Não foram poucas as pessoas em todo o Brasil que precisaram inovar, durante a pandemia, para sobreviver. Para uma parcela significativa destas pessoas, a abertura de negócios próprios foi o caminho possível. A aposta em adegas, depósitos e empórios de bebidas foi a opção de um grupo de empreendedores que, com o fim da fase aguda da pandemia, continua colhendo os frutos de sua ousadia.
Este é o caso de Fauez Mariano Souza, 30 anos. Assim como a mulher, Renata Ribeiro, de 28 anos, Fauez trabalhava como pespontador no setor calçadista e sentiu muito de perto os impactos do coronavírus sobre sua renda. "Trabalhava um dia e ficava dois ou três dias parados".
O casal se sentou para conversar. "Não sabíamos o que faríamos. Estávamos sem dinheiro, tudo parando". Foi quando surgiu a ideia de abrir o próprio negócio. "Não tínhamos dinheiro para começar. Fizemos um financiamento e começamos aqui".
Com o dinheiro em mãos, Fauez e Renata alugaram um cômodo na avenida Major Nicácio e a Good Of Beer nasceu em abril de 2020. "Começamos com bem poucas coisas. Graças a Deus já está bem melhor".
A ideia rapidamente rendeu frutos e o casal alugou um segundo cômodo na avenida para estocar bebidas. O leque de produtos também foi ampliado. "Desde cervejas até um uísque mais barato, um uísque melhor, vodka, gim, licor e todos os tipos de bebidas. Trabalhamos desde o varejo, com pequenas vendas, até o atacado também".
Apesar dos inúmeros tipos de bebida e da ampliação dos negócios, nem tudo são flores. Com a chegada do frio, o morador do Jardim Ângela Rosa sentiu uma queda nas vendas. "Parece que o povo está meio arisco para sair na rua".
O casal segue pagando o dinheiro do financiamento e não pretende voltar para a antiga vida na indústria calçadista. "A gente estipula o horário que a gente trabalha. Trabalhar por conta é bem melhor, ser funcionário é complicado".
Demissão e recomeço
Assim como Fauez e Renata, a história de Luís Fernando Peres, de 41 anos, também passa pela fábrica de calçados. "Em um belo dia, a empresa que eu trabalhava começou a dispensar os funcionários. Eu fui um deles".
Na varanda de sua casa, Luís Fernando alugava algumas mesas e cadeiras para complementar a renda. Em 2013, usou o dinheiro do acerto e investiu praticamente tudo o que tinha na compra de mais jogos para festas. Alugou um barracão e começou a trabalhar com a locação desses itens.
"Lembro que as mesas e cadeiras, na época, comprei no Paraná, e eles só mandavam acima de cem jogos, para não cobrar o frete. Comprei esses cem e, em seguida, mais dois lotes com a mesma quantidade. Então, comecei com 300", conta.
Assim nasceu a Tia Dila Festas. Quase dez anos depois do início das atividades, a empresa trabalha com um mix completo para eventos.
"Além das mesas tradicionais, temos vários outros tipos. Sem contar a área de talheres, pratos, garfos e facas. Passamos depois a vender carvão, gelo, conservadora e, agora, as bebidas".
Foi justamente durante a pandemia, quando teve uma queda brusca na locação de mesas e cadeiras por conta das restrições ao setor de eventos, que Luís Fernando decidiu comercializar bebidas. "A venda de bebidas trouxe um crescimento muito bom e agregou mais um produto que nós fornecemos para os nossos clientes".
O estoque de bebidas da Tia Dila Festas atende todos os tipos de eventos em Franca e região. "Fornecemos bebidas para barzinhos, quermesses, festas e casamentos. A pessoa vem, faz o pedido e conseguimos fazer um preço bom".
As bebidas impulsionaram as vendas, mas disposição é fundamental. Pedidos fora do horário comercial são comuns - e ninguém fica sem ser atendido. "Acontece frequentemente (de ligarem querendo bebida com urgência), quase toda semana. É barzinho ou baile em salão de festa, onde a pessoa não está contando tanto com um público e o evento estoura".
Mesmo de madrugada, Luís Fernando atende as ligações, pega sua caminhonete e leva os produtos para os clientes. "O meu prazer é atender bem, porque se eu atendê-lo, com certeza, ele vai me indicar".
Apesar da abertura de outros depósitos, Luís Fernando acredita que a concorrência não atrapalha. "Creio que todos têm que ganhar seu pão. Quanto mais comércios nesse setor, melhor... Até porque, se você tem preço bom, dá pra competir de igual para igual com qualquer pessoa".
Luís Fernando Peres, proprietário da Tia Dila Festas
Empório SS
Sérgio Eduardo Ferreira, de 46 anos, é proprietário de um depósito de bebidas. Durante três anos focou nas vendas para restaurantes e pizzarias.
"A gente percebia que para revender, a margem (de lucro) é muito espremida. Ainda tem que fazer a entrega e arcar com esses custos. Fui percebendo aos poucos que era uma boa tentar vender para o consumidor final", relembra.
Dessa vontade, nasceu há um ano o Empório SS. "Vi aquele barracãozinho para alugar e quis tentar. Já estava pensando nisso há algum tempo. Aí, deu certo".
Além dos mais variados tipos de bebidas, o empório também é um mini mercado e oferece um happy hour, onde os clientes podem se sentar, comer um espetinho e 'beber uma' com os amigos e família.
Para melhor atender os clientes, Sérgio arriscou. "Precisei fazer um investimento no toldo, no telhado aqui fora, pintei a loja de novo, adquiri mesa, churrasqueira, mais uma geladeira". O resultado veio.
"Hoje ela está auto-suficiente. A própria loja pagou todos esses investimentos diluídos no tempo, mas se consolidou. A gente tira os salários daqui", comemora.
Sérgio Eduardo Ferreira, proprietário do Empório SS
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