TRÊS A BORDO

Mãe de trigêmeos relata emoção no parto: 'é mágico ver cada criança nascer'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo Pessoal
Os pais Daniel e Mariana e os trigêmeos Benício, Catarina e Miguel
Os pais Daniel e Mariana e os trigêmeos Benício, Catarina e Miguel

Na manhã do dia 24 de março, uma quinta-feira, três bebês nasciam na sala de parto do Hospital Regional São Francisco. Benício foi o primeiro a dar “oi” aos papais de primeira viagem. Catarina, a única menina entre os trigêmeos, veio a seguir, e por fim, o Miguel. Em menos de 50 minutos, a família francana mais que dobrou.

Mariana, de 30 anos, e Daniel Malta, de 29, jamais imaginaram que seriam pais de três, assim, logo de uma vez. Os dois se casaram em outubro de 2019, mas se planejaram para passar os primeiros anos do casamento sem filhos. Quando perceberam que era a hora de viver a experiência, começaram as surpresas.

Logo no primeiro mês de tentativa, Mariana engravidou. “Foi muito rápido. Normalmente não tenho cólicas e no mês seguinte da tentativa eu comecei a ter. Comecei a ter muito sono também. Um dia eu simplesmente dormi no sofá, sentada”, falou. Estranhando a situação, Mariana decidiu comprar um teste de gravidez na farmácia, mesmo antes da menstruação atrasar.

Ao fazer o teste, a engenheira química viu o primeiro resultado positivo. “Ainda nem tinha falado nada para o meu marido. Apareceram aqueles dois traços, bem fortes e nítidos. Como era no começo da gravidez, poderia ser fraco, mas não”. Antes de contar para Daniel, Mariana decidiu fazer um exame de sangue para ter certeza. O resultado? Positivo também.

Os pais comemoraram a gravidez, até então pensando que seria apenas uma criança. Dias depois, Mariana foi à clínica médica para realizar o ultrassom. Como era um período perigoso da pandemia, foi sozinha.

“Na hora que a médica viu e falou que eram gêmeos, eu já assustei demais. Logo em seguida, menos de um minuto depois, ela falou que eram trigêmeos. Aí eu surtei. Dei um grito: 'Quê? Trigêmeos? Como assim?' Nunca passou pela minha cabeça gêmeos, o que dirá trigêmeos”.

Apesar do susto, Mariana contou que desde o início de seu relacionamento com Daniel ele falava que iriam ter gêmeos, e que isso era um sonho de seu marido. A notícia de que teriam três bebês a bordo deixou o casal assustado, mas sempre confiante. 

A gestação 
Embora saber que uma gestação de três pode trazer uma séria de preocupações, Mariana se considera uma mãe de sorte. Afinal, os meses de gestação foram tranquilos, sem complicações ou dores excessivas. Para ajudar, a engenheira praticou pilates durante todos os meses e buscou orientações em grupos de mães de trigêmeos.

“Só tenho a agradecer porque não tive dificuldade na gestação. Tá certo que no final fica difícil para dormir, tem o peso, mas não tive dor na coluna, não tive nada. Dirigi até o final, e fazia minhas coisas. Não cheguei a me privar de muita coisa”. 

O parto 
Até mesmo o parto dos trigêmeos foi tranquilo. Os bebês nasceram com 36 semanas e três dias, mas segundo Mariana, conseguiria ter esperado as 37 semanas. O nascimento foi adiantado por dias porque o hospital vagou três leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal e a cesárea foi marcada logo em seguida. Caso não existissem as três vagas simultaneamente livres, o parto teria que ser realizado em outra cidade.

“Na quarta-feira liberou e na quinta nós agendamos para fazer pela manhã. Nem precisou de UTI, eles já foram pro quarto comigo, graças a Deus. No dia, eu lembro que os médicos e enfermeiros falaram que nunca viram a sala de cesárea com tanta gente como estava no dia que tive os três”, brincou a mãe.

Desde que Mariana deu entrada na sala, recebeu a anestesia, fez a cesárea e os procedimentos pós-cirurgia, nem 50 minutos se passaram. Todos que acompanharam o parto, inclusive o pai, se emocionaram com a chegada dos trigêmeos, todos com saúde e sem nenhuma complicação.

“Cada um que saía e chorava, aquele choro forte, é tudo tão mágico. Lembro que cada pediatra que vinha, pegava e levava para a salinha, batiam palmas, riam... É mágico ver cada criança nascer”.

Daniel foi peça fundamental em todo o processo, segundo a mulher. “Desde o começo a gente ouvia relatos ruins, mas estávamos muito calmos. Ele também fala que foi mágico, ria de orelha a orelha. É tudo muito lindo, ele ficou muito feliz de estar lá, de poder acompanhar”. 

Puerpério 
Em apenas 48 horas, a mãe e os bebês receberam alta. Em casa, Mariana conta que a rotina é mais complicada. Foi ainda mais desafiadora nos primeiros dias, já que estava com anemia. Apesar disso, os pais afirmam que lidam melhor com o puerpério a cada dia que passa.

“Como eles nasceram com menos de três quilos, eles estão mamando de três em três horas. É bem puxado. Termina o último, passa meia hora, uma hora, tem que começar ‘tuuudo’ de novo, e isso é de dia e madrugada. Tem que trocar fralda, dar ‘mamá’, banho da tarde...”. A mãe e o pai lidam com a rotina e cuidados juntos.

A boa notícia é que, mesmo recém-nascidos, as crianças são tranquilas. A mãe conta que nenhum é de chorar – exceto a Catarina, quando está com fome – e sabem esperar. A dificuldade maior é a privação de sono do casal.

Já com os bebês em casa, os pais admitem que já não se imaginam tendo apenas um filho. “É difícil, mas é tão lindo ver os três juntos, principalmente em casa, com saúde. Filhos são bênçãos de Deus e eu acredito que, tanto eu, quanto meu marido, somos privilegiados”.

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