PERIGEU

A superlua do Observatório Astronômico: 40 mil quilômetros mais perto da Terra

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
A repórter Heloísa Taveira e o professor do Observatório Astronômico, Elimar Borges
A repórter Heloísa Taveira e o professor do Observatório Astronômico, Elimar Borges

Por volta das 17h30 dessa quarta-feira, 13, a Lua surgia no céu francano. Embora quem conte este relato seja alguém que nasceu em Franca e viveu aqui por toda a vida, não é exagero dizer que o céu desta cidade é um dos mais bonitos do país. No inverno, em especial, o tempo seco proporciona fins de tarde com mistura de cores que formam um horizonte alaranjado e, que por si só, já os tornam magníficos.

Mas o entardecer dessa quarta-feira ganhou um cenário ainda mais admirável. A Lua já nasceu grande, esbanjando beleza e brilho, e continuou visível até a manhã desta quinta-feira, 14. Perto do Perigeu – o ponto mais próximo de sua órbita ao redor da Terra, a Lua pareceu 14% maior a olho nu.

Se da rua da minha casa eu já conseguia ver um espetáculo, pensei que a noite de superlua poderia ficar ainda melhor. Dirceu Garcia e eu, o fotógrafo do Portal GCN, fomos então ao Observatório Municipal de Astronomia, que fica no Colégio Champagnat. O lugar está de recesso por duas semanas, mas contei que queria registrar o dia do ano em que o astro estaria mais perto de nós. Deu certo.

O professor do Observatório, Elimar Borges Cardoso, acompanhou a nossa visita. Em menos de uma hora e meia, foi como se eu tivesse assistido toda a série “Cosmos”, somente pelas explicações do professor Elimar.

Assim que chegamos, ele disse que o bom da superlua mesmo era observá-la a olho nu. Confesso que fiquei surpresa, porque claramente na minha cabeça um telescópio de quase um metro captaria melhor a beleza da lua do que meus olhos. Ainda assim quis olhar pelo equipamento, afinal, não poderia perder a oportunidade.

“O legal de observar são as crateras, mas essa Lua aqui tem muita luz, então só dá para ver umas beiradinhas. A Lua crescente é a melhor... Dá para ver aquelas crateronas”, disse Elimar.

Registro da Lua nessa quarta-feira - Reprodução/Carol Klein

A Lua estava tão grande que quase não cabia na lente do telescópio. A noite trouxe o astro a 360 mil quilômetros de distância da Terra. Quando ele atinge o Apogeu, fica em torno de 400 mil quilômetros de nós – ou seja, vimos a superlua 40 mil quilômetros mais perto.

Pelo horário, não consegui avistar nenhum planeta – o que, segundo o professor Elimar, é o grande show do Observatório. Mas como o céu estava sem nuvens, pedi para mirar o telescópio para as estrelas. De cara, vi a Alfa de Centauro, a estrela mais brilhante da constelação e a que está mais próxima de nós.

“O brilho dela está há quatro anos-luz da gente e não existe nenhuma estrela mais perto da Terra”. Pode ser que aquele brilho que vi, já nem exista mais. Ainda bem que deu tempo de ver.

A experiência única de conhecer o Observatório e absorver tudo o que os professores têm a compartilhar sobre o universo é disponível a toda a população. O local reabre as portas ao público na segunda-feira, 25. De segunda a sexta-feira, das 19 às 22 horas, os francanos podem visitar gratuitamente o espaço e se deslumbrar com todos os astros.

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