CORRIDA VITAL

Trânsito caótico é desafio para socorristas que precisam de rapidez para salvar vidas

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
N. Fradique/GCN
Socorrista Alcântara, do Samu, saindo para mais um atendimento: 'Cada minuto é importante'
Socorrista Alcântara, do Samu, saindo para mais um atendimento: 'Cada minuto é importante'

Trafegar em Franca é um caos para todos os motoristas que precisam ir de um lado para o outro na cidade, principalmente nos horários de pico. No início do dia e na volta para casa após o trabalho, o motorista precisa de muita paciência ao volante. Sob o olhar de quem lida com a vida das pessoas, o trânsito travado se torna mais um desafio para os socorristas e médicos, que precisam de rapidez para chegar com um paciente a uma unidade de saúde.

As unidades de resgate e ambulâncias de emergências sofrem com os congestionamentos e engarrafamento nas ruas de Franca. Às vezes, nem mesmo usando a sirene, as viaturas conseguem se deslocar de um ponto para outro da cidade da forma rápida como requer a situação.

“Geralmente a gente busca passar por rotas alternativas para não enfrentar o trânsito travado. A gente usa a sirene, mas tem pessoas que não entendem muito bem como funciona o fato de ter que sair da frente para liberar a passagem. Tem motorista que freia e outros aceleram. Temos que ter uma certa habilidade, mas é um problema”, disse o agente socorrista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Vinícius Alcântara, 37, que trabalha com mais dois profissionais na viatura.

Ele conta que além do trânsito caótico, muitas vezes, o Samu tem dificuldades para se aproximar do local do acidente por conta da aglomeração de pessoas. “Normalmente o local já está tumultuado devido o acidente e precisamos pedir o apoio da Polícia Militar para parar o fluxo. Tem caso que precisamos até trafegar na contramão para socorrer uma pessoa”.

Alcântara relata que durante o percurso de volta para uma unidade de saúde regulada para receber a vítima, os socorristas e o médico já vão realizando os procedimentos necessários no paciente, já sabendo que pode demorar mais do que o normal no trânsito.

“Em alguns casos, o paciente precisa ser entubado e de um socorro muito rápido, mas quando há fratura não precisa correr tanto. Dentro da saúde, cada minuto é importante. A gente trabalha com tempo e o tempo é precioso nesse caso”.

O socorrista da Unimed, Adilson do Nascimento, 54, lembra que as regiões Oeste e Norte de Franca sofrem com gargalos no trânsito há anos.

“A gente sempre sai em emergência e ali, próximo ao hospital (São Joaquim), é um problema sério. As ruas são estreitas e nos horários de pico é quase impossível o deslocamento. A gente precisa ligar a sirene, buzinar, entrar no meio dos carros. Aquela rotatória (de acesso ao bairro São Joaquim) é uma coisa sem precedentes. É uma vida que está em nossa responsabilidade. Também tem as nossas próprias vidas que estão em risco e de outras pessoas”, disse.

Adilson, que também é bombeiro civil, conta que certa vez precisou até colocar a cabeça para fora da ambulância para pedir passagem. “O povo de Franca dirige muito mal e não tem educação. Uma vez precisei colocar a cabeça para fora para pedir passagem, e quando eu passei próximo ao carro, uma pessoa me mostrou o dedo, como se eu estivesse errado”.

Ele revela que a adrenalina do socorrista também sobe quando sai para um atendimento. “Além de ter que dirigir, temos que imaginar qual a situação que vamos encontrar a vítima. Cada minuto que a gente fica travado no trânsito, a preocupação aumenta. Aquela cruz que a gente usa no nosso uniforme, que chama ‘cruz da vida’, não é só um enfeite, aquilo representa cada minuto que a gente tem até entregar o paciente dentro do hospital”, finalizou Adilson.

A Prefeitura de Franca, através da Secretaria de Segurança, sempre diz que está realizando estudos para corrigir os principais pontos de congestionamentos no trânsito da cidade.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários