Guedes ouve crítica sobre privatização da Petrobras, se irrita e vai embora

Por Idiana Tomazelli | da Petrobras
| Tempo de leitura: 3 min
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em anúncio nesta quinta
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em anúncio nesta quinta

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se irritou com críticas à privatização da Petrobras durante um pronunciamento à imprensa nesta quinta-feira (12) e deixou o local sem responder perguntas.

Ele deu uma breve declaração a jornalistas após se encontrar com o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e receber um pedido para iniciar estudos de desestatização da petroleira.

Ao fundo, era possível ouvir um grupo protestando, "vocês vão destruir o patrimônio do povo brasileiro". Não foi possível identificar quem disse isso.

Guedes levantou a voz. "Eu queria que todos soubessem que sempre respeitamos, estamos numa democracia, respeitamos os vencedores de eleições. Não quero falar de quem roubou a Petrobras, assaltou a Petrobras durante anos, roubaram, foram condenados, não quero falar isso", afirmou.

"Quero simplesmente receber um programa de governo que teve 60 milhões de votos, receber um pedido do novo ministro de Minas e Energia e encaminhar o processo", continuou.

Ele, então, encerrou o pronunciamento. Ao ouvir novas críticas, ele disse: "Nós vamos devolver ao povo brasileiro o que é deles, está certo?", e deixou o local.

Os jornalistas que estavam ali tentaram fazer perguntas ao ministro, mas não foram respondidos.

Antes, Guedes disse que o pedido de Sachsida será encaminhado à secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) ainda nesta quinta-feira.

Briga com sindicalistas
O ato de entrega do pedido oficial de início dos estudos para a privatização da Petrobras e da PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) também terminou em desentendimento entre sindicalistas e o ministro da Economia, Paulo Guedes, na manhã desta quinta-feira (12).

O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, se reuniu com Guedes na sede da Economia para apresentar um ofício solicitando os estudos, e ao fim do encontro ambos desceram à portaria para falar à imprensa.

Um pequeno grupo de manifestantes interrompeu as declarações dizendo que a privatização da empresa seria "um crime contra o povo brasileiro", o que o ministro da Economia rebateu afirmando que não queria falar "de quem roubou a Petrobras, assaltou a Petrobras".

"Eu queria que todos soubessem que nós sempre respeitamos, estamos em uma democracia, nós respeitamos os vencedores das eleições. Quando alguém... eu não quero falar de quem roubou a Petrobras, assaltou a Petrobras. Durante anos roubaram, foram condenados. Eu não quero falar isso. Eu quero simplesmente receber, como um programa de governo que teve 60 milhões de votos, receber aqui o pedido do novo ministro de Minas e Energia e encaminhar o processo", disse Guedes.

Em seguida, os sindicalistas afirmaram que a privatização da companhia seria a "destruição do patrimônio do povo brasileiro", ao que o ministro da Economia novamente respondeu: "Nós vamos devolver ao povo brasileiro o que é deles."

O grupo de sindicalistas estava nos arredores do Ministério da Economia pedindo reajustes salariais. A mesa de negociação foi a primeira reivindicação feita a Guedes, que respondeu ainda em tom de diálogo que o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, estava se reunindo com as categorias.

A tensão aumentou quando Sachsida citou os estudos para a privatização da Petrobras.

"Aqui está o meu primeiro ato como ministro de Minas e Energia, a solicitação formal para que se iniciem os estudos que visam ao começo do processo de desestatização da PPSA e da Petrobras. Espero que no período mais rápido de tempo possível nós tenhamos essa resolução pronta e levamos para o presidente Jair Bolsonaro assinar esse decreto e começar esse processo", afirmou.

O novo ministro disse ainda que a medida promoveria "a libertação do povo brasileiro contra os monopólios".

Em relação ao pedido do MME, o ministro da Economia disse que pretende dar celeridade ao processo.

"Eu encaminho imediatamente para a secretaria especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) para que faça uma resolução ad referendum [para] que iniciem os estudos. Isso deve ser feito hoje mesmo, e nós vamos dar sequência aos estudos para PPSA e depois então o caso da Petrobras", disse Guedes.

As decisões do PPI são tomadas no âmbito do conselho de ministros, mas questões urgentes ou de relevante interesse podem ser alvo de deliberação ad referendum, ou seja, sem prévia votação colegiada. A decisão, porém, precisa ser validada na primeira reunião subsequente do conselho.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários