JUSTIÇA

Liberdade de assassino de auditor da Receita Federal é negada, mais uma vez

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Samir Panice Moussa, 48, matou Adriano Willian de Oliveira, 52, em março deste ano na avenida Major Nicácio
Samir Panice Moussa, 48, matou Adriano Willian de Oliveira, 52, em março deste ano na avenida Major Nicácio

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou na tarde dessa segunda-feira, 23, o pedido de Habeas Corpus do dentista Samir Moussa, 48, que matou a tiros o auditor da Receita Federal Adriano Willian de Oliveira, 52, na noite de 12 de março.

Na decisão, o relator Alex Zilenovski afirmou que “crimes contra a vida devem ser tratados com maior rigor, sobretudo por implicarem danos à ordem pública”.

No pedido, a defesa alegou que o dentista está sofrendo constrangimento ilegal por parte do juiz José Rodrigues Arimatéa, responsável pela Vara do Júri de Franca.

“Aduz que a manutenção da prisão preventiva está fundamentada em ‘conceitos subjetivos de ordem pública e social’, desconsiderando-se a primariedade do paciente, assim como o fato de ser pai de família, com residência fixa e profissional que desempenha trabalho lícito no distrito da culpa, qualificado pelo impetrante como ‘dentista de renome’ na Comarca”, declarou o advogado de defesa, Márcio Cunha.

O relator entendeu que do dia do crime até hoje, não houve nenhuma alteração dos fatos, e por isso, não houve constrangimento ilegal por parte do juiz.

“Provados a existência do crime, indícios de autoria, bem como a necessidade de garantia da ordem pública,não se vislumbra qualquer constrangimento na prisão processual em tela. O paciente está sendo processado pela prática de um homicídio qualificado, delito cuja conduta, em concreto, recomenda o cárcere”, continuou o relator.

Ainda na decisão, o relator disse que sobre a periculosidade de Samir, o  juiz Arimatéa é o melhor a avaliar, já que está diretamente ligado ao caso. “Ao contrário do sustentado pelo impetrante, a decisão que manteve a prisão preventiva vem calcada em fatos concretos e não na abstratividade genérica da gravidade da conduta”.

A defesa também afirmou que a gravidade do crime não é suficiente para “afastar a presunção de inocência”, além de sustentar que o assassino é o único cuidador dos filhos, e a ex-mulher não têm condições financeiras para arcar com as despesas de educação e criação.

O relator também foi contrário à argumentação que Samir é o único responsável pelos filhos menores de idade. “Note-se, ainda, que na própria inicial se extrai que o paciente não é o único responsável pelos filhos menores, eis que a mãe deles, funcionária pública, estará cuidando dos impúberes”.

Com a decisão, Samir deverá ficar preso até seu julgamento, que ainda não tem data marcada. Esta é a segunda vez que a defesa do assassino entra com um pedido de liberdade.

Entenda o caso
O homicídio praticado pelo dentista ocorreu na avenida Major Nicácio, Centro da cidade, entre o bar Vila Madalena, onde até pouco tempo funcionava o Bar da Careta, e a igreja Nossa Senhora das Graças.

Samir Panice Moussa, 48 anos, matou o auditor da Receita Federal de Franca Adriano Willian de Oliveira, 52, na noite de 12 de março.

Ele foi preso horas depois do crime pela polícia, com a ajuda de imagens gravadas por câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais próximos ao local do crime.

De posse das imagens, os policiais se dirigiram até a residência do autor dos disparos, no bairro Santa Rita. Ele não estava num primeiro momento. Os policiais aguardaram um pouco, e logo Samir chegou em casa. Foi então abordado, e confessou o crime.

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