Um importante passo para a visibilidade e reconhecimento da população trans foi dado nesta quarta-feira, 8, em Franca. Dezenas de trans estiveram na sede da OAB (Ordem dos Advogados da Brasil) para dar início à retificação do nome e gênero nas certidões de nascimento e demais documentos.
A ação aconteceu graças a um projeto conjunto entre o Coletivo Arco Íris e a OAB Franca, após dois anos de muita luta. Presente na ação, o representante do coletivo, Eduardo Valentino, comemorou o primeiro passo dado. “Isso é a realização de um sonho. A população trans dentro da nossa sociedade são as pessoas que mais sofrem”, disse
De acordo com Eduardo, o projeto proporcionará um processo de retificação gratuito, ao contrário do que acontece quando as pessoas trans buscam uma unidade do cartório. “Franca não tem nenhuma Lei Municipal que trabalha com essa questão de retificação. Por isso, hoje, nos cartórios, existe uma despesa de R$ 300 para realizar o processo de retificação do nome social na documentação”, contou.
Um dos primeiros a chegar na sede da OAB, o desenhista Rafael Carlo, de 21 anos, contou que, se não fosse a iniciativa, não teria condições de realizar o processo. “Isso é uma grande conquista. Não só para mim, mas para todos. Existem muitas pessoas trans que não têm condições de pagar, e isso é uma atitude muito boa do Coletivo Arco Íris”.
Também presente, a cabeleireira Melissa Lonardi Silva, de 34 anos, destacou que a ação vai além de um nome no documento, mas também traz um reconhecimento para a população. “É muito importante, porque você se identifica com esse nome, mas é complicado se olhar no espelho, ver uma imagem feminina e ter que usar um nome de registro que não condiz com você. Isso é muito constrangedor”.
Segundo ela, são vários os constrangimentos já passados devido ao preconceito e falta do nome social na documentação. “Existem muitas pessoas que fazem questão de usar nosso nome de registro, mesmo sabendo que o nome social é o correto. Eu até entendo que muitos não sabem lidar com essa situação, mas em muitas outras vezes dá pra perceber que é uma questão de preconceito”.
No ano passado, Rafael viveu na pele a dificuldade proporcionada pela falta de documento, em diversas tentativas de conseguir um emprego. “Ano passado, infelizmente, eu gastei uma quantia bem razoável com currículo e Uber, e chegar no final e não conseguir nenhum emprego. E tenho buscado até hoje”, relatou.
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