LEMBRA DELES?

Franca, a primeira cidade a receber a tecnologia 5G, ainda conserva 253 orelhões

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
De milhares a apenas duas centenas: poucos olherões sobrevivem em Franca
De milhares a apenas duas centenas: poucos olherões sobrevivem em Franca

No dia 15 de dezembro de 2021, o vice-presidente da Algar Telecom, Márcio Jesus, anunciava que Franca era a primeira cidade do Brasil a receber a tecnologia 5G. Apesar de recente e restrita a apenas alguns bairros, o anúncio marca o início de uma nova era digital: a quinta geração de internet móvel. Por outro lado e por incrível que pareça, Franca foi a primeira a consagrar o 5G, mas ainda conserva muitos orelhões. Lembra-se deles?

Espalhados pelas ruas da cidade, eles estão lá, 253 orelhões que sobrevivem ao tempo. Em frente à Prefeitura, ao hospital, ao estádio de futebol... Você pode não ter nem reparado, mas a mais popular ferramenta de ligações dos anos 1970, 1980, 1990 e 2000 ainda continua disponível.

Com ligações pelo celular, mensagens de aplicativo e chamadas de vídeo, apesar de restar alguns orelhões, eles caíram em desuso. Em 2015, já com todas essas opções de tecnologia acessíveis à grande parte das pessoas, ainda restavam 1.497 orelhões em Franca. Hoje, são 253 – uma diminuição de quase 83%.

Junto com a febre dos “telefones” e após a época das fichas, já num avanço rumo à tecnologia, tinha também a febre dos cartões de ligação, que mais pareciam cartões postais de tão bonitos. As capas eram tão artísticas que muitas pessoas faziam coleções, vendiam e trocavam esses itens.

Luís Henrique Garcia é colecionador de selos, moedas e cédulas. Perto dos anos 2000, ele colecionava também cartões de orelhão. Luís conta que existiam muito colecionadores e que, em 1998, quando o então presidente Fernando Henrique privatizou a Telebrás, cada companhia telefônica começou a fabricar o seu próprio cartão e que virou uma coleção absurda.

“Existiam alguns cartões da Algar maravilhosos, alguns nossos, aqui de Franca. A Telefônica, que não era nem daqui, lançou um cartão com a imagem da Matriz. Tinha também alguns cartões raros de tiragem bem baixa que o pessoal disputava a tapa e eram caríssimos”, disse Luís. “Na praça Barão, em frente à Lapidin e o Senhor Café era uma loucura de troca de cartão, troca, venda e compra. Todo mundo colecionava, era muito legal”.

A tecnologia 5G
Com o passar do tempo, a forma de se comunicar mudou. A princípio, quando Franca foi a escolhida para ser a primeira cidade a receber o 5G, a tecnologia se restringia apenas ao Centro da cidade. Sete meses depois do anúncio da Algar, é possível se conectar na quinta geração em sete bairros: Centro, Cidade Nova, Industrial, Ângela Rosa, Jardim Francano, Parque Progresso e Vila Santa Cruz.

Apesar da lenta expansão pela cidade, ainda há mais alguns fatores limitantes: apenas 68 tipos aparelhos celulares estão aptos à tecnologia – o preço de cada um deles pode variar de R$ 1,4 mil até R$ 10,6 mil. Mesmo assim, só vai funcionar se o usuário tiver a Algar como operadora.

A grande promessa do 5G é trazer mais velocidade para baixar e enviar arquivos e deixar as conexões mais estáveis. Essa evolução vai permitir conectar diversos objetos à internet ao mesmo tempo, como celular, relógio ou carro. O 4G também pode fazer isso, mas a diferença é que a velocidade chega entre 1 e 10 Gpbs – uma diferença de 100 vezes ou mais em relação à quarta geração.

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Comentários

1 Comentários

  • Gonçalves 21/06/2023
    Boa noite, O orelhão é meio universal de acesso as telecomunicações globais. Seguro, bom e barato serve bem aos miseráveis, pobres, remediados, quem não quer o smartphone. A drástica redução do número de orelhões pelas calçadas da cidade é coisa pensada pelas Teles que querem, e conseguiram, que o Governo as desobrigassem de mantem os orelhões existentes e expandir a sua instalação país afora. Até mesmo os cartões indutivos deixaram de ofertar ao preço oficial junto ao comércio varejista. É o desmonte anunciado da telefonia fixa para liberar investimentos na \'convergência digital\' muito mais lucrativa que o velho, seguro, bom e barato orelhão.