ELEIÇÕES

Jovens tiram título para estreia nas urnas: 'Posso sim ter um voto consciente'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Baccelli/GCN
Estudantes Gabriela Silva e Vitória Neves, ambas de 17 anos
Estudantes Gabriela Silva e Vitória Neves, ambas de 17 anos

“Os jovens são o futuro do Brasil”. Quem nunca ouviu esse jargão popular? Uma das principais formas de participação é através do voto.

Para as eleições deste ano, Franca teve 2.985 novos títulos de eleitor emitidos entre os dias 1° de janeiro até 30 de março. Destes, 1.255 alistamentos em geral foram realizados apenas no último mês, segundo dados divulgados pelos cartórios da 46ª e 291ª zonas eleitorais.

Apesar do resultado, não é possível saber quantos títulos são de menores de idade. O que se sabe é que uma das emissões era para Maria Júlia Malta, de 16 anos. “Tirei o título com a quantidade de dias certos para que pudesse votar nas eleições desse ano”.

A moradora do Jardim São Luís, na zona Leste da cidade, explica por que pretende votar este ano. “Tirei o título para que pudesse escolher quem governa o lugar onde eu vivo para ter o direito de cobrar uma administração melhor do país”.

Mesmo com o título em mãos, Maria Júlia reconhece que falta engajamento na política. “Os jovens em sua maioria não são muito ativos em assuntos políticos. Falo isso por eu mesma. Não considero que eu saiba muito sobre o assunto”.

Maria Júlia não está errada. É muito comum encontrar jovens que preferem passar longe de política. “Mantenho o máximo de distância possível. Quando tem roda de amigos, prefiro também não opinar, porque cada um tem sua opinião e às vezes causa discussão e discórdia", explica Gabriela Aparecida Silva, de 17 anos.

É comum encontrar publicações nas redes sociais estimulando a retirada do título de eleitor. Gabriela acredita que alguns desses chamados são bem intencionados, mas outros são para promover ou desqualificar algum candidato.

"Eles não estão querendo chamar o jovem para a política, porque se quisessem, mostrariam como funciona e como fazer as coisas. Eles querem promover o candidato deles".

Vitória Lourenço Neves, de 17 anos, compartilha do mesmo pensamento. “Como o jovem não tem muito uma opinião formada, é quando acaba sendo manipulado um pouco, mas tem pessoas que também buscam ajudar".

Moradora do Residencial Ana Dorothea, na zona Sul da cidade, Vitória diz não ser fanática por política, mas faz ressalvas. "Como integrante da sociedade, busco saber pelo menos um pouco para estar por dentro”.

Ela pretende tirar o título para votar neste ano. "Tendo maturidade suficiente para entender o que o outro e o que eu preciso, posso sim ter um voto consciente”.

Esse não é um caso isolado. Raul Rodrigues de Oliveira, de 17 anos, planeja retirar o título para participar ainda das eleições deste ano. "Ainda não tinha tirado o meu título de eleitor, pois achei melhor deixar pra tirar esse ano, pelo fato de eu ter um pouco mais de maturidade agora".

"A participação do jovem na política é muito importante, o jovem precisa sim ter mais conhecimento na área de política, pois, eles serão o futuro do nosso país", completou.

Obrigatório para maiores de 18 anos, o título de eleitor é facultativo para menores que completam 16 anos até o dia 2 de outubro, data do primeiro turno das eleições. Analfabetos e pessoas com 70 anos ou mais também podem decidir se participam do processo político.

Especialista
O diretor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca e analista político, Murilo Gaspardo, explica que o país sofre um fenômeno chamado de crise da democracia.

“Observamos ao longo das últimas eleições um crescimento de abstenções, votos brancos e nulos (...) além da desconfiança das pessoas em relação aos partidos e a representação política”.

Os jovens estão inseridos neste cenário de desconfianças e incertezas. “Isso é bastante forte entre os jovens que tem questionado e mostrado esta desconfiança em relação às instituições”.

Segundo Murilo, existem muitos canais para os jovens participarem da política, entre eles as redes sociais, mas faz ressalvas. “A participação institucional também é fundamental. A primeira forma deste engajamento é justamente por meio da obtenção do título de eleitor e da participação nas eleições”.

Murilo reforça a importância de campanhas chamando a população a participar dos processos democráticos. “É preciso um trabalho como temos percebido nos diversos espaços e diversas mídias de incentivo ao engajamento político dos jovens, inclusive no âmbito da votação e da política partidária”, finalizou.

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