PRECÁRIO

Mãe passa madrugada em PS Infantil e secretária de Saúde reconhece: 'é desumano'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Heloísa Taveira/GCN
Pronto-socorro na manhã desta segunda-feira: lotação contínua
Pronto-socorro na manhã desta segunda-feira: lotação contínua

Daiane Cristina Rossi, mãe de uma menina de sete meses e um menino de cinco anos, esperou sete horas por atendimento no Pronto-socorro Infantil nesse domingo, 1º. Ela chegou à unidade às 21h50 do domingo, 1º, e saiu às 5 horas desta segunda-feira, 2.

Logo depois, pela manhã, Daiane precisou retornar ao PS, já que ainda não havia sido realizado o Raio-X que sua filha precisava. “Faz um mês que estou com meus meninos doentes. A gente vem aqui quase todo dia e ninguém resolve, não aguento mais ficar correndo atrás de médico. Não sei o que meus filhos têm, diz a médica que é dengue, mas não confirmou, é uma coisa muito incerta. É uma falta de humanidade o que estão fazendo aqui com todo mundo”, falou Daiane.

Segundo Daiane, que esperou durante toda a madrugada com a filha de sete meses, quando ela retornasse ao pronto-socorro nesta manhã, não precisaria aguardar na fila, pois o bebê já realizaria o Raio-X direto. “Hoje eu chego aqui e tenho que esperar tudo de novo porque eles não têm a responsabilidade de guardar um pedido de Raio-X. Esse PS está gritando por socorro faz tempo”.

Outros casos 
Sabrina Belanciere, mãe de uma criança de oito anos, também reclama da demora no atendimento e questionou se com quatro médicos à disposição a unidade poderia estar tão lotada como estava nesta manhã.

Já Miriam de Oliveira foi com o filho de sete anos pela quarta vez em menos de um mês no PS. Em todas essas ocasiões, a mãe retornou para casa com os mesmos problemas. “Não pedem exame, falam que não tem doença, manda para casa. Na sexta-feira passaram só Dipirona e mandaram eu levar ele (o filho) para casa. Ele começou com as febres, não resolveu e está pior hoje. O atendimento está precário”, falou Miriam.

Secretária reconhece 
Em entrevista à rádio Difusora nesta segunda-feira, a secretária de Saúde, Waléria Mascarenhas, admitiu que a superlotação na unidade e a demora no atendimento são reais. Segundo a secretária, em abril de 2021 foram atendidas 4,3 mil crianças. No mesmo período deste ano 13,5 mil crianças passaram pelo atendimento.

“O que vem acontecendo muito é o fluxo de pacientes da região que está alto, principalmente aos finais de semana, já que a região não conta com pronto-atendimento. Isso acaba que sobrecarrega ainda mais, e nós não podemos não atender”, falou.

Waléria ressaltou que a Saúde tem dificuldade na contratação de médicos, mas que está abrindo um novo credenciamento para a contratação dos profissionais. Além disso, anunciou que a partir desta terça-feira, 3, será iniciada a reestruturação no pronto-socorro, e que a população precisará ter ainda mais paciência.

“Me incomoda também (a lotação), é desumano. Não tem nem o que ficar justificando, tenho que buscar soluções, e é o que eu estou buscando. Nesses dez dias vamos ter uma recepção um pouco menor para ampliar a outra. Ela vai para onde era a saúde auditiva, que é menor, então gostaria de pedir que nesse momento a gente conte um pouco mais com a colaboração da população, que já está colaborando muito.”

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