Pé na areia e força nas pernas. Esse é o slogan de quem pratica os esportes de areia, como vôlei, beach tennis, futebol e futevôlei. Os esportes de areia viraram febre na pandemia. E a procura por eles continuam até hoje. Mas qual o preço de se lançar na "moda do momento" sem o devido preparo físico?
As pessoas comuns que aderem à vida de atleta nas arenas de areia têm uma grande propensão a lesões e dores, por falta de fortalecimento muscular e preparo, segundo observado por fisioterapeutas nos últimos tempos. A percepção dos profissionais da área é que, com o advento dos esportes de areia, cresceu também o número de pacientes que procuram atendimento para tratar lesões relacionadas à prática esportiva.
Atuando na área por 10 anos, o fisioterapeuta Alberto Amado, especialista em biomecânica do corpo humano e na área de esportes de areia, diferencia os atletas de alto rendimento e quem pratica o esporte por recreação. “Os profissionais têm todo um corpo médico que realiza o suporte necessário para o seu dia a dia, sendo três atividades: comer, treinar e descansar. Já ao atleta que entra por vontade tende a ter a mesma carga de treino e jogos, mas totalmente sem o preparo físico”.
Um desses atletas amadores é Pedro Sousa, de 21 anos. Consultor de vendedores de marketplace, adora o futevôlei, mas já passou por uma lesão com o esporte. “Eu jogo todos os dias em que tenho oportunidade. Jogo quatro vezes na semana, no mínimo. Tem semanas que chego a jogar sete dias”, disse ele, explicando que sua lesão foi acidental, e não falta de preparo. “Eu caí em cima da minha perna, acabei quebrando o tornozelo". Mas ponderou: "A movimentação na areia é algo complicado, exige muito esforço”.
A observação de Pedro é confirmada pelos estudos do fisioterapeuta Alberto Amado. “Quanto mais joga, mais delicado fica” em relação aos tornozelos, joelhos e quadris. “É muito comum ver as pessoas que jogam sofrerem desse tipo de problema. Já presenciei várias vezes, tanto no meu time quanto jogando contra, as pessoas sofrerem câimbras, contusões e até distensões de músculo nos membros inferiores”, relatou o consultor.
Bruno Marinho, também fisioterapeuta, trabalha na área há nove anos. Ele explica que as lesões nos esportes de areia variam por modalidade e ainda estão em estudo. "A literatura já possui alguns dados em relação ao futevôlei, onde é demonstrada que as lesões musculares como estiramentos e contraturas são mais comuns. Quanto ao beach tennis não existem muitos dados ainda, até por se tratar de uma modalidade mais recente.”
Além da modalidade esportiva, os problemas variam de pessoa para pessoa. Mas uma coisa é certa, as lesões e dores são de nível em nível. “Normalmente, as pessoas lesionam primeiro o tornozelo. Com uma dificuldade para realizar os movimentos que antes faziam, eles compensam com o joelho, assim levando lesões ao joelho também. Do mesmo jeito, acabam lesionando o quadril, por exigirem mais movimentos de diferentes áreas do corpo já que as outras têm dificuldade de executar”, explica o fisioterapeuta Alberto Amado.
A saída para evitar as lesões é o fortalecimento dos músculos. Foi o que fez o universitário Victor Augusto, 20, que cursa engenharia mecânica. Ele conta que começou a praticar vôlei de areia em uma das quadras do Poliesportivo, em 2019, quando passou a sentir dores no joelho. “No começo sentia dores no joelho, por ter pouca musculatura nas pernas. Depois de um ano na academia, treinando o fortalecimento do meu corpo, essa dor sumiu”. Saudades é o que o estudante sente em relação ao esporte e diz que não vê a hora de voltar às quadras de areia.
Quadros clínicos comuns que Bruno e Alberto observam nos atendimentos de fisioterapia
Futevôlei: mais lesões musculares (estiramentos e contraturas) em posteriores da coxa e adutores de quadril, seguido de entorses de tornozelo e lombalgia.
Beach Tennis: Mais lesões no cotovelo (epicondilite lateral), fasciopatia plantar, seguido de tendinopatias de pata de ganso (joelho) e tendinopatia de tendão de Aquiles. Casos esporádicos de tendinopatias do ombro também têm ocorrido.
Acompanhamento médico junto ao esporte
Tanto os atletas como fisioterapeutas recomendam que haja um acompanhamento profissional junto à prática esportiva.
“Uma avaliação funcional direcionada ao esporte é fundamental para que a pessoa conheça suas capacidades físicas e para orientação de progressão no esporte. Vale verificar também sua condição cardiorrespiratória para as atividades de grande intensidade, para que a prática esportiva seja mais segura”, concluiu o fisioterapeuta Bruno Marinho.
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