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Datafolha: Bolsonarista vê economia com otimismo, desconfia das urnas e defende armas

Por Júlia Barbon | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Metade dos eleitores que dizem votar em Bolsonaro diz acreditar que sua situação econômica melhorou nos últimos meses.
Metade dos eleitores que dizem votar em Bolsonaro diz acreditar que sua situação econômica melhorou nos últimos meses.

A parcela de eleitores que quer reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito de outubro é maior entre quem desconfia um pouco ou muito das urnas eletrônicas, entre defende a sociedade armada e entre quem não tomou ou tomou menos doses da vacina contra a Covid-19.

Em cada 10 de seus apoiadores, 8 acham que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos. Cerca de metade também concorda com a frase "o povo armado jamais será escravizado" e acredita que sua situação econômica melhorou nos últimos meses.

Veja abaixo o que pensam as pessoas que veem Bolsonaro como primeira opção para presidente sobre esses quatro temas: economia, armas, pandemia e urnas. Entenda também seu perfil, em geral mais masculino, mais rico, mais branco, mais velho e mais escolarizado, com destaque entre empresários.

Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 cidades de todo o país nos dias 25 e 26. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

A margem de erro total é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada candidato.

Dentro dessa amostra, são 1.234 a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 693 a favor de Bolsonaro e 179 a favor de Ciro Gomes (PDT).

1. ECONOMIA
Os eleitores de Bolsonaro em geral são mais otimistas em relação à economia: 41% acham que nos últimos meses a situação do país melhorou (em contraste com 14% do total) e 48% acreditam que isso também aconteceu em sua própria vida (contra 19%). Grande parte deles veem influência do tema em seu voto.

Apenas 16% de seus apoiadores recebem o Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família, diante de 26% entre os simpatizantes de Lula. Eles, porém, estão mais satisfeitos com o valor recebido, que é de no mínimo R$ 400 –quase metade o considera suficiente. A maioria não acha isso importante para decidir o voto.

2. ARMAS
Pivô de medidas de flexibilização no acesso às armas, Bolsonaro atrai o eleitorado que concorda com a frase "a sociedade brasileira seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência" –45% de seus apoiadores o fazem.

A marca é bem superior à dos adeptos de Lula (18%) e Ciro (15%).

Sob Bolsonaro, o Brasil atingiu em dezembro de 2020 a marca de 2 milhões de armas legais particulares, o equivalente a uma para cada cem brasileiros, segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que compilou os números do Exército e da Polícia Federal.

3. PANDEMIA
As pessoas que pretendem votar em Bolsonaro têm uma taxa menor de vacinação contra a Covid: 93% deles dizem que se imunizaram, ante 98% dos eleitores de Lula e Ciro. A porcentagem de quem afirma ter tomado a dose de reforço também é mais baixa (46%, contra 58% e 66%, respectivamente).

Isso porque nove em cada dez bolsonaristas acreditam que a pandemia esteja total ou parcialmente controlada e sete em cada dez avaliam o trabalho do presidente como ótimo ou bom nesse quesito. Consequentemente, 43% deles não têm medo de se infectar –o dobro dos eleitores de seus rivais.

A parcela dos apoiadores de Bolsonaro que concordam que o governo federal deveria fornecer a vacina gratuitamente para toda a população em 2023 (96%) também é ligeiramente menor em relação aos demais (99%), mas ainda dentro da margem de erro.

4. URNAS ELETRÔNICAS
A pesquisa aponta que 40% dos que pretendem votar em Bolsonaro não confiam nas urnas eletrônicas –contra 16% entre quem tende a escolher Lula e 13%, Ciro. Isso se reflete no alto índice de bolsonaristas que veem muita ou um pouco de chance de fraude nas eleições (81%).

É a mesma porcentagem dos que concordam que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos. Os apoiadores do presidente no geral não acham que suas declarações atrapalham o pleito (essa parcela é de 30%, metade dos 60% em geral).

Assim como entre os simpatizantes de seus rivais, porém, a maioria acredita que os ataques de Bolsonaro a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e suas ameaças sobre as eleições devem ser levados a sério pelas instituições do país.

5. PERFIL
O eleitor de Bolsonaro é bem mais masculino –27% dos homens o citaram como primeira opção espontaneamente, contra 18% das mulheres– e mais velho: suas intenções de voto são de 26% entre idosos acima de 60 anos e cai para 16% entre quem tem de 16 a 24 anos, o oposto de Lula.

O movimento é o mesmo de acordo com as faixas de renda. O presidente tem a intenção de voto de 44% dos que ganham mais de dez salários mínimos por mês, parcela que cai para apenas 15% entre os que recebem menos de dois salários mínimos, o contrário do rival.

Isso o faz ser a escolha de metade dos empresários, com índice também acima da média entre aposentados (25%). Ele costuma angariar mais votos ainda entre quem completou o ensino superior e entre brancos (27% nos dois grupos), além do Centro-Oeste (35%), onde vem subindo nas últimas pesquisas.

Nas respostas espontâneas, ele tem vantagem entre os evangélicos (32%, contra 25% de Lula). Nas entrevistas estimuladas de primeiro e segundo turno, porém, os dois dividem os eleitores desse grupo religioso.

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