Provavelmente é possível que você já tenha escutado alguém reclamar de ter ligado no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e o atendente ter dito que não podia enviar uma viatura para atender determinada situação. Será que essa negação para o envio de ajuda foi um tipo de negligência por parte do atendente? É provável que não é o que tenha acontecido, mas talvez tenha faltado compreensão de quem fez o telefonema sobre a real função do Samu. Afinal, você sabe quando se deve solicitar ajuda para esse serviço de urgência?
Outra questão, também ligada à saúde, que acaba por gerar dúvidas em algumas pessoas é sobre quando se deve procurar UBSs (Unidades Básicas de Saúde), UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e prontos-socorros.
Em uma entrevista ao Portal GCN, a coordenadora do departamento de urgência e emergência de Franca, Giane Alves Stefani, foi possível notar que muitas pessoas não compreendem ao certo quando o Samu age e em quais situações se devem procurar cada uma das unidades de saúde específicas. Giane esclarece com detalhes como funciona cada um desses serviços e faz orientações à população.
Primeiramente, Stefani destaca que para compreender todos esses serviços, é importante saber que os profissionais da saúde realizam uma avaliação inicial de cada paciente para que seja feita a classificação de risco, que é utilizada para se saber quais pessoas devem ser atendidas com prioridade, levando em conta a gravidade do problema que está enfrentando.
No topo de prioridade da classificação de risco estão as emergências, que podem ser compreendidas de maneira bem simples como situações em que o paciente passa por um sofrimento intenso ou passa por risco iminente de morte, sendo necessário receber tratamento médico imediato.
Em segundo lugar de prioridade, está a urgência, que assim como na emergência, é uma situação em que o paciente precisa de atendimento rápido, mas pode “esperar um pouco mais” que a emergência, porém, a ajuda ainda precisa ser acelerada, justamente para que a situação do paciente não se agrave. Os outros níveis de riscos abaixo destes dois são situações em que o paciente não está em perigo e não precisa de atenção médica imediata, podendo aguardar um pouco.
Tanto a emergência como a urgência são situações em que o Samu atua. A lista de situações que esse serviço atende é extensa, mas Giane cita alguns exemplos.
"O Ministério da Saúde indica que o Samu seja solicitado em situações de queimaduras graves, pacientes em trabalho de parto com risco, tentativas de suicídio, crises hipertensivas de aparecimento súbito, acidentes com armas brancas e de fogo, afogamentos, choques elétricos, acidentes com produtos perigosos, suspeita de infarto ou AVC, e muitas outras situações em que o paciente fique em situação iminente de morte", exemplificou.
"Quando fazemos a solicitação no dígito 192 (Samu) são casos em que a ambulância fará a diferença no atendimento daquela pessoa. Ela irá chegar muito rápido, ao invés de a pessoa se deslocar”, completou Stefani.
A coordenadora do Departamento de Urgência e Emergência de Franca conta que o Samu recebe cerca de 150 ligações por dia na região de Franca, e estima que as viaturas sejam liberadas para prestar atendimento em cerca de 30 a 40 vezes diariamente.
Isso não significa que as vezes em que a ambulância não sai de sua central é de telefonemas em que quem ligou pediu ajuda para uma situação não emergencial ou urgente. Giane conta que dentre as ligações, também estão trotes e orientações médicas feitas pelo médico regulador, que avalia a situação da solicitação e dependendo das condições, oferece ajuda médica a distância, a telemedicina.
Outra questão que não torna possível a ida da viatura do Samu para qualquer tipo de situação é por conta de sua frota limitada. Stefani conta que para Franca e suas cidades vizinhas, estão disponíveis quatro ambulâncias, das quais três são para suportes básicos de vida e uma para suporte avançado.
Prontos-socorros, UPAs e UBSs
Entendendo o que são urgências e emergências, as UPAs e prontos-socorros atendem esses tipos de casos. Essas duas unidades são para casos que precisam de atenção médica, porém que o paciente tenha condições de se locomover até uma unidade. Giane explica que não há diferença no atendimento das UPAs e prontos-socorros, tendo os dois tipos de unidade os mesmos serviços oferecidos.
“Dentro das UPAs e prontos-socorros, os principais sintomas que as pessoas deveriam procurá-las são cólicas renais, cortes que precisam de sutura, febre prolongada, vômito, diarreia de início súbito, dor de dente, pés torcidos, trocas de sonda, pressão alta e outras situações”, explica a coordenadora sobre quem deve procurar a UPA ou o pronto-socorro.
Stefani estima, que entre 10% a 20% das pessoas que procuram os serviços destas duas unidades realmente estavam em situações que foram classificadas como urgências ou emergências. “Os outros pacientes poderiam ter ido a uma UBS, mas é claro que nem todos, porque às vezes uma febre poderia ter sido tratada no início em uma UBS, mas passam de três dias e precisam ser investigados na UPA e PS”, explica Giane.
Agora, sobre as UBSs, Stefani conta que são unidades onde as pessoas devem fazer acompanhamentos, é quando se percebe que há algo fora do comum em sua saúde, mas a atenção médica não precisa ser imediata.
“A UBS é onde o hipertenso e diabético, por exemplo, verá a situação de sua doença e receberá acompanhamento médico, geralmente indo a uma unidade próxima à casa dele. Não adianta os pais pegarem a criança que está doente hoje e levar até o Pronto-socorro Infantil sem que ela tenha um acompanhamento”, ressalta a coordenadora.
Giane explica que é importante as pessoas terem um acompanhamento nas UBSs, pois os médicos passam a conhecer cada paciente e pelo que já sofreram, além de fornecer com o tempo um histórico mais detalhado de cada pessoa. “Nas UPAs e prontos-socorros, a equipe de profissionais de saúde varia, enquanto na UBS é sempre aquele médico que está ali e tem seu próprio segmento, coisa que nas redes de urgência e emergência não possuímos”, conta Stefani.
“Quando uma criança acorda com uma crise, por exemplo, então os pais devem levar para o pronto-socorro para tirarem a criança da crise. Porém, após sair da crise, quem deve acompanhar a situação da criança é o pediatra, que oferece esse acompanhamento na Unidade Básica de Saúde”, destaca Giane sobre outra importância da UBS.
Clicando aqui, você pode conferir através do Ministério da Saúde mais detalhes sobre quais situações as UPAs e prontos-socorros devem ser procurados. O programa Mais Médicos, do Governo Federal, também conta com explicações sobre quando procurar uma UBS, clique aqui e seja redirecionado para a página do programa.
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