O início de 2022 trouxe boas notícias ao setor calçadista francano, com a retomada das exportações e grande geração de empregos. Ainda assim, a alta produção e a necessidade de cada vez mais contratações expuseram uma realidade do setor: a insuficiência de mão de obra disponível no município para atender toda a demanda.
A dificuldade é confirmada pelo presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto. “Na recuperação da produção de calçados, seja para o mercado interno ou externo, como já está ocorrendo, realmente temos problemas na contratação de mão de obra”, afirma Brigagão.
Até fevereiro, na última atualização do Sindifranca, o setor calçadista empregava 15.169 funcionários. De acordo com Brigagão, a quantidade é insuficiente para aumentar a produção e atender à demanda atual. “A quantidade disponível não está sendo suficiente para o aumento de produção comprometendo as nossas exportações”.
Para o presidente do sindicato, a explicação para essa falta de trabalhadores, mesmo que o setor já tenha empregado quase 30 mil pessoas, é justamente por conta de uma crise enfrentada há mais de sete anos.
"Vários fatores influenciaram na redução da nossa produção e empregabilidade, a partir de 2015. Entre eles, a ausência de exportação por mais de 10 anos, limitando-se a 3 milhões de pares/ano, frente aos 15,5 milhões de pares para exportação em 1993. Toda essa situação provocou o desemprego, trazendo insegurança aos nossos trabalhadores, obrigando-os a procurarem outros meios de sobrevivência”.
Visando resolver a situação e não comprometer as exportações calçadistas, Brigagão diz que alguns projetos já estão sendo desenvolvidos. Um deles será em conjunto com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), com previsão de início para o segundo semestre, que deve capacitar moradores de Franca e região.
“Para tentar suprir esta falta de mão obra, nós iniciamos um trabalho junto com o Senai, na formação de mão de obra em pesponto e corte, em 14 cidades vizinhas de Franca. A intenção é formar a mão de obra, e montar bancas de pesponto e corte, nestas cidades, suficientes para suprir o nosso setor calçadista”, explicou Brigagão.
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