ELETIVAS

Mais de 14 mil francanos estão na fila de cirurgia: 'Não dá para esperar a vida inteira'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Maria Silva espera há seis anos por uma cirurgia na bexiga
Maria Silva espera há seis anos por uma cirurgia na bexiga

A fila para a realização de cirurgias eletivas em Franca se arrasta por tantos anos que já se tornou um problema crônico. Segundo a lista mais recente divulgada pela Prefeitura, 14.184 pessoas estão à espera de um procedimento cirúrgico – que pode não ser considerado urgente, mas que impacta profundamente o dia a dia dos que vivem na pele um problema de saúde.

Dos procedimentos que mais têm demanda na cidade estão as cirurgias do aparelho digestivo, órgãos anexos e parede abdominal, com 3.511 pessoas na lista. Em seguida, cirurgias do sistema osteomuscular, com 3.204 pessoas e cirurgias do aparelho geniturinário, com 3.052 solicitações.

Maria Silva, de 61 anos, espera há seis anos por uma cirurgia. A dona de casa precisa realizar um procedimento na bexiga, pois sofre de incontinência urinária e se sente desconfortável em estar em uma situação dessas com a idade que tem.

“Quando não estou com tosse, tenho que usar absorvente todos os dias e trocar duas, três vezes por dia”, falou. Maria foi encaminhada para a cirurgia ainda quando tinha 55 anos e contou que tem medo de, quando chegar a sua vez, já estar muito mais idosa. Além disso, desenvolveu um quadro de depressão por conta do problema.

“Tive depressão, porque penso que se nova já estou nessa situação, quando estiver velha meus filhos terão que cuidar de mim. Se um dia eu aposentar, a primeira coisa que vou fazer é um convênio, porque não dá para ficar esperando a vida inteira.”

Mutirão
No Estado de São Paulo, 540 mil pessoas passam pela mesma angústia de Maria Silva, aguardando há anos pelo procedimento cirúrgico. Sabendo da necessidade, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) anunciou um mutirão de eletivas com o objetivo de zerar a fila até o final do ano.

“A ideia do mutirão de cirurgias surgiu justamente daquele primeiro encontro que a gente fez em Franca, na constatação de que nós temos no Estado de São Paulo mais de 540 mil pessoas em filas de cirurgia, dos quais, mais de 13 mil em Franca. Essas filas foram formadas diante da covid, durante o período de pandemia não se fez cirurgia eletiva em São Paulo e no Brasil e, naturalmente, muita gente que tinha cirurgia programada, foi cancelada”, disse Garcia.

Apesar de o governador citar a pandemia, ela foi um agravante, e não a causa dessa extensa fila. Em 2019, antes de suspender os procedimentos, Franca tinha mais de 10 mil pessoas à espera de uma cirurgia eletiva.

O mutirão contempla 54 cirurgias ofertadas no SUS em sete especialidades como do aparelho circulatório, visão, digestiva e abdominais, osteomolecular e geniturinário, das glândulas endócrinas e em nefrologia. Os procedimentos começaram nos hospitais estaduais e filantrópicos desde 1º de janeiro, com o valor dobrado da tabela SUS.

No momento, a Secretaria de Estado da Saúde está realizando a contratação dos procedimentos junto a serviços privados de todas as regiões. O chamamento público para a contratação segue até o dia 29 de junho para inscrição das unidades. Os serviços privados que aderirem vão receber também o dobro do valor da tabela SUS, além de recursos para avaliações e exames pré-operatórios.

Apesar desse “reforço” dos hospitais privados, em Franca, tanto a Unimed/São Joaquim e o Hospital Regional/São Francisco já descartaram a possibilidade de participarem do mutirão. Desta forma, apenas o Ame (Ambulatório de Especialidades Médicas) e a Santa Casa de Franca farão os procedimentos na cidade.

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