A tradutora e editora Heloisa Jahn, uma das mais reconhecidas profissionais de seu campo no país, morreu em sua casa em São Paulo nesta segunda-feira, 27, de causa ainda não confirmada, aos 74 anos.
Jahn tinha no currículo a tradução de nomes basilares da literatura em espanhol, como Jorge Luis Borges, Mario Vargas Llosa, Ricardo Piglia e Julio Cortázar, de quem foi amiga.
Do inglês, traduziu romances de clássicos como George Orwell e Charles Dickens e acabou de publicar uma versão bilíngue dos poemas da canadense Louise Glück, vencedora do Nobel de literatura.
Gaúcha de Montenegro, a tradutora passou boa parte da juventude em seu estado natal e se mudou para São Paulo aos 20 anos, ao se transferir para o curso de filosofia na Universidade de São Paulo.
Na década seguinte, durante o período mais tenebroso da ditadura militar, foi detida e interrogada pelo braço armado do governo e decidiu se exilar de 1970 a 1977, afiando suas habilidades com múltiplos idiomas enquanto conhecia diversos países da Europa.
Foi nessa época, aliás, que se apresentou a Cortázar, escritor que admirava e que decidiu abordar de supetão durante uma de suas visitas a Paris. Os dois depois estabeleceram uma correspondência firme e afetuosa até a morte do contista argentino, em 1984.
A tradutora voltou a São Paulo em 1985 e trabalhou pelos 30 anos seguintes em editoras de proa como Brasiliense, Companhia das Letras e Cosac Naify, até o ano de encerramento desta casa de referência. Depois, se aposentou e passou a se dedicar sobretudo à tradução.
Filha de uma professora primária e de um empresário amante de livros, contou em depoimento recente ter se alfabetizado de forma quase autodidata numa mistura do português com o espanhol, já que tinha lembranças de ouvir, com os irmãos, Dom Quixote traduzido em voz alta pelo pai. Gostava do desafio de decifrar palavras e códigos.
Tinha afinidade particular também com a literatura infantil, tendo trabalhado obras do dinamarquês Hans Christian Andersen para a editora 34 e os Contos de Grimm para a Companhia das Letras, por exemplo, numa lista que supera uma centena de traduções.
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