CRUELDADE

Mãe, avós e tia de criança morta queimada em ritual são presos em MG

Por Simone Machado | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Polícia Civil de Minas Gerais/Divulgação
Operação policial que prendeu cinco suspeitos em Frutal (MG) ocorre um mês após morte de menina
Operação policial que prendeu cinco suspeitos em Frutal (MG) ocorre um mês após morte de menina

A mãe, a tia e os avós maternos de uma menina de 5 anos que morreu queimada, segundo a polícia, após passar por um ritual religioso, foram presos em Frutal, no Triângulo Mineiro, na quarta-feira (20). Ainda segundo a polícia de Minas Gerais, um guia espiritual também foi detido.

A criança Maria Fernanda de Camargo morreu no dia 24 de março, após ter 100% do corpo queimado. A reconstituição do crime, que será tratado como homicídio doloso, deve ocorrer nos próximos dias.

Os cinco envolvidos foram presos preventivamente por 30 dias e levados para cadeias da região. Os nomes deles não foram divulgados pela polícia. A polícia disse não poder informar também o nome do advogado dos suspeitos.

Uma reconstituição do crime, que foi enquadrado como homicídio doloso, deverá ser feita nos próximos dias com a presença dos suspeitos.

As prisões aconteceram depois de quase um mês de investigação sobre a morte de Maria Fernanda. A hipótese inicial era de que a menina havia sofrido um acidente doméstico e se queimado em uma churrasqueira.

Maria Fernanda foi sepultada no dia 25 de março no distrito de Santo Antônio do Rio Grande, na cidade mineira de Fronteira, a cerca de 60 km de Frutal.

Segundo o delegado Murilo Cézar Antonini Pereira, o pai da criança, que não estava no momento do suposto acidente, foi o primeiro a desconfiar da versão dos familiares e levou o caso até a polícia.

No primeiro depoimento dos suspeitos, logo após a morte da criança, eles disseram que a vítima havia se queimado em uma churrasqueira durante um churrasco na casa dos avôs maternos da criança.

Na ocasião, os familiares tentaram socorrer a menina, sendo que também sofreram queimaduras leves.

Durante as investigações, a polícia disse ter constatado que essa não seria a real versão dos fatos e que a criança teria sofrido as queimaduras durante um ritual "de evocação e incorporação de espíritos malignos", com a participação da mãe, avôs, tia e de um guia espiritual.

"Foram ouvidas testemunhas e os médicos que atenderam a vítima e os laudos periciais analisados, com isso concluímos que a vítima teria participado de um ritual religioso, sendo que um líder espiritual teria jogado álcool no corpo da criança e, posteriormente, ateado fogo, usando uma vela", afirmou o delegado.

Além das cinco prisões também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Celulares e documentos foram apreendidos e podem ajudar a polícia a entender a motivação do crime.

Os suspeitos prestaram novos depoimentos -o conteúdo não foi divulgado pela polícia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários