A vacinação infantil no Brasil tem apresentado queda consecutiva nos últimos anos e, no primeiro semestre de 2022, atingiu as menores taxas dos últimos dez anos, segundo dados do DataSUS. Em Franca, 95.232 doses foram aplicadas em crianças de 0 a 5 anos, entre 2021 e os primeiros seis meses deste ano. A queda na imunização de rotina desta faixa etária é de 51%.
Segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Franca, entre 2000 e 2010, foram aplicadas 1.152.532 doses de vacinas em crianças até os 5 anos de idade. Entre 2019 e 2020, foram vacinadas 194.664 crianças na mesma faixa de idade.
A enfermeira Rosana Morais, 50, observou a baixa na procura por vacinas de rotina para crianças de até 5 anos, neste primeiro semestre de 2022. “Deu uma caída. Criança de 5 anos que toma a vacina de covid-19 tem que esperar 15 dias para tomar a da gripe. Não pode tomar tudo junto”, disse ela, citando um dos possíveis motivos para queda.
Rosana diz, assim como a vacina contra a gripe, a do HPV destinada a meninas e meninos de 9 anos não pode ser aplicada junto da do coronavírus. “O que atrasou também foi a vacina de HPV, que não pode ser dada junto com a da Covid-19, e priorizamos sempre ela”.
A queda na imunização de crianças tem preocupado deputados da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Entre os motivos elencados pelos parlamentares, estão a falsa sensação de que não há a necessidade de vacinação, por conta do controle dessas doenças imunopreveníveis; uma possível relutância da comunidade em se vacinar, ocasionada por informações falsas ou incorretas; e a falta de organização, fluxos e amplas campanhas que incentivem e facilitem a vacinação.
Além disso, o cenário se agravou nos últimos dois anos com a pandemia e as restrições de deslocamento da população aos postos de saúde.
A deputada estadual Marina Helou (REDE), que é coordenadora da Frente Parlamentar pela Primeira Infância na Alesp, explicou que “das 15 vacinas que deveriam ser aplicadas nos primeiros quatro anos de vida, pelo menos nove estão abaixo dos índices recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde)”.
Alarmante
O dado neste ano de 2022 se mostra alarmante. O Estado de São Paulo, neste primeiro semestre de 2022, conseguiu atingir apenas 34,4% das crianças com a vacina da poliomielite, enquanto o ano passado 70% delas foram vacinadas em todo país. O ideal é que a cobertura de vacinação esteja acima de 90% para todos imunizantes, como preconiza a OMS.
Já em relação à varicela - infecção viral altamente contagiosa que causa uma irritação cutânea com bolhas na pele -, apenas quatro em cada dez crianças receberam a vacina.
Especialistas ressaltam que a vacina é uma das formas mais efetivas para a prevenção de doenças. Alertam que a redução nas vacinas pode gerar grandes transtornos para a população, aumentando o risco de contágios de doenças, como poliomielite e sarampo, deixando sequelas ou causando mortes.
Com a baixa imunização da população, o Brasil voltou a registrar casos de sarampo e vive com o risco de ver doenças eliminadas no país voltarem a ser notificadas.
De acordo com a Prefeitura, a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Educação promovem a conscientização dos pais e responsáveis, através de campanhas, mutirões municipais em dias e horários alternativos para facilitar o acesso da população à imunização.
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