"Franca Acqua Parque - o sonho do paraíso transformado em realidade". O slogan pouco parece com a realidade. O sonho não se realizou e o paraíso virou um verdadeiro inferno para alguns francanos que se tornaram sócios do empreendimento. Quase cinco anos depois do anúncio, a construção do parque aquático nunca saiu do papel.
O pesadelo para Luziene Stefany Almeida, de 38 anos, começou no segundo semestre de 2017. Um ponto de vendas de títulos de sócio foi montado em frente à fábrica de calçados em que trabalha.
“Eles ficavam na porta e abordavam a pessoa que saía, oferecendo título, perguntando se queria ser sócio, que teria participação nos lucros e oito dependentes", relembra Luziene.
A oportunidade pouco chamou atenção da francana no começo. A virada de chave aconteceu após assistir a uma propaganda do Franca Acqua Parque na televisão. Foi quando decidiu se tornar sócia do empreendimento.
Luziene recebeu uma visita dos vendedores e pagou uma entrada de R$ 407 no dia 28 de outubro de 2017. Após fechar contrato, um boleto no valor de R$ 107 chegava em sua casa todos os meses.
A moradora do Jardim Aeroporto lll guardou o comprovante de pagamento de seis meses. "Creio que paguei até mais – porque tem alguns que perdi". A entrada mais os seis boletos acumulados resultam em, pelo menos, R$ 1.049 de prejuízo.
"No começo eles tratavam super bem, falavam direitinho, mostravam os projetos, os papéis e tudo mais".
Tratamento que foi mudando com o passar do tempo. "Começaram a jogar na mão da Prefeitura, falando que já estava tudo certo, mas que a Prefeitura não estava liberando".
Luziene os procurou quando o escritório ainda estava nas proximidades da avenida Presidente Vargas. No entanto, uma placa avisava que tinham se mudado para a praça Barão, no Centro da cidade. Ainda segundo ela, teve uma surpresa no novo endereço.
"Fui no outro endereço e não tinha ninguém na salinha de lá. O porteiro falou que tinham acabado de sair dois moços de lá que entraram brigando", conta.
O contato acabou em dezembro de 2018. Desde então, Luziene parou de pagar as parcelas, mas não chegou a registrar um boletim de ocorrência. "Era bom se fizesse (um BO), porque se não intimar eles, não vai virar nada”.
O sentimento que fica é de revolta e decepção. “A gente esperava que fosse um processo sério, porque Franca não tem área de lazer, não tem nada para a gente ir com a família. No mínimo devolver o dinheiro e dar uma explicação, já que o sonho o clube não foi para frente”, completou.
Procon
O Procon Franca registrou 29 reclamações sobre o Franca Acqua Parque entre o fim de 2018 e o início de 2019. Recentemente, duas pessoas também fizeram queixas sobre o empreendimento, totalizando 31 casos.
O órgão notificou os responsáveis pelo parque aquático. Alguns casos foram respondidos e outros não. "Realizamos depois algumas audiências, que tivemos alguns acordos. Naqueles que não tivemos tratativas, foram encaminhados as vias judiciais", explica o diretor da unidade francana, Luiz Murari.
A informação recebida por Murari é que a empresa responsável pelo empreendimento fechou as portas. Neste caso, o Judiciário é o caminho. "A recomendação dada ao consumidor é que ele entre com uma ação judicial e pleitear o prejuízo".
A população pode buscar o Procon de Franca pelo telefone (16) 3721-4757. A unidade está localizada na avenida Alameda Vicente Leporace, 4655, no Parque dos Pinhais.
Prefeitura de Franca
Sobre a aprovação do projeto, a Prefeitura de Franca informou que, após análise do GTA (Grupo Técnico de Análise), aguarda o empreendedor providenciar as documentações necessárias para o andamento do projeto.
"Comunica que aguarda o cumprimento das exigências legais apontadas pelo GTA ao empreendedor para o andamento do processo", diz nota enviada.
Sem resposta
A reportagem buscou contato com os responsáveis pelo Franca Acqua Parque através do telefone disponível na página do empreendimento no Facebook. Cinco telefonemas foram realizados entre sexta-feira, 7, e sábado, 8, mas nenhuma resposta foi obtida até a publicação deste texto.
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