O ex-bispo de Franca Dom Pedro Luiz Stringhini está sendo acusado de acobertar o padre Ismael Almeida Santana, 31 anos, que é suspeito de praticar um crime sexual contra um ex-seminarista no Seminário Propedêutico Nossa Senhora do Socorro, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.
A Diocese de Mogi das Cruzes nega que o bispo acobertou o crime e que haja uma investigação canônica. O padre Ismael foi afastado de suas funções na Igreja Católica.
O caso foi divulgado pelo portal UOL em dezembro do ano passado. Na denúncia, a reportagem teve acesso a um vídeo que mostra o padre Ismael ameaçando e agredindo o ex-seminarista. A vítima fez uma denúncia ao tribunal eclesiástico da Diocese de Mogi das Cruzes no dia 26 de fevereiro, que suspendeu e afastou o padre de suas funções na mesma data.
Ismael é padre desde 2018 e acumulava cargos de grandes responsabilidade na diocese. Em seu depoimento, ele afirmou que teve um relacionamento afetivo com a vítima, que não aceitava o fim do relacionamento, e que por isso ele fez as denúncias. “O padre reconheceu que errou, se disse profundamente arrependido e pediu perdão à igreja, segundo os documentos da investigação interna da Igreja”, diz a matéria da UOL.
O ex-seminarista disse à reportagem que procurou a Diocese na expectativa de um desfecho, mas que houve um acobertamento por parte dos clérigos e da instituição. A vítima entrou com processos nas esferas criminal e cível em abril do ano passado. Na área cível, a vítima processa o padre Ismael, o bispo da diocese, dom Pedro Luiz Stringhini e o vigário-geral da Cúria, monsenhor Antônio Robson Gonçalves.
Ela alega que sofreu abuso sexual e psicológico, além de violência física e ameaças por parte do padre. Quanto aos membros da diocese, João diz que houve acobertamento e pede indenização de R$ 560 mil por danos morais.
A defesa de Ismael afirma que seu cliente é inocente. Acusado e vítima teriam tido um relacionamento homoafetivo entre adultos e, que isso, não configura em crime sexual.
A reportagem do GCN entrou em contato com a Diocese de Mogi das Cruzes, que afirma que não houve acobertamento e que “o sacerdote foi imediatamente Suspenso do Uso de Ordens e destituído dos ofícios eclesiásticos por tempo indeterminado e até que sejam devidamente apurados os fatos e responsabilidades mediante procedimentos jurídico canônicos imediatamente instaurados e em andamento”.
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