apenas pelo simples fato de achar que no próximo mês a gente vai ter um aumento consecutivo dos preços. Em resumo, mais inflação no mês seguinte.”
Esse movimento acaba virando uma bola de neve que influencia diretamente na vida das famílias. Com opções de parcelamento também nos mercados, as pessoas optam por dividir as compras para “aliviar” o mês, mas acabam por enforcar o orçamento ao longo dos meses.
“Durante o início dos anos 1980, 1990, as famílias tinham o costume de, no começo do mês, fazer a compra do mês porque não sabiam como ia estar o preço do produto no dia ou semana seguinte. Muitas famílias ainda fazem isso. O problema é que você come a comida no mês, e no mês seguinte vai ter que comprar de novo. As parcelas vão permanecer”, falou Adnan.
Apesar de não otimistas, as expectativas do economista para os próximos meses também não são pessimistas. Segundo Adnan, algumas ações como a redução do ICMS do combustível vão ajudar na contenção dos preços, já que pelo menos 70% das mercadorias do Brasil são transportadas através das rodovias.
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