RECORDE

Com ‘boom’ do café e calçados, exportações atingem melhor início de ano desde 2011

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/GCN
Setor calçadista foi responsável por US$ 37,4 milhões em exportações
Setor calçadista foi responsável por US$ 37,4 milhões em exportações

As flexibilizações das medidas contra a pandemia não só permitiram a retomada dos setores econômicos, como também impulsionaram os negócios com o mercado internacional. Desde 2011, Franca não tinha um desempenho tão positivo durante os cinco primeiros meses do ano, como tem tido neste ano. Segundo a ComexStat – plataforma com estatísticas do comércio exterior –, US$ 92,5 milhões já foram exportados pelo município.

A quantia é a maior desde 2011, quando Franca exportou um total de US$ 109,7 milhões, entre janeiro e maio. Neste intervalo de 11 anos, são poucos os anos que se aproximam da quantidade atingida em 2022. Os anos de 2012 e 2014, por exemplo, eram os de melhor desempenho, até então, com US$ 77,7 milhões e US$ 78,7 milhões, respectivamente.

Além da recuperação pós-pandemia para o mercado mundial, o economista Deyvid Silveira acredita que o baixo poder de compra do brasileiro, devido à covid-19, também levou os setores a focarem no mercado exterior.

“Isso se encaixa principalmente no setor calçadista. Tempos atrás, existia um entendimento de ampliar a produção no mercado interno. Mas hoje, entre uma decisão de consumo do cidadão, ele vai optar pelos itens de maior necessidade. Então, essa questão é muito impactante”, analisou.

Os números atingidos mostram também uma divisão maior entre os setores. Antes, focado no setor calçadista, o município agora não depende tanto das fábricas, com uma grande força vinda do café.

O setor cafeeiro, inclusive, é o que mais contribuiu por enquanto. Dados do ComexStat apontam que US$ 43,5 milhões foram exportados de café, com o setor tendo seu melhor ano desde 1997, quando a plataforma passou a levantar os dados.

Deyvid diz que o preço atual da saca de café, estimado em US$ 232,91, colaborou para o "boom" do setor. Há um ano, de acordo com a Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), a saca custava US$ 152,6.

“Tivemos uma melhora de, no mínimo, 30% no valor da saca. Isso é recorde em dólares. Então, isso é um dos fatores. Além do aumento progressivo em quilos. Para uma equiparação, em 2021 tivemos 23 milhões de quilos. Agora, em maio, chegamos em 13 milhões”.

Não muito atrás, o setor calçadista também está tendo um ótimo desempenho. Nestes primeiros cinco meses, já foram exportados US$ 37,4 milhões, com a indústria calçadista tendo seu melhor ano desde 2015. Para o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), a pandemia colaborou para os resultados, já que o olhar mundial voltou para o mercado brasileiro.

“Isso em detrimento dos fornecedores asiáticos que estavam com falta de matéria-prima, enfrentando novos lockdowns e provocando incerteza nas entregas. Outro fator interessante foi a escassez de produtos nas vitrines, principalmente nos Estados Unidos, além da preferência por calçados brasileiros, em especial os calçados de couro de Franca”, analisou Brigagão.

O impulso dos negócios internacionais causou um crescimento também na geração de empregos. Em comparação há dois anos, a indústria calçadista aumentou em 47% o número de postos trabalhistas. Em maio de 2020, eram 11.127 empregados na área. Agora, são 16.411, conforme dados do Sindifranca.

Apesar do aumento, Brigagão diz que a quantia é insuficiente para atender toda a demanda do setor. Para se ter uma ideia, em maio de 2019, o setor empregava 17.983 pessoas e chegou a empregar 30 mil, em outubro de 2013.

“A pandemia provocou a migração da mão-de-obra para outros setores da economia que continuaram ativos, em especial o de serviços. Com isso, o aumento da nossa capacidade instalada está comprometido, até que esta situação encontre um novo ponto de equilíbrio.”

No setor cafeeiro, também houve um impulso de quase 10%. Em 2020, eram 700 empregados, enquanto agora são 769 trabalhadores.

Projeções
Na visão de Deyvid, com o volume exportado nestes primeiros cinco meses, tudo se projeta para um excelente segundo semestre, principalmente do setor calçadista. “O calçado mantém o ritmo de volume ao longo de todo ano, porque vai de acordo com as vendas. Enquanto o café tem períodos específicos de colheita e não se estende no mesmo ritmo. Então, para o calçado, imaginamos uma manutenção e superação de outros períodos”.

O Sindifranca estima que até o fim do ano seja exportado pelo setor um total de US$ 87,7 milhões. “A nossa meta é voltarmos aos patamares de produção e faturamento de 2013. Em 1993, exportávamos 15,5 milhões de pares e um faturamento de US$ 256,5 milhões. No entanto, a nossa estimativa até então para 2022 é de produzirmos um total de 21,4 milhões de pares e deste total exportamos cerca de US$ 87,7 milhões”, calculou Brigagão.

Se a previsão se confirmar, o setor deve ter seu melhor ano desde 2013, quando US$ 89,2 milhões foram exportados em calçados.

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