"Não quero ser atendido em duas, três ou quatro horas. Posso ficar aqui um mês, mas quero que meu problema seja resolvido".
As palavras do aposentado Carlos Antônio da Silva, de 61 anos, descrevem o sentimento de revolta pelos constantes retornos ao Pronto-socorro "Dr. Álvaro Azzuz" sem conseguir resolver o seu problema de saúde.
Carlos procurou o PS no dia 30 de maio e foi orientado a buscar atendimento em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Na unidade do Jardim Aeroporto, não obteve a ajuda esperada, e retornou ao pronto-socorro nos dias seguintes.
O susto ainda estava por vir. "Quando foi na quinta-feira liguei para o Samu às 5 horas e me falaram que não podiam fazer nada. Peguei meu carro, desmaiei no Jardim Paulista e ainda quase peguei os outros", disse.
O aposentado contou com a ajuda de moradores do bairro. "Pela graça do povo que me socorreu. Fiquei uns 40 minutos desmaiado lá. Passou uma senhora, quero até agradecer ela, não lembro seu nome, que me socorreu".
Segundo ele, chegou no pronto-socorro, passou por três médicos e foi mandado para casa. Carlos foi diagnosticado com uma infecção grave no pulmão.
"Não estou podendo nem andar. Estou de bengala (...) intero a sexta vez aqui e até hoje não estou vendo resultado", ressalva.
Outras queixas
Se engana quem acha que Carlos é o único a reclamar do atendimento. Paulo Cancio Moura, de 47 anos, relata mais de cinco horas de espera no PS nesta terça-feira, 7. "Tem gente esperando desde as 8 horas e não foi atendido até agora. Tem gente passando mal".
O morador do Jardim Palmeiras está inconformado com a situação na unidade. "Estou sozinho, passando mal da garganta e dor de ouvido. Muita gente passando mal".
A reportagem esteve no local às 15 horas desta terça-feira, quando cerca de 150 pessoas esperavam atendimento no salão principal da unidade. Parte do público aguardava sentado no chão por falta de cadeiras devido a alta procura.
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