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Inflação em alta enxuga metade do carrinho de compras do francano

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
“Isso é uma tragédia enorme, porque a inflação afeta diretamente a população mais pobre', diz o professor e economista Cláudio Paiva
“Isso é uma tragédia enorme, porque a inflação afeta diretamente a população mais pobre', diz o professor e economista Cláudio Paiva

“Não comprei nada, e gastei R$ 100”. Você já deve ter ouvido essa frase recentemente ou até mesmo ter sido o autor dela. O espanto ao ir às compras, principalmente ao supermercado, se dá porque há poucos anos esse valor representava um grande volume no carrinho. A inflação, ainda muito subentendida na cabeça de muitos brasileiros, é a responsável por “abocanhar” metade do poder de compra da população.

Em Franca, o impacto é de literalmente 50%, pelo menos na alimentação básica. O último levantamento de preços da cesta básica divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da Uni-Facef foi realizado em 2018 e revelou que ao longo desses quatro anos muita coisa mudou.

Segundo o levantamento, um pacote com dois quilos de feijão custava, em média, R$ 6,79 em Franca. Hoje, o mesmo pacote custa R$ 18,90. O açúcar, que era R$ 8,63 o conteúdo com cinco quilos, aumentou para R$ 19,90. Um litro de leite longa vida era encontrado nas prateleiras por R$ 2,27, e agora não é encontrado por menos de R$ 4,50.

Com R$ 100, o francano consegue comprar atualmente um pacote de macarrão espaguete, arroz, feijão, açúcar, farinha de trigo, óleo de soja, um litro de leite e meio quilo de pernil suíno. Em 2018, com os mesmos R$ 100, era possível comprar isso e ainda sobrava pouco menos de R$ 50.

Isso é um reflexo da inflação, nome dado ao aumento dos preços e serviços. Acumulada nos últimos 12 meses, ela chegou a 12,13%. Nos dados mensais, o mês de abril registrou o maior número dos últimos 26 anos, com 1,06%. De forma prática, esses índices geram menor poder de aquisição da população em geral.

O professor e economista Cláudio Paiva considera o atual momento econômico como “um dos mais dramáticos da sociedade brasileira” e ainda pior para as classes mais baixas. “Isso é uma tragédia enorme, porque a inflação afeta diretamente a população mais pobre, já que quase toda a renda que se tem é para gasto com consumo, ou seja, alimentação, e quando se olha o aumento dos últimos 12 meses, ele foi muito forte no grupo de alimentos”, falou.

Cláudio ressalta que, para driblar a situação, muitas pessoas optam por substituir alimentos prioritários. No entanto, com a crise que assola o país, essa já não é mais uma opção.

“Lá atrás, substituíamos um produto de qualidade maior, por um de menor, por exemplo, a manteiga pela margarina. Hoje os brasileiros não conseguem sequer comer um ovo. Não estão trocando a carne de boi pelo frango, elas estão deixando de comer. A inflação está corroendo todo o poder de compra das pessoas empregadas, que ainda têm uma renda. As que não trabalham têm uma situação mais trágica ainda.”

Zelma Galvani, professora, é uma das francanas que teve que cortar alimentos. Há poucas semanas recebeu a orientação médica de se alimentar com mais vegetais, mas com o preço, não vai conseguir cumprir à risca.

“É complicado, porque é um momento que eu não posso substituir os alimentos, e cada dia que venho ao mercado está um preço. Não tem nem jeito de seguir o que o médico fala para você comer porque não dá. Não está dando condições”, falou.

A dificuldade vai além dos alimentos e acaba impactando todas as áreas da vida. Zelma tenta, mas reafirma que não é fácil. “A gente tenta economizar por outros lados, a energia, água, mas não está tendo muito como economizar. Os medicamentos estão caros, combustível também. Está bem complicado mesmo”.

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