À luz do dia, em ruas movimentadas ou colocando a própria vida em risco. Nenhum desses motivos é suficiente para intimidar criminosos que se arriscam para furtar fios elétricos. Esse tipo de crime explodiu nos últimos meses, e ninguém escapa dos transtornos, seja a sociedade ou poder público.
Quem furta e vende esses fios garante, no máximo, o dinheiro da semana. Já quem é roubado tem um prejuízo enorme – e quem compra, mais ainda, até prisão. O delegado do setor de investigações gerais, Eduardo Lopes Bonfim, confirma que o perfil de quem comete o crime é geralmente o mesmo: pessoas em situação de rua e dependentes químicos.
“Eles furtam, arrancam o que precisa, que é o cobre, e descartam o resto em caçambas. Às vezes não precisam nem entrar na casa, furtam nos postes mesmo. Essa prática aumentou muito porque para esse pessoal é fácil”, disse o delegado.
Bonfim ressaltou que, mesmo com a grande quantidade de furtos em postes, as casas são as mais “convidativas” para o crime, principalmente as que estão visivelmente abandonadas, para alugar ou à venda. “Praticamente todos os dias a gente registra ocorrência de furto de fios elétricos”.
Para que haja tantas ocorrências, há quem receba o material. Somente neste ano, cerca de quatro pessoas foram presas por receptação, mesmo já tendo ciência do crime. “No ano passado nós fizemos uma reunião com todos os sucateiros avisando que, se comprassem, seriam presos, porque sabem que o fio é furtado. Não chega lá um ‘pé rapado’, do nada, com um monte de fio, falando que achou em uma caçamba e você não sabe que é furtado”.
Os ladrões vendem barato e os sucateiros revendem pelo dobro do preço. Há estimativa que um quilo de fio seja vendido para ferros-velhos por, em média, R$ 30.
Prejuízo
A Prefeitura tem sofrido com a onda de furtos. Somente neste semestre, o poder público desembolsou mais de R$ 50 mil para o conserto de semáforos que foram alvo dos bandidos. Além do financeiro, a população se depara, quase todos os dias, com transtorno no trânsito por conta da sinalização.
Na última semana, mais de 400 metros de fios foram furtados no cruzamento das avenidas Champagnat e Alonso y Alonso – um dos locais mais movimentados de Franca. Além disso, escolas, unidades de saúde, praças e obras também foram furtadas no último mês.
Por duas vezes o transmissor da Rádio Difusora, que fica localizado no bairro Santa Terezinha, também foi furtado. Foram duas semanas de programação fora do ar, além dos prejuízos para o conserto. “É lamentável que um problema tão sério e recorrente não tenha solução. É preciso que medidas de segurança sejam aliadas ao cumprimento de leis já existentes, e que dificultem a comercialização desses materiais furtados”, disse a diretora artística da emissora, Cíntia Flávia.
Solução
Embora seja um desafio difícil de lidar, a Polícia Militar, Civil e a Prefeitura buscam soluções. O secretário municipal de Segurança, Marcus Araújo, afirmou que as rondas noturnas estão sendo intensificadas por toda a cidade, especialmente nos pontos de maior incidência.
Guarda Civil, Polícia Militar e a Vigilância Sanitária também têm feito operações em estabelecimentos que comercializam materiais usados e outros. O foco é chegar aos receptadores.
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