VIOLÊNCIA

Maio de 2022 é o mais violento dos últimos cinco anos em Franca

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Criminoso leva produtos furtados de casa em carriola na rua Campos Salles, no Centro, em maio passado
Criminoso leva produtos furtados de casa em carriola na rua Campos Salles, no Centro, em maio passado

O mês de maio de 2022 se tornou o mais violento dos últimos cinco anos em Franca. Com 548 casos registrados - cerca de 18 por dia - de roubos e furtos, o mês só perdeu para o maio 2017, quando 620 crimes de foram registrados. Os dados são do levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Os crimes são diversos e acontecem em todos os bairros, mas as regiões do Centro e da Estação lideram o ranking, com 189 casos registrados.

Os bandidos parecem não se importar com nada. Os crimes que vão de furto a casa em reformas a roubo de joalheira, como o que aconteceu no Centro, em plena luz do dia.

Em ambos os casos, ninguém foi preso.

O aumento nos índices de violência preocupa e deixa a sensação de segurança cada vez mais baixa. Esse é o caso de um representante comercial, que após um furto em sua casa, não consegue ficar muito tempo fora de casa.

"Eu estava viajando, quando os criminosos agiram. Cheguei em casa e não vi o carro na garagem. Foi um susto. Nunca tinha acontecido isso antes. Me senti impotente, invadido, uma sensação horrível. E você sabe que não pode fazer nada", disse a vítima, que preferiu não se identificar.

"Agora, qualquer barulho a gente se assusta. Tem hora que preciso sair, aí me dá uma sensação ruim. Tenho que ir correndo até em casa pra ver se está tudo bem", contou o representante.

No caso dele, os bandidos levaram um carro, televisores, computadores e várias outros pertences, além de terem ficado por dois dias no imóvel, porque a vítima estava viajando.

Os bandidos também não perdoam unidades prestadoras de serviços como escolas e UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

A situação chegou a um ponto que até a Abifran (Associação das Administradoras de Bens Imóveis de Franca) se pronunciou sobre o aumento de crimes.

Segundo a associação, as casas vazias para alugar ou vender estão sendo alvos constantes de ladrões que levam tudo das residências.

De acordo com os dados da SSP, o que fez os índices de violência aumentarem foram os casos de furto, com 445 crimes registrados em todo o mês de maio.

Segundo o delegado Márcio Murari, responsável pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o aumento está preocupando a Polícia Civil.

“Esse aumento de furtos, roubos e assaltos à mão armada tem nos preocupado bastante. Nós, da DIG, temos feito reuniões com o (delegado) seccional, o doutor Wanir (José da Silveira Júnior), sistematicamente, pedindo um empenho da investigação policial para descobrir os autores”, afirmou o delegado.

Murari afirma que, apesar do empenho tanto da Polícia Civil quanto da Militar, as leis que não deixam criminosos que praticam o furto, por exemplo, na cadeia, são um dos motivos para que os bandidos se sintam impunes.

“Infelizmente, a nossa legislação hoje facilita a atuação criminosa. Tenho 31 anos de polícia. Fazemos plantões de 12 horas. Aí, a Polícia Militar apresenta o autor de furto, demoramos três horas para fazer o auto de prisão em flagrante e, na manhã seguinte, ele é submetido a audiência de custódia, que nada mais é ver se o autor ou réu foi agredido”.

“Em seguida, o juiz tem a obrigação de deliberar se ele vai ficar preso ou não. Isso não é culpa do juiz, porque ele tem que cumprir a lei, e a lei é essa. A nossa legislação, hoje, determina a prisão somente para casos que envolvam violência, grave ameaça ou que o autor tenha uma longa ficha criminal. Cansamos de prender bandidos que furtam carros, furtam fios e no dia seguinte estão nas ruas. Infelizmente é a lei”, concluiu.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública,  o policiamento em todas as regiões da cidade tem sido reforçado para que os crimes sejam evitados.

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