O ex-ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a descartar a construção do Hospital Estadual em Franca. A afirmação foi feita na manhã deste sábado, 18, durante o Encontro Regional do Republicanos, no Castelinho.
Assim como disse na entrevista dada com exclusividade ao jornalista Corrêa Neves Jr, durante sua participação no programa 'A Hora é Essa!', da rádio Difusora, na última sexta-feira, 17, Tarcísio reforçou que e sua opinião é necessário investir nas instalações que já existem na região. “Em vez de sairmos construindo novas instalações, vamos reabilitar as que existem, para que elas possam prestar um bom trabalho, se não, corremos o risco de não termos custeio”.
O ex-ministro disse que a principal solução está na 'valorização' da fundação Santa Casa, que sofreria com a ‘asfixia financeira’. “É isso que subtrai vagas, afasta o atendimento do cidadão e traz a percepção de que está faltando a prestação de serviços de saúde”, disse o pré-candidato. Segundo ele, se isso for resolvido, a Santa Casa de Franca conseguirá atender a demanda da região. “Se eliminarmos isso, investirmos na Santa Casa e atuarmos com o perdão das dívidas, vamos ver a reabilitação de leitos”, completou.
Tarcísio comentou também sobre as enormes filas nos sistemas de saúde estadual e municipal. Para ele, uma forma de resolver a situação é investir na digitalização da saúde. “A saúde digital é fundamental e a telemedicina é a principal ferramenta para o médico de família. Se essa atenção primária funcionar, vamos ter sobra de leitos. Vamos resolver o problema do cidadão na base”, afirmou.
Por fim, Tarcísio disse que falta valorizar os profissionais de medicina e enfermagem, o que, segundo ele, força o “fechamento de leitos”. “Eles não são valorizados, têm salários baixos e não conseguimos os manter trabalhando em um só hospital. Nisso, perdemos a integração no serviço de saúde. É necessário contratar mais e melhorar os salários dos profissionais de saúde”.
Indústria
Além das questões de saúde, o pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes tratou sobre um tema que já foi discutido na véspera, com representantes do setor coureiro-calçadista, em Franca: a retomada da indústria. “Observem essa região tão forte e próspera, mas, que, nos últimos anos, temos visto a fuga de empresas, que estão procurando novos destinos. Elas estão saindo daqui porque outros estados decidiram ser mais agressivos”.
De acordo com ele, a principal forma para resolver isso é oferecendo um incentivo tributário para as empresas. “Quando você abre a mão de tributo, no fim você gera mais investimentos, empregos e arrecadação. O setor está sendo penalizado por algo que no fim das contas gera pouco para os cofres de São Paulo”.
Tarcísio afirma que, caso eleito, o Estado de SP vai “passar a ter uma postura muito mais agressiva. Podem ter certeza que as distorções tributárias e a falta de agressividade, que subtraíram empregos daqui, estão com os dias contados. Nós vamos estimular o ressurgimento das indústrias e Franca vai voltar a ser o maior polo calçadista do Brasil”.
Educação
Como proposta para recuperar os empregos, Tarcísio abordou também questões da educação. Para ele, é necessário que o Estado forneça mais ferramentas para garantir uma educação de qualidade.
“Precisamos de uma educação orientada para resultados, que dê ferramentas para que o jovem obtenha seu futuro. O jovem precisa saber ler, interpretar e escrever. Precisa de habilitação em outro idioma, capacidade de resolver problemas e conhecimentos de programação”, disse.
Com tudo isso na bagagem, Tarcísio reforçou que será possível introduzir o jovem no mercado de trabalho. “Temos que olhar também para a formação profissional do jovem, com o Estado pagando o salário dele, para que ele preste serviços para uma micro ou pequena empresa. Não é nenhum absurdo. Isso abre a porta do mercado. Se o Estado e o mercado tutelarem o jovem, nós estamos afastando ele do crime”.
Infraestrutura
Tarcísio não poderia deixar de falar sobre a área em que trabalhou por anos no governo federal. De acordo com ele, 1.075 obras estão inacabadas no Estado de São Paulo e a sua ideia é “acabar com isso”. “Temos obras da Copa que estão abandonadas até hoje. Obras como postos de saúde, creches, escolas, além de obras grandes. Está na hora de fechar essa conta e gerar emprego por meio da infraestrutura”, disse.
Segurança
O ex-ministro falou ainda sobre a segurança pública no Estado, que, assim como os demais temas, é pouco valorizada, em sua visão. Tarcísio acredita que está na hora de “parar de tratar o policial como suspeito e o bandido como parceiro”, disse.
Segundo o ex-ministro, são mais de 350 mil criminosos soltos pelo Estado, que não tem monitoramento algum. “E o Estado resolveu olhar o bandido? Não, está monitorando o policial. Uma tornozeleira eletrônica custa R$ 290, enquanto a câmara que colocaram nos policiais custa R$ 690. Eu prefiro monitorar o bandido”, afirmou.
A solução do pré-candidato é oferecer salários mais atrativos, além de incentivos para aumentar a classe dos policiais no Estado. “Não é possível que o Estado mais rico da nação pague um dos salários mais baixos para os seus policiais. Isso afasta os profissionais, fecunda vocações e faz com que eles abandonem suas profissionais. Tudo isso pela falta de valorização, promoção, assessoria jurídica e assistência médica”, finalizou.
Baixo público
Organizado pelo mesmo grupo que realizou o Encontro dos Conservadores de Franca e região, no último mês de maio, e que atraiu forte público, o saldo desta vez foi bem mais modesto. Com baixíssima adesão, o evento acabou atrasando uma hora, à espera de mais convidados, o que mesmo assim não surtiu efeito. Sem alternativa, os organizadores removiam cadeiras pouco antes do início dos discursos.
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