Na cidade mineira de São Sebastião do Paraíso, a 75 quilômetros de Franca, uma mulher foi encontrada morta em casa. Sem que ninguém soubesse, o filho de seis anos, que é autista, ficou por aproximadamente 12 dias ao lado do corpo da mãe sozinho no imóvel. A mulher tinha 39 anos de idade e era mãe solteira.
O corpo foi encontrado na última segunda-feira, 16, pelo irmão da vítima, que é funileiro. Sem notícias há dias de Ana Paula, ele foi à casa da irmã e sentiu um cheiro forte. Quando conseguiu entrar no quarto, encontrou o corpo já em avançado estado de composição.
A criança estava na cozinha quando o tio chegou. Exame realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) apontou que o óbito foi por infarto miocárdio. Conforme o laudo do IML, a morte pode ter ocorrido há mais de 12 dias. Durante esse tempo, o menino se alimentou da comida que estava sobre a mesa.
Comoção
O caso gerou muita comoção nas redes sociais. Na repercussão, muitas pessoas questionaram a demora em encontrar o corpo de Ana Paula, o que originou uma corrente com o nome “Eu sinto muito, Ana Paula”.
Entre a movimentação, circula um texto que diz: “Sinto pelo sua solidão. Sinto pelo fato de só notarem sua ausência 12 dias depois. Eu sinto muito pelo o que seu filho passou. Eu imagino que isso era um dos seus piores pesadelos, e ele aconteceu. Aconteceu porque mães atípicas, muitas vezes, recebem um tapinha nas costas, são chamadas de guerreiras, e depois abandonadas. Aconteceu porque mães solo são tão sobrecarregadas que não conseguem cuidar da própria saúde”, dizia parte do texto.
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