Após dois complicados anos devido à pandemia da Covid-19, o mercado de exportação de calçados francanos indica forte recuperação neste início de ano. Segundo dados do SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), US$ 20,9 milhões já foram exportados durante o 1° trimestre de 2022. Desde 2017, Franca não iniciava o ano com um valor tão alto.
Na época, as indústrias calçadistas exportaram U$ 22,2 milhões, entre janeiro e março. Após isso, as fábricas francanas tiveram uma queda acentuada nas vendas internacionais, ano após ano. Em 2018, foram exportados US$ 17,2 milhões. Em 2019, US$ 16,3 milhões. E, durante 2020 e 2021, muito devido à pandemia, US$ 13,5 milhões e US$ 11,6 milhões em exportações, respectivamente.
Para o presidente do SindiFranca, José Carlos Brigagão, os números obtidos neste trimestre são resultado de um foco da indústria nas exportações. "Em decorrência da redução drástica do mercado interno, que vem ocorrendo desde 2014, o foco passou a ser as exportações. Outro fator que também contribuiu foi a boa cotação do dólar, além da economia mundial, que vem sofrendo reajustes inflacionários, surgindo oportunidades para os produtos brasileiros ocuparem espaço no mercado internacional", explicou Brigagão.
Outro ponto que colaborou para o destaque de Franca é a perda de força do mercado asiático, conforme explica Paulo Figueiredo, da Levecomfort, que presta assessoria de exportação de calçados. "O mundo voltou a consumir, e os preços da Ásia estão iguais ao nosso. Só que a entrega deles está tumultuada e distante, além do frete ser caro e a logística muito mais demorada do que a nossa".
Estes fatores somados contribuíram não só para uma retomada da indústria francana, mas também para recuperação do calçado nacional. Atualmente, segundo números do ComexStat – plataforma do governo federal que fornece dados de exportações e importações –, Franca é o terceiro município que mais exporta calçados no país.
À frente de Franca estão hoje dois outros grandes polos calçadistas do Brasil: Sobral (CE), com US$ 46,6 milhões, e Sapiranga (RS), com US$ 40,2 milhões.
Apesar de não liderar no setor de calçados em geral, Brigagão reforça que não existe concorrência nacional na produção e exportação de calçados de couro. "Exatamente por produzir um calçado de couro de alta qualidade e design, Franca não possuí concorrência direta dentro do cenário nacional e na América Latina".
Esse início promissor também traz uma projeção otimista para os próximos nove meses. O Sindifranca calcula um faturamento próximo de US$ 84 milhões para o ano todo. "Isso só será possível se o cenário econômico colaborar e se conseguirmos atender à necessidade do setor por mão de obra especializada. O que demanda investimentos em treinamento".
Paulo Figueiredo também traça bons resultados para 2022. "Estamos com a taxa cambial em um valor que ajuda a termos preços melhores e sermos mais competitivos. Além disso, muitas fábricas encerraram suas atitividades, assim as que permaneceram terão uma produção bem mais volumosa para suprir o mercado", explicou.
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