Depois de 23 anos, o Sesi Franca Basquete conquistou, enfim, o tão sonhado NBB (Novo Basquete Brasil). Diferentemente de 1999, quando a conquista aconteceu no Rio de Janeiro, desta vez veio com a força direta da sua torcida, no Pedrocão. O time francano derrotou o Flamengo, nesta quinta-feira, 9, por 80 a 65, e desentalou o grito de campeão nacional da garganta do torcedor francano.
Mas ao contrário da vez anterior, quando o Franca Basquete venceu o Vasco da Gama por 3 a 2, o primeiro título do NBB veio com um pouco mais de facilidade, por 3 a 1, e também contra um outro time carioca.
As semelhanças entre as conquistas francanas deste ano e de 1999 são muitas. Em 1999, Hélio Rubens Garcia conquistava seu último nacional com o Franca Basquete. Agora, em 2022, seu filho, Hélio Rubens Garcia Filho, o ‘Helinho’, retomou a dominância francana no cenário nacional.
Naquele jogo contra o Vasco da Gama, em 1999, a partida foi decidida apenas na prorrogação. Mas, para isso ter acontecido, o ídolo Chuí precisou pegar um rebote e converter uma cesta histórica de dois pontos para empatar a partida e levar para o tempo extra. Logo no 1° quarto, a equipe abriu 20 pontos de vantagem, com bom aproveitamento nas bolas de três. Depois, foi só administrar e conquistar o título com tranquilidade.
Para que Helinho Garcia pudesse repetir o feito do seu pai, o Franca Basquete, durante o intervalo dos títulos, precisou passar por uma série de provações. Logo após a conquista de 99, a equipe teve vários momentos complicados financeiramente, com times mais modestos. Nesse mesmo período, Franca viu Flamengo, Uberlândia e COC/Ribeirão Preto assumirem o protagonismo nacional.
Apesar de ser o maior campeão nacional, com 12 títulos, este é o primeiro NBB do Sesi Franca Basquete. Problemas entre a Confederação e os clubes fizeram com que a LNB (Liga Nacional de Basquete) fosse criada. Com ela, em 2009, surgiu um novo torneio nacional, o Novo Basquete Brasil.
Durante todos esses NBBs, o Franca viveu altos e baixos. Nas primeiras temporadas, o time conseguiu um grande aporte financeiro de uma empresa telefônica e brigou entre as primeiras posições, chegando a disputar uma final contra o Brasília, em 2012, mas saindo derrotado, após cinco partidas. A equipe da capital brasileira vivia uma hegemonia. Com os mesmos jogadores do time que dominou a década passada, o COC/Ribeirão, o Brasília já chegava como o atual campeão nacional.
Em menos de dois anos, o time da ‘Capital do Basquete’ saiu de um sonho para um pesadelo. Com a saída de todos os patrocinadores e nenhum apoio financeiro a vista, a diretoria cogitou a interrupção do time no cenário nacional. Em tom de ‘Agora ou Nunca’, os diretores pediram ajuda à torcida francana.
“Estamos vivendo um momento decisivo na história do Franca Basquete. Chegamos à hora do popular 'agora ou nunca'. E, para que o maior e mais tradicional clube de basquete do país não encerre suas atividades, precisamos da força do povo, precisamos do apoio da torcida francana”, escreveu o clube em seu Facebook, na época.
O apoio do torcedor veio, além do suporte de empresas de Franca e região. Com isso, o time seguiu como o único clube de história ininterrupta do basquetebol brasileiro. Nestes anos, após a ameaça de fechar as portas, o time contou também com o que tem de melhor para permanecer vivo: a sua base e a sua torcida.
A paixão do torcedor e as boas campanhas após ser assumido pelo técnico Helinho Garcia trouxeram uma excelente notícia para os francanos: a parceria entre Sesi e Franca Basquete. A junção trouxe um elenco recheado de estrelas, como Leandrinho, Léo Mendl, Jefferson, Rafa Luz e outros. Ainda assim, a temporada foi um fracasso, com o time sendo varrido pelo Bauru Basket.
A reformulação total da equipe veio. Esses nomes estrelados foram embora e chegaram novos. Um elenco com David Jackson, Lucas Dias, Rafael Hettsheimer e Elinho chegava à Capital do Basquete. Diferente do anterior, este conseguiu trazer de volta a tradição francana no basquete, levantando, inclusive, o troféu de campeão sul-americano e da Copa Super 8. Mas, novamente, em um final contra o Flamengo, o tão sonhado título do NBB escapou pelas mãos francanas.
Na temporada seguinte, o elenco teve uma manutenção e contou com adições de peso, como o armador uruguaio Nano Parodi e o ala argentino Leo Schattmann. Os reforços surtiram efeito. A equipe passou a vencer todos os adversários que batiam de frente, mas ninguém contava com a pandemia da Covid-19. A situação interrompeu o NBB, até então liderado pelo Sesi Franca Basquete.
No ano seguinte, com restrições financeiras e um time mais modesto, o Sesi Franca não conseguiu repetir os bons resultados. Do elenco anterior, apenas Elinho e Lucas Dias permaneceram, conseguindo levar a equipe até as quartas-de-final e sendo eliminado pelo Minas Tênis Clube.
Queremos o NBB
Depois de uma temporada difícil, a diretoria só tinha uma obsessão: o NBB. E não foi brincadeira. A diretoria reuniu os três melhores jogadores da edição anterior, mantendo Lucas Dias e trazendo Lucas Mariano e Georginho, além de trazer de volta o americano David Jackson e adicionar o multi-campeão Jhonatan Luz e o armador argentino Santiago Scala, além, claro, de manter sua base forte, tendo nomes como Márcio, Edu Marília e Adyel. Dos presentes no elenco, apenas Lucas Dias, pelo Paulistano, e Jhonatan, pelo Flamengo, haviam conquistado um NBB.
Mesmo com o mais forte elenco do cenário nacional, a diretoria pediu calma para os torcedores sobre o Campeonato Paulista, que seria utilizado para treinar a equipe. Porém, mostrando a sua qualidade superior às outras equipes, o time foi para a final, mas perdeu para o São Paulo, na última partida.
Ainda assim, os desempenhos durante o NBB justificaram a calma pedida pelos diretores. Em uma campanha história, o Franca Basquete venceu 29 dos 32 jogos da fase de classificação, terminando em 1º lugar da temporada regular.
Força de casa
O Ginásio Pedro Morilla Fuentes, o ‘Pedrocão’, foi a grande força do Sesi Franca Basquete na temporada. Foram 21 jogos em casa, contando temporada regular e playoffs, e nenhuma derrota sob os olhares do torcedor francano.
Na final nesta quinta-feira, 9, a casa esteve lotada para prestigiar a nova conquista de uma sala de troféus que está abarrotada de títulos.
Ídolos
Em todos os seus Nacionais conquistados, o Franca Basquete acumulou ídolos. Um deles: Marco Aurélio Pegolo, ou melhor, Chuí, esteve presente em quatro conquistas do Campeonato Brasileiro, inclusive, em 1999.
Acompanhando fora das quadras, Chuí comemorou a 12ª conquista nacional do Franca Basquete e já imaginou os próximos anos do time francano. "Eu acredito que esse título vai ser o começo de uma nova fase. Tenho certeza que iremos fortes por uns três ou quatro anos, e isso vai só fortalecer o basquetebol de Franca".
Bicampeão, em 1997 e 98, Rogério Klafke destacou a determinação da equipe, mesmo em períodos difíceis, além da torcida, que foram fatores determinantes para a conquista.
"É a realização e o ápice de tudo que foi feito nesse período. Demonstra que é um time que investiu, um grupo muito focado. A cidade merece este título. Na minha época, quando conquistamos o brasileiro, tínhamos uma conexão muito forte com a torcida. Era uma vibração e uma ansiedade muito grande. Depois disso, mesmo com problemas financeiros, a equipe não parou e continuou trabalhando sério. Se reestruturou", disse Klafke.
Agora, no mesmo salão desses ídolos, nomes como Lucas Dias, Lucas Mariano, Georginho, David Jackson e outros se juntam.
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