Uma nova regra pegou de surpresa a administração do Lar de Ofélia, um dos mais tradicionais lares de idosos de Franca. Gerido pela Fundação Espírita Judas Iscariotes, com mais de 75 anos de história, o lar vai deixar de atender 74 idosos. A mudança será feita dentro de duas semanas, por determinação da Prefeitura.
O mais recente Edital de Chamamento, que é feito a cada cinco anos, impôs duas novas regras às entidades: a primeira delas reduz o número dos coletivos de idosos de 60 para 48 usuários. A segunda determina que cada OSC (Organização da Sociedade Civil) poderá concorrer a até dois Abrigos Institucionais (coletivos).
Segundo a Prefeitura, o chamamento deste ano foi elaborado com base nas legislações e orientações técnicas. Elas determinam um acolhimento com número reduzido de residentes para maior individualidade do público atendido. Apesar da mudança, o município garante que a reorganização não reduziu o número de vagas existentes em Franca.
Impacto
O Lar de Ofélia é um dos únicos na cidade que será impactado. A entidade acolhe, no momento, mais de 170 idosos distribuídos em três coletivos – um deles terá que ser extinto e os outros dois, reduzidos de 60 para 48 usuários. Os outros 74 idosos que moram há anos no lar e já estão familiarizados com a rotina terão que ser transferidos para outros lares.
Em uma espécie de desabafo, a administração da Fundação Judas Iscariotes publicou uma nota em seu site oficial lamentando a mudança sem aviso prévio. “O que nos deixa profundamente indignados, perante esta mudança, é a forma com que elas foram conduzidas pelos dirigentes do setor público. Não houve diálogo ou qualquer tipo de sinalização acerca dessas alterações. Fomos literalmente preteridos de qualquer possibilidade de participar do processo de construção da política pública de atendimento à pessoa idosa”, diz a mensagem.
A coordenadora do Lar de Ofélia, Ligia Leal, afirmou que esta mudança afetará vários setores da entidade, a começar pela estrutura física. “Temos uma estrutura física que comporta o atendimento de muito mais pessoas que isso, então vai diminuir esses atendimentos e vamos estar com espaço ocioso”, falou. Com a estrutura disponível, o Lar já começou a estudar a ideia de atendimentos particulares.
Outro impacto será nos próprios usuários, que terão um período de adaptação. “As famílias e idosos tiveram um choque muito grande, já que 74 dos nossos idosos vão ter que ser transferidos para outras entidades. Muitos demonstraram uma fragilidade, estão aqui há anos e a necessidade de ter que mudar de lar é muito difícil”, ressaltou Lígia.
A coordenadora explicou que a redução no atendimento também vai reduzir o número de funcionários na entidade. Atualmente, cerca de 130 profissionais atuam no Lar de Ofélia e alguns terão que ser desligados.
Apesar de ter que passar por uma reestruturação completa, a administração do lar, através da nota em seu site oficial, afirmou que conduzirão “este processo de transição com a sensação de que cumprimos nossa missão institucional”. O Lar de Ofélia é mantido através da contribuição dos próprios idosos, quando esses têm condição, além da Prefeitura e doações da sociedade.
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