Já é rotina do francano sair do trabalho ou de casa, olhar para o céu e constatar a paisagem poluída de fumaça. O clima seco e época de estiagem contribuem para o aumento de queimadas em áreas de mato. E por mais que possa acontecer de forma espontânea, os incêndios são praticamente 90% de origem humana. De maio a junho deste ano, já foram registrados, em Franca, 293 focos de incêndio em matas pelos bombeiros.
Essas queimadas vem sendo presenciadas pela população todos os anos. Em 2020, foram registrados 471 focos de incêndio, de maio a setembro; em 2021, outros 517 focos também foram registrados na mesma época. Esse é um problema que, juntamente com o tempo seco, acabam desencadeando doenças respiratórias, como bronquite e asma. Para prevenir, programas de palestras em escolas, conscientização por meio de algum evento na cidade e afins, são presididos todos os anos pelos bombeiros de Franca.
A capitã do 9° Agrupamento de Bombeiros de Franca, Sandra Elaine, explica que esta época do ano é muito delicada em relação a esse tipo de incidente. “Foi um aumento de 52% dos focos de queimadas em áreas de mato, de maio para junho, tendo respectivamente, 129 queimadas em maio, e 164 em junho”, explicou Sandra.
Para os bombeiros de Franca, o ano é dividido na operação “Corta Fogo” em três fases: verde, amarela e vermelha. A capitã explica que em decorrência das épocas do ano, os meses são separados para que haja um melhor manejo de toda a situação das queimadas.
Na fase verde – ocorre de novembro a março –, os agentes de bombeiros fazem uma análise de todo o trabalho feito e o que aconteceu nos anos anteriores, para criar estratégias e planos. Também fazem registros de alertas em áreas que pegam fogo frequentemente ou que podem pegar fogo.
A fase amarela – de abril a maio – é constituída no fortalecimento das forças do Corpo de Bombeiros, com treinamentos teóricos e práticos, e em outros setores de outras cidades da região.
A fase vermelha – época de estiagem, de maio a outubro – é quando os focos de queimadas estão em ascensão na cidade, o que faz necessário utilizar do planejamento, estratégia e treinamento das outras fases, além do apoio da população que recebeu as palestras e conscientização, para batalhar contra as queimadas.
Mas mesmo com os planejamentos e cuidados, as queimadas podem ser imprevisíveis. Sandra diz que cada ano é muito peculiar, com suas próprias características, e lembra da grande queimada que aconteceu em setembro de 2021, na região de Franca. Veja aqui a reportagem
Estas ações são tomadas para que o controle das queimadas seja mais possível. Uma luta com um longínquo ponto final. É fácil perceber como é uma luta árdua para os bombeiros pelas cenas que reportagens do Portal GCN já captaram ainda neste ano.
Na própria “Semana do Meio Ambiente”, programa promovido pela Prefeitura de Franca, foi registrado uma queimada de grandes proporções em áreas de mato, no bairro Esmeralda, um local afastado da região do Franca Shopping, onde era possível ver os rastros no céu que a queimada causou. No mesmo dia, 9 equipes de brigadistas já estavam em operações diferentes para controlar outros focos de queimadas na região.
Na primeira terça-feira de junho, dia 4, no período da tarde, aconteceu uma queimada intensa na lateral da rodovia Cândido Portinari, perto do pontilhão da avenida Santos Dumont, um trecho bem movimentado. O evento deixou a visibilidade, das vias de grande tráfego, bem reduzida, o que poderia ocasionar em um acidente de trânsito pela baixa visibilidade.
A briga contra os incêndios nesta época do ano é imensa, mesmo com a repercussão das matérias jornalísticas e o trabalho dos bombeiros, há quem coloque fogo em áreas de mato, seja para queimar a vegetação ou queimar resíduos descartados no local, como na cena abaixo, registrada na sexta-feira, 8, no bairro Bonsucesso.
Foto Gabriel Garcia/GCN
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